Bolonha, uma Igreja a se consolar: "Essa é a missão do novo bispo". Entrevista com Alberto Melloni

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29 Outubro 2015

Para o historiador da Igreja italiano Alberto Melloni, a nomeação de Dom Matteo Zuppi vai ser útil para uma Cúria que custa a recuperar a sua autoridade.

A reportagem é de Andrea Malaguti, publicada no jornal La Stampa, 28-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

É verdade que, com Dom Matteo Zuppi em Bolonha, chega o primeiro "bispo vermelho" depois de Giacomo Lercaro?

Eu não penso assim. Parece-me uma síntese um pouco caricatural, especialmente pensando no que aconteceu em 1968. Aqui, o quadro é muito diferente.

É verdade. Mas Bolonha é filha desse quadro. Na época, a cidade era a ponta mais avançada do catolicismo social. E Lercaro foi removido por Paulo VI depois de condenar os bombardeios no Vietnã em nome de Deus.

O que aconteceu em Bolonha não aconteceu em nenhuma outra diocese do mundo. Houve uma ruptura de uma violência inédita. Um complô de palácio, episcopal e apostólico. Um caso sem precedentes que levou à nomeação do cardeal Poma.

Depois, com Manfredini, o Concílio Vaticano II acabou em uma gaveta.

Com a sua nomeação, houve uma das primeiras tentativas dos movimentos, e do Comunhão e Libertação em particular, de colocar os seus próprios homens nas cátedras episcopais. Manfredini e Biffi representaram algo não pela sua relação com a Igreja, mas pela sua personalidade.

A prefeitura à esquerda, a Cúria à direita. Não foi assim com Biffi e Caffara?

Com Caffara, houve uma flexibilização da força anterior. Ele estimava o Comunhão e Libertação, mas não tinha a sua cultura e espiritualidade. Mas o seu episcopado serviu para decantar as coisas e também para demonstrar que, com todo o respeito a Giosué Carducci, Bolonha tem um clero fortemente papista, em que cada padre tem um escritório próprio e uma ideia própria.

Com Dom Matteo Zuppi, o Concílio Vaticano II volta para o centro. Qual será o seu papel?

Dom Matteo é jovem. O seu episcopado será longo. Ele terá tempo para se tornar bolonhês. Um bispo – não importa de onde venha – deve deixar as "namoradas" anteriores e ter uma esposa. O tempo também vai permitir que ele se dedique à formação de um clero e de uma fisionomia diocesanas precisas. E há também um terceiro ponto importante.

Qual?

Dom Matteo tem um status internacional. Isso vai ajudar muito a uma cidade que, quando as coisas vão bem, é capaz de um fôlego amplo, graças ao rio de mentes jovens que partem para todos os cantos do mundo. Mas, se as coisas vão mal, ela parece uma federação de municípios habitada por muitos professores.

Apresentando-se aos bolonheses, Zuppi disse: "Vou aprender a dizer 'teneressa' [ternura] como vocês".

É uma bela imagem. E remete a outra, do papa: o bispo, por vezes, está à frente do seu povo, às vezes no meio e, às vezes, atrás.

A Bolonha de Biffi estava "saciada e desesperada". A de Caffara, "um pouco menos saciada, mas ainda desesperada". Que cidade Zuppi encontra?

Encontra uma Bolonha em que a Igreja precisa ser consolada e nutrida.

O que isso significa?

A Igreja pode ser muitas coisas. Petulante e chorosa pelo poder que não tem, pode negociar com os potentados políticos e econômicos. Ou, como demonstra Francisco, que recolheu uma Igreja esgotada por indecências e misérias, pode colocar novamente o Evangelho à frente de tudo e recuperar a sua autoridade.

Em Bolonha, o papel político do bispo sempre foi claro.

Os bispos tinham uma certa irrelevância loquaz, mas, depois, se contentavam com pequenos apoios desta ou daquela força política. Nunca foram protagonistas de um projeto.

No entanto, essa irrelevância loquaz dava a volta ao país.

Pode ser. Mas esta nomeação chega em um momento em que se pode declarar como encerrada a longa temporada do "ruinismo", quando o presidente da CEI [Ruini], diante do final da Democracia Cristã e do redimensionamento da Igreja como tal, decidiu que seria ele que gerenciaria as relações com o poder. Ele queria ser o titular da mediação.

Um anseio pessoal banal?

Não. Eu não faria moralismo sobre isso. Ruini estava convencido de que a Igreja importava mais quanto mais se fazia temer. Na realidade, ele não foi a lugar algum.

Biffi e Caffara eram funcionais ao sistema?

O ruinismo precisava que houvesse condescendência por parte de todos os bispos. E todos a concederam. De Martini a Biffi.

Martini?

Não existe uma posição pública dele contra a CEI. Com Francisco, chegou a mudança de ritmo.

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