"Ataques de Paris trazem vestígios de desespero vingativo." Entrevista com Rossana Rossanda

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17 Novembro 2015

"Eu não tenho uma linha", admite Rossana Rossanda, quando, depois de ter respondido com inúmeras perguntas às perguntas da entrevista, ela é questionada se, desta vez, a partir da sua análise das circunstâncias, não deriva uma indicação, uma proposta de caminho a seguir.

A reportagem é de Massimo Caprara, publicada no jornal Corriere della Sera, 15-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De Paris, onde ela vive há algum tempo, ela fala tendo atrás de si uma noite passada até as 2h da manhã ouvindo notícias sobre os ataques de sexta-feira. Aos 91 anos, a comunista herética à qual os cabelos brancos chegaram a 32 dias da invasão soviética de Budapeste, mesmo que a radiação do Partido Comunista Italiano com o grupo do jornal Il Manifesto remonta a mais tarde, ela continua crítica contra os governos ocidentais, mas não oferece propostas de estratégias.

"Eu entendo que não é simples para a polícia impedir ou bloquear ofensivas assim", reconhece. E teme que, em geral, possa continuar pior do que agora.

"Você estava dizendo que vê um risco de curto-circuito entre integralismo islâmico e racismo?" Diante dessa pergunta, no decurso da conversa, Rossana Rossanda observa: "Sim, de um curto-circuito entre fundamentalismo, racismo e desconforto social. Ainda não entendemos bem e totalmente de onde vêm aqueles que atiraram. No entanto, existe em Paris e em outros lugares um forte desconforto social. E, para jovens perturbados, enraivecidos, talvez seja mais fácil ouvir as pregações de um imã, elementares, mas claras, do que as da direita ateia".

Eis a entrevista.

Você viveu passagens até mesmo brutais na história. De "garota do século passado", para usar a definição dada de si mesma na sua autobiografia, que passagens lhe evocam os massacres de sexta-feira?

Não os alemães ou a guerra. Com o Estado Islâmico, estamos diante de um fenômeno novo. Não era o modo de operar dos alemães na guerra. Aqui há um grupo, não se sabe o quão consistente, de pessoas decididas a morrer. Você não as assusta. Elas puseram a morte na conta. Aqueles que fazem explodir as cinturas estão cortados em dois.

Um dos seus artigos mais famosos para o jornal Il Manifesto foi um comentário em que, embora condenando-os, você definiu os terroristas vermelhos dos anos 1970 como partes do "álbum de família" do comunismo italiano. Os terroristas que agiram em Paris não pertencem a nenhuma família cultural europeia: como isso influencia nos modos de combatê-los?

É uma pergunta. Eu gostaria de entender: quem são? Vêm da Síria ou são franceses?

Se vieram principalmente da Síria, teria sido uma operação mais marcadamente militar?

Sim. Uma resposta aos bombardeios desejados por François Hollande na Síria.

Se os terroristas eram predominantemente franceses?

Um problema ainda maior: então, vinham das periferias, confundem-se com o desconforto social.

Mas, para você, também não deve ser um desespero que possa ser favorecido. Parecem-lhe "os miseráveis da terra", oprimidos em busca de um justo resgate?

Não, não são os miseráveis da terra. A se julgar pelos casos passados, não são nem mesmo os mais pobres. Existem vestígios de desespero vingativo: porque, para que um jovem se deixe matar, é preciso uma decisão. Eu não posso pensar que sejam todos muçulmanos integralistas que se deixam matar porque seriam acolhidos por belas virgens. É um fenômeno que, no século XX, não existia, e há a necessidade de entender como e por que isso acontece.

Rossanda, portanto, não tem uma linha? Para além da condenação, naturalmente.

Não tenho uma linha. Senão observar que o Ocidente não fez nada até agora, além de alimentar esse furor, esse desespero. A Líbia hoje é incontrolável e uma escolha de Nicolas Sarkozy. Habitantes de alguns países ficaram profundamente ofendidos, não se podia fazer uma operação mais cretina do que a feita por Bush no Iraque.

Você pensa isso há anos. Mas e agora?

Como Etienne Balibar (filósofo francês), eu acredito que aqueles que atravessam a fronteira não são decapitadores. É preciso apoiá-los para dar uma sacudida em uma Europa baseada na austeridade.

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