“Procurem colocar em curso, sinodalmente, um aprofundamento da ‘Evangelii Gaudium’”, pede Francisco à Igreja italiana

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Por: Jonas | 12 Novembro 2015

Francisco não foi oferecer receitas aos “estados gerais” da Igreja italiana, nem tampouco apresentar um “projeto bergogliano” para substituir outros projetos ou fechar velhas estações eclesiais. No entanto, suas palavras representam um divisor de águas. Em seu longo e articulado discurso, pronunciado sob a cúpula do “Duomo”, em Florença, com o afresco do Juízo Final, o Papa propôs à Igreja italiana um minimalismo evangélico centrado na visão da humanidade de Jesus, na predileção pelos pobres e na abertura ao diálogo e à confrontação com todos. Não fez discursos abstratos sobre o “humanismo”, mas, ao contrário, utilizou palavras “simples e práticas”. Apontou três sentimentos de Jesus (a humildade, o interesse pela felicidade do outro, a beatitude evangélica) e alertou sobre as tentações de se confiar “nas estruturas, nas organizações, nos planejamentos perfeitos, porque são abstratas”, e em uma fé “fechada no subjetivismo”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 11-11-2015. A tradução é do Cepat.

Ao traçar o caminho, Francisco sugere a todos que dirijam a visão ao “cristianismo genérico” do povo de Deus, inclusive onde houver um pequeno rebanho um pouco estardalhado, ao invés de apostar em movimentos organizados pelas elites de assalto, pelos projetos que acreditam influenciar o pensamento de massa mediante as “batalhas culturais”.

Porém desta vez, a verdadeira notícia se encontrava nas últimas linhas do texto. Francisco, após ter repetido que não será ele quem traçará o novo percurso da Igreja italiana (mas, sim, os próprios religiosos italianos), fez um único pedido: “Em cada comunidade, em cada paróquia, em cada diocese, procurem colocar em curso, sinodalmente, um aprofundamento da ‘Evangelii Gaudium’, para obter dela os critérios práticos e para realizar suas disposições”. Esta exortação, um verdadeiro documento programático do Pontificado, foi publicada há dois anos. Se o Pontífice convida a retomar esse texto, evidentemente considera que a Igreja italiana não fez isto ou não o suficiente.

Não é uma questão de slogans. Não se trata de substituir nos discurso de sempre os “valores não negociáveis” com os “pobres” ou as “periferias”, assim como tampouco voltar a escrever os currículos a candidatos a bispo, colocando em primeiro lugar as horas que passam nos refeitórios das Cáritas. A “conversão pastoral” que Francisco aponta com seu Pontificado é algo muito mais simples e, ao mesmo tempo, mais radical. É uma Igreja “inquieta”, que sabe se colocar em discussão pelo Evangelho, que abandona qualquer efeito colateral, qualquer “substituto de poder, de imagem, de dinheiro”. Uma Igreja que não dorme nas glórias da própria hegemonia, de suas seguranças econômicas e estruturais.

Após os congressos de Loreto (1985), Palermo (1995) e Verona (2006), pela primeira vez, em trinta anos, os “estados gerais” da Igreja italiana foram realizados sem a condução do cardeal Camillo Ruini. Mas, desta vez estava presente um monsenhor Camilo. Mas, era esse pároco que se tornou famoso graças aos contos de Guareschi, o “pobre sacerdote de campo que conhece seus paroquianos um por um, que os ama, sabe suas dores e suas alegrias, que sofre e sabe rir com eles”.

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