Um de cada três bispos está na oposição: "A estrada de Francisco ainda é muito longa"

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26 Outubro 2015

No Sínodo, foi aprovado o compromisso alemão. O círculo "Germanicus" foi o único, no início da última semana do Sínodo, a encontrar a unanimidade entre os diversos componentes, o dos falcões e o das pombas, e que guiou a Aula rumo ao quórum necessário. Mas o sucesso não gera uma Igreja pacificada sob Francisco. Um terço dos bispos do mundo rema contra ele, como demonstra a contagem dos votos. Portanto, este é apenas um armistício entre as duas almas diferentes.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 25-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"A estrada ainda é muito longa", diz o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, grande tecedor do entendimento, um dos artífices da vitória alemã no Sínodo. Na verdade, o chefe dos bispos alemães, homem à frente da reforma econômica no Vaticano, está muito satisfeito. "Mas este é só o primeiro passo", adverte, freando oportunamente.

E, de fato, ler o resultado que saiu das três semanas de Sínodo como a garantia de que a Igreja de Jorge Mario Bergoglio permanecerá sem abalos até o fim do pontificado seria uma mera ilusão. Francisco olha para as longas discussões sobre o tema da família e para o bom resultado que surgiu do voto da assembleia, e sai dela seguramente fortalecido. E também tranquilizado. Mas as bombas midiáticas que explodiram de forma aparentemente científica em cada semana de trabalho o advertem de que o percurso, "a estrada", como diria Marx, poderia estar repleta de armadilhas.

A "saída do armário" do monsenhor polonês Charamsa, a carta de dissidência dos 13 purpurados conservadores e o falso tumor no cérebro do Papa Francisco não afastam Bergoglio de um futuro livres de tiros. O último caso, clamoroso pela sua evidente construção (uma doença na cabeça do papa, com a intenção de mostrar que as faculdades mentais do pontífice não funcionam), no entanto, serviu por último para mostrar que as tentativas desajeitadas daqueles que, dentro e fora da Igreja, são contra ele não podiam ter sucesso nesta rodada.

Quem teve um bom jogo foram os pontas de lança. Primeiro de todos, Marx, o verdadeiro fazedor de reis do compromisso no Sínodo. Tecedor paciente e sorridente, rocha sólida para os bispos alemães, o encorpado cardeal de Munique foi bem-sucedido na tentativa de encurtar as distâncias entre as duas partes, obtendo aquele voto a mais que tranquiliza Francisco. Começando pelo seu próprio círculo menor, o "Gemanicus", onde estavam estacionados os grandes calibres das poderosas, sólidas e endinheiradas das Igrejas alemã, austríaca e suíça.

Marx se arrastou atrás do suíço Kurt Koch, já estando de acordo com o austríaco Christoph Schönborn. Encontrou um refúgio nas posições progressistas do compatriota Walter Kasper, com a escolha de dar a comunhão "caso a caso" e a confissão ouvida pelo sacerdote depois do caminho penitencial (o "foro interno") do divorciado recasado individual. Isto é, usando o chamado "discernimento", palavra-chave deste Sínodo. Ali, esperou o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o sombrio Gerhard Ludwig Müller, organizador da opera omnia de Joseph Ratzinger e líder dos conservadores.

Müller, dando há seis dias uma significativa entrevista à revista alemã Focus, mostrou-se finalmente disponível a uma inédita abertura: "Sobre os divorciados recasados, é preciso discernir os casos com responsabilidade". Eis a palavra: discernimento.

Na Aula do Sínodo, as negociações, com algumas pedras de tropeço, logo depois, prosseguiram até a busca do quórum, e já nos últimos dias, em uma coletiva informal com alguns meios de comunicação na residência dos bispos alemães em Roma, sobre os Muros Vaticanos, Marx dizia que "o grupo germânico tinha alcançado a unanimidade".

Era o toque do gongo para os outros grupos. O modelo a seguir. Porque, no momento em que Müller, o líder dos falcões, aceitava a mão estendida, os conservadores não podiam senão seguir. Nem todos. Um terço dos bispos, contudo, se opôs na urna.

A estratégia de Marx busca mais objetivos. A Igreja alemã, em queda de números, teme a hemorragia não só de fiéis, mas de dinheiro, já que os fiéis cumprem o seu compromisso de fé também inserindo porcentagens substanciais na declaração de imposto de renda pessoal. Dizer isso explicitamente, no entanto, seria pouco elegante.

De modo hábil, Marx deixou passar para a frente, como figura de destaque, o austríaco Schönborn, purpurado de sangue azul, já bem experiente nas questões diplomáticas, que, nessa sexta-feira, se apresentava na Sala de Imprensa vaticano com o sorriso dos vencedores.

Uma hipoteca sobre o futuro conclave? Schönborn é jovem, midiático, capaz, progressista: um candidato perfeito. E o grupo germânico, embora não pensando em voltar a pôr um alemão no trono de Pedro, no entanto, poderia contar com um elemento da mais alta confiabilidade, da mesma família linguística, capaz de reunir consensos até entre poloneses e tchecos, hoje os mais conservadores mais críticos do papa. O longo e complexo Sínodo dos bispos no Vaticano também embolsou esse resultado como perspectiva.

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