Francisco poderia ser a salvação da causa da liberdade religiosa

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28 Setembro 2015

O Papa Francisco não foi aos Estados Unidos principalmente para enviar uma mensagem política, mas para agir como um pastor, encorajando os católicos a sustentarem a sua fé e a colocarem-na em ação. Como um mantra, ele lhes disse várias e várias vezes: "Vão em frente!". Igualmente, com certeza, a política tem sido parte da mistura geral.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no jornal Crux, 26-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Das suas observações no gramado sul da Casa Branca na quarta-feira aos seus discursos a uma sessão conjunta do Congresso na quinta-feira e às Nações Unidas na sexta-feira, o papa apresentou um campo cheio de preocupações políticas, que vão da imigração e das mudanças climáticas ao tráfico de armas e à pena de morte.

Francisco já mudou a paisagem política aparentemente por dar ao presidente da Câmara, John Boehner, segundo na ordem de sucessão para a presidência, a paz interior para se decidir a renunciar.

Enquanto a viagem entra na reta final neste fim de semana na Filadélfia, no entanto, é possível que o subtexto político mais importante a longo prazo ainda esteja por vir.

Em poucas palavras, aqui está: Francisco pode ser o único homem capaz de converter os debates norte-americanos sobre a liberdade religiosa de uma questão ideológica a uma causa universal que reúne tanto a direita quanto a esquerda. (...)

Como Francisco poderia mudar o cálculo político?

Até este ponto, a liberdade religiosa é um problema na política norte-americana que tem sido em grande parte uma causa conservadora. Isso porque os pontos de destaque geralmente surgem das guerras culturais e envolvem questões como a contracepção e o casamento gay.

Ainda nessa quinta-feira, por exemplo, a funcionária do condado de Kentucky que se tornou o rosto da oposição à decisão da Suprema Corte contra o casamento gay por se recusar a emitir licenças para casais do mesmo sexo e que passou cinco dias na prisão, anunciou que estava deixando o Partido Democrata para se unir aos republicanos.

"Meu marido e eu tínhamos conversado sobre isso por um bom tempo e chegamos à conclusão de que o Partido Democrata nos deixou há muito tempo. Então por que ficaríamos pendurados nele?", disse Kim Davis.

Davis tinha sido eleita como democrata, seguindo os passos da sua mãe, que possuiu o mesmo trabalho por 37 anos e também era uma democrata. Significativamente, a notícia da sua ruptura surgiu quando Davis estava em Washington para uma reunião do conservador Family Research Council.

O que ilustra a deserção é a percepção nos Estados Unidos de que se você quiser se opor a uma legislação permissiva com base na sua fé religiosa, então os republicanos são o seu lar natural.

Da mesma forma no que diz respeito às lutas em curso dos bispos dos EUA com o governo Obama sobre os mandatos de contracepção impostos como parte da reforma da saúde, a maior parte do seu apoio veio dos conservadores desencantados com Obama por uma grande variedade de razões, enquanto os liberais têm amplamente apoiado o presidente .

Diante dessa paisagem e sabendo que, quando um problema se torna tão intensamente polarizado, é difícil fazer qualquer coisa, o que um tático experiente faria? Ele ou ela provavelmente tentaria encontrar formas de empacotar a causa de uma forma calculada para apelar para o outro lado, que neste caso significa os liberais.

Aqui entra o Papa Francisco, pelo palco da esquerda.

Em primeiro lugar, Francisco tem uma credibilidade junto à esquerda, por razões óbvias. As questões políticas com as quais ele está mais intimamente identificado, em especial a redução da pobreza, as mudanças climáticas e a imigração, são as suas cruzadas assumidas. Ele também elevou essas credenciais perante o Congresso, ao destacar figuras como Dorothy Day e Thomas Merton, há muito vistas nos círculos católicos como ícones liberais.

Além disso, Francisco também tem encantado a esquerda pela percepção de que ele está movendo a Igreja em uma direção mais gentil e amável, longe de agir como uma versão católica da Moral Majority.

Em segundo lugar, Francisco demonstrou uma profunda compreensão da cultura norte-americana durante esta viagem, que é bastante notável para alguém que nunca esteve aqui antes e realmente não fala a sua língua. (O que isso prova é, ao mesmo tempo, que Francisco recebeu bons conselhos e que foi inteligente o suficiente para aceitá-los.)

Na sexta-feira, em Nova York, o pontífice não poderia ter feito um conjunto de performances mais simbolicamente evocativas: depois do seu discurso na ONU, ele visitou o Marco Zero para uma comovente cerimônia inter-religiosa, dirigiu-se em uma turnê na Our Lady Queen of Angels School, no East Harlem, deu uma volta no quintal de Nova York, o Central Park, e acabou se apresentando no Madison Square Garden.

Se Francisco puder mostrar a mesma destreza ao ligar a questão da liberdade religiosa às grandes causas norte-americanas próximas e queridas do coração da esquerda – os direitos civis e os movimentos de direitos das mulheres, por exemplo, ou a abolição da escravatura – ele não só poderia mudar mentes, mas conduzir votos. (…)

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