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Por: André | 09 Dezembro 2015

O timoneiro do Concílio tem sido capaz de navegar entre o tempo das reformas da Igreja e das crises. Retorno sobre um “soberano esclarecido”, injustamente subestimado.

A reportagem é de Christophe Dickès e publicada por La Vie, 05-11-2015. A tradução é de André Langer.

Situado entre o reinado curto, mas decisivo, de João XXIII e o longo pontificado de João Paulo II, os anos de papado de Paulo VI encontram dificuldades para suscitar o interesse e mais ainda as paixões. Sua beatificação, em outubro de 2014, após a canonização dos dois gigantes, tem cara de “repescagem”. Como se não devesse que abandonar este homem intermediário, isolado de qualquer consideração midiática e que não provoca nenhum fervor popular: “Nenhum dos papas do último meio século terá sido mais injustamente maltratado e incompreendido”, já disse André Frossard.

Bento XVI, por sua vez, acreditava que o reinado de Giovanni Battista Montini tinha sido difícil porque coube a ele concluir o Concílio. Esta foi a prioridade dos primeiros anos. O Papa Montini foi seu “timoneiro”, sua autoridade. Seguiu-se o tempo das reformas, mas também das crises. Raramente, a imagem de uma Igreja na tempestade terá tido todo o seu sentido: questionamento de alguns fundamentos da fé, recusa da moral católica, diminuição drástica das vocações, contestações de todos os lados. De maneira que o próprio Paulo VI acreditava que “as fumaças de Satanás” tinham se infiltrado na Igreja... Para compreender melhor esse pontificado difícil, mas não menos interessante, duas biografias completam a limitada literatura a este respeito.

Especialista do catolicismo contemporâneo, o historiador Philippe Chenaux aborda com objetividade esta vida feita de infortúnios, mas em busca constante de um equilíbrio. O tempo da ecologia integral, embora deite suas raízes em seu reinado, ainda não tinha chegado. Paulo VI falava do homem integral, isto é, de um novo humanismo cristão. Tratava-se do caráter laico e profano: “A religião do Deus que se fez homem encontrou-se com a religião do homem que se fez Deus”.

Uma vez terminado o Concílio, o Papa estava persuadido de que devia ser aplicado sob sua própria autoridade. Daí a expressão “soberano esclarecido” que Chenaux atribui a Paulo VI, como esses reis do século XVIII “que quiseram reformar o Estado aplicando o programa da filosofia das Luzes”. Uma forma de terceira via que reconcilia fé e modernidade e que não estava isenta de riscos.

A outra biografia é o resultado do trabalho do Instituto Paulo VI de Brescia, encarregado de reunir os arquivos e editar os documentos sobre Montini para “manter viva a memória do Papa bresciano”. Trata-se de uma obra coletiva dirigida por Xenio Toscani. Este volumoso trabalho, que deixa uma bela parte às citações, não é apenas um livro de história, mas também uma abertura à espiritualidade montiniana, às vezes com acentos hagiográficos. No entanto, é uma obra obrigatória para aqueles que querem abordar a vida desse Papa que, no crepúsculo da sua existência, respeitava as palavras de Bernanos: “Tudo é graça”.

Para ler:

CHENAUX, Philippe. Paul VI, le souverain éclairé, Cerf, 29€.

TOSCANI, Xenio. Paul VI, la biographie, Salvator, 29€.

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