BlaBlaCar chega ao Brasil com foco em economia compartilhada ‘de verdade’

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01 Dezembro 2015

As férias de verão vêm aí – e com elas, os brasileiros se preparam para enfrentar as estradas. Com gasolina e pedágios mais caros, poucos têm dinheiro no bolso para bancar a viagem sozinhos. Quem precisa dividir a conta terá uma opção neste ano: achar um ou mais passageiros para rachar os gastos através do BlaBlaCar, aplicativo da startup francesa homônima que desembarca amanhã no Brasil. Com mais de 20 milhões de usuários em todo o mundo e investimentos recentes de US$ 300 milhões, a empresa aposta na união de passageiros com destino em comum para lucrar com a economia compartilhada “de verdade”.

A reportagem é de Bruno Capelas e Claudia Tozetto, publicada por O Estado de S. Paulo, 30-11-2015.

Virar motorista particular ou alugar um quarto em sua própria casa não é mais uma novidade: startups como Uber e Airbnb viraram empresas bilionárias ao propor que qualquer um possa ganhar dinheiro com algo que tem. Mais do que apenas incrementar o orçamento, “fazer parte” dessas empresas acabou se tornando o ganha-pão de muita gente, na chamada “economia compartilhada”.

A BlaBlaCar aposta em outro modelo, que não deixa seus usuários terem lucro com a plataforma. No aplicativo, pode-se calcular o gasto com combustível e os pedágios para determinar os custos da viagem. O valor por pessoa varia de acordo com o número de interessados, que não pode passar de quatro passageiros.

“É possível aumentar ou reduzir o valor até um certo limite. Em hipótese nenhuma, o condutor lucra”, diz o diretor-geral da BlaBlaCar para o Brasil, Rodrigo Leite, em entrevista ao Estado. Para Leite, a restrição serve para chamar a atenção para outros aspectos da comunidade, mais ligados à experiência do usuário.

“Algumas empresas buscam só o retorno financeiro, mas existem aquelas que buscam tipos de retorno menos tangíveis”, diz o especialista em economia criativa e fundador da rede de empreendedores Project Hub, Lucas Foster. Ao oferecer uma carona no BlaBlaCar, o motorista pode não só gastar menos como também ter horas de bom papo.

Cada usuário da plataforma tem um perfil, como em uma rede social: lá, ele pode falar de seus interesses e dizer se gosta de música ou de silêncio enquanto viaja. Para diminuir a insegurança dos usuários, a BlaBlaCar tem uma equipe que verifica todos os perfis, checando a validade de fotos, e-mail e telefone. No Brasil, os usuários deverão associar suas contas ao Facebook. Após as viagens, os membros da rede se avaliam e podem deixar depoimentos sobre a viagem.



Experiência. A startup brasileira Tripda também oferece um serviço de carona compartilhada, permitindo a divisão dos custos de viagem. A plataforma tem 70 mil usuários e recebeu investimento de US$ 11 milhões de um grupo de investidores liderado pela Rocket Internet, empresa alemã que também investe no EasyTaxi e o varejo online Dafiti.

Outra startup do País que aposta no potencial da economia do compartilhamento “real” , a Bliive, lançada em 2012, criou uma rede de troca de tempo. O site tem uma moeda própria, chamada TimeMoney, que equivale a uma hora do tempo de qualquer pessoa, seja qual for o serviço oferecido – de aulas de violão a suporte técnico de computadores.

“A troca de tempo é uma forma de dar uma oportunidade para que pessoas que não têm dinheiro possam viver novas experiências”, diz a fundadora do Bliive, Lorrana Scarpioni. O site tem 10 mil usuários em mais de 100 países. Em breve, o app vai ganhar um aplicativo para dispositivos móveis, que mostrará oportunidades de experiências segundo a localização das pessoas.

Sobrevivência. Ser rentável é um desafio para as plataformas menos focadas no lucro. No caso da BlaBlaCar, a empresa cobra uma taxa de reserva dos passageiros que usam o serviço, variando entre 10% e 15% do valor da viagem. Nos países onde a empresa começa a operar, a taxa só passa a ser cobrada após 12 a 18 meses, “quando o serviço chega a um nível de maturidade”, diz o executivo. A empresa não divulga quanto fatura com as reservas.

Lorrana, da Bliive, aposta em uma versão paga de seu serviço voltada para empresas. Com funcionamento parecido, os clientes poderão criar redes restritas a seus funcionários para estimular a troca de conhecimento e interesses pessoais. Segundo ela, o faturamento obtido será reinvestido na expansão internacional e na versão grátis do Bliive.

“Percebo uma dificuldade cada vez maior das startups focadas em modelos de negócios pouco rentáveis em conseguir capital de risco”, diz o presidente executivo da organização de apoio a empreendedores Brazil Innovators, Andre Monteiro. É o caso da startup Spinlister, voltada ao aluguel de bicicletas. Fundada em 2012 no Vale do Silício, ela desistiu de restringir o serviço a quem tem uma bicicleta encostada na garagem e passou a aceitar lojas especializadas.

“O altruísmo dá um charme para a economia de compartilhamento, mas as empresas têm mais dificuldade de sobreviver”, diz o presidente executivo da Spinlister, o brasileiro Marcelo Loureiro. Com 50 mil usuários em 65 países, a Spinlister fatura cobrando taxas de quem oferece e quem aluga uma bike no app.

Há quem diga que a natureza do brasileiro também pode ser um entrave para essas empresas. “A ideia de colaboração presente na internet, é um valor dos americanos, que a criaram. Os brasileiros são mais comunicativos do que colaborativos. Ainda há um preconceito enorme”, diz o professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Gilson Schwartz.
Para Loureiro, do Spinlister, a falta de respeito com o próximo é um dos motivos que o fez adiar o lançamento do negócio por aqui. “O Brasil ainda não é atraente para empresas pequenas de economia compartilhada, pois não há segurança e o comprometimento com o outro é baixo.” Para a BlaBlaCar, porém, a média de um carro para quatro habitantes, o perfil sociável do brasileiro e os efeitos da crise são ingredientes suficientes para impulsionar a adoção do serviço.

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