Leigos e casais falam sobre sexualidade no Sínodo sobre a família

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Por: Jonas | 20 Outubro 2015

Padres sinodais, mas também “delegados fraternos”, ou seja, representantes das demais Igrejas cristãs e “ouvintes”, casais sem direito a voto, tomaram a palavra na aula do Sínodo sobre a Família que está ocorrendo no Vaticano. Destacaram, entre outras coisas, a importância de que os leigos façam parte da busca que a Igreja está fazendo por respostas pastorais à vida das famílias.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 16-10-2015. A tradução é do Cepat.

Durante o debate, em várias oportunidades, “voltou-se a fazer entender que o acompanhamento e a preparação ao matrimônio para os casais cristãos e para os que vivem situações difíceis exige essencialmente o papel da participação dos casais cristãos, que têm experiência e, portanto, podem comunicar uma experiência de maneira missionária aos demais e ser os melhores lugares da acolhida”, apontou o padre Federico Lombardi, durante a coletiva de imprensa cotidiana sobre os trabalhos do Sínodo. O jesuíta citou, especialmente, uma intervenção “sobre a sexualidade e a importância da relação sexual na vida dos cônjuges e da família, tanto em relação à reconciliação cotidiana que os cônjuges vivem, como na dimensão mais profunda e eucarística do dom de si: reconhece-se, pois, que é a experiência dos casais que deve guiar a Igreja neste campo para encontrar respostas e aprofundamentos adequados, porque são as pessoas que possuem a experiência mais viva”.

Entre ontem à tarde e esta manhã, interviram os trinta casais de “ouvintes”, além de numerosos delegados fraternos e os últimos padres sinodais, antes de voltarem a se reunir nos grupos de trabalhos linguísticos (os círculos menores) para discutir sobre a terceira e última parte do documento-base (o “Instrumentum labores”), em vista da conclusão do Sínodo, que será no próximo final de semana. Entre as intervenções dos “ouvintes”, na sala de imprensa vaticana, estiveram, por exemplo, as de Sharron Cole, presidente dos Parents Centres New Zeland (Nova Zelândia), que enfatizou que os apontamentos da encíclica “Humanae Vitae”, de Paulo VI, criaram certa distância e desgosto em diferentes fiéis. Um dos colaboradores do padre Lombardi na coletiva de imprensa, Manuel Dorantes, deu a notícia de uma intervenção sobre a educação sexual, na qual se ressaltou que a Igreja deve apresentar a sexualidade humana de maneira positiva e que os pais não podem deixar um tema tão delicado à educação pública.

Em geral, na aula sinodal houve “intervenções mais emotivas, testemunhos ou discursos relacionados com a própria vida pessoal ou espiritual”, disse durante a coletiva de imprensa Bern Hagenkord, colaborador do padre Lombardi. Entre todos os temas que surgiram (o incesto e a violência sexual em família, as adoções, o “motu próprio” do Papa sobre a nulidade matrimonial), diferentes intervenções, ainda que não muitas, voltaram a enfrentar a questão da comunhão aos casais em segunda união. Tema a respeito do qual a aula voltou a se dividir entre aqueles (segundo os exemplos que citou o próprio Hagenkord) que enfatizaram que “os fiéis esperam uma palavra clara de verdade e amor sobre o matrimônio e a família, contra as manipulações ideológicas e as facilitações políticas”, e aqueles que apontaram para a necessidade de “acolhida, acompanhamento, compreensão, participação e integração, coeficientes necessários para a história de discípulos que se fazem samaritanos”. Também houve quem sustentou que seria prudente, para enfrentar esta questão, criar uma comissão de especialistas. O primaz da Igreja Ortodoxa da Estônia, Stephanos, que participou da coletiva de imprensa, recordou a disciplina da Igreja Ortodoxa, que havia sido citada pelo cardeal Walter Kasper, de um caminho penitencial que conduza alguns casais em segunda união à comunhão, e enfatizou que “não existe só uma Igreja ortodoxa”, mas tampouco tantas disciplinas como Igrejas autocéfalas nacionais; indicou também que o bispo, em alguns casos, pode “dissolver o vínculo matrimonial” e acompanhar a pessoa na reconstrução da própria vida, após um fracasso, e que o caminho da penitência não é fácil porque se diz “na cara” verdades que nem sempre são fáceis de aceitar. O reverendo Timothy Thornton, bispo anglicano de Truro, também interveio na coletiva de imprensa (inclusive com um pouco de humor britânico: “Infelizmente, não me fizeram assinar nenhuma carta...”), para expressar palavras de apreço pelo método sinodal da Igreja católica: “Estamos aprendendo uns com os outros: um verdadeiro sinal de esperança”.

Entre ontem e hoje, houve diferentes intervenções (tanto em relação ao estilo como ao conteúdo) dos delegados fraternos: segundo o metropolita copta-ortodoxo egípcio de Damietta, Kafr el-Sheikh e Elbarari, por exemplo, é necessário explicar aos homossexuais, “de maneira terna, tolerante e convincente”, que a homossexualidade é um “grave pecado proibido por Deus”.

Para o arcebispo sírio-ortodoxo de Zahleh e Bekaa Mar, Youstinos Boulos, a eucaristia é “um remédio para as almas feridas”; segundo Tim MacQuiban, do Conselho Mundial Metodista, seria preciso dedicar maior atenção aos casais que não têm filhos, aos solteiros e às uniões de fato, quando se diz que os filhos são um “dom”; Roberte Welsh, da Igreja dos discípulos de Cristo, ressaltou que quando vai à missa com seu sobrinho católico não pode comungar, e isto é um “grande sofrimento”.

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