Os refugiados que se tornam alfaiates de grifes na capital italiana da moda

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28 Setembro 2015

A cidade italiana de Milão, uma das principais capitais mundiais da moda, tem um projeto que tem dado a refugiados a chance de se formar como costureiros e até de trabalhar para grifes famosas.

A reportagem é de Marcelo Crescenti publicada por BBC Brasil e reproduzida por Uol, 25-09-2015.

A Sartoria Sociale (Alfaiataria Social, em português) foi criada em Milão com o objetivo de inserir no mercado de trabalho exilados que já tinham experiência com costura em seus países de origem.

A iniciativa deu certo, e alguns dos atendidos hoje produzem roupas para marcas como Dolce & Gabbana e Jil Sander, que desfilam nesta semana na Fashion Week de Milão, um dos eventos mais glamorosos da moda mundial.

Nos últimos três anos, cerca de 15 refugiados que passaram pelo projeto conseguiram emprego na indústria italiana da moda, um bom resultado considerando-se a crise econômica em curso no país e a difícil adaptação dos imigrantes ao país.

Sob medida

Um dos casos de sucesso é o de uma refugiada que, por temer ser estigmatizada, falou com a BBC Brasil sob condição de anonimato. Ela trabalha em uma das seções que mais requerem talento na badalada grife Dolce & Gabbana: a que produz ternos sob medida.

"É muito duro se adaptar. Tem que ter muita perseverança", disse a mulher, que teve que fugir dos Camarões, país na África Central, por motivos políticos. Ela, que trabalha sob um contrato temporário, afirma esperar poder continuar na empresa depois desse período.

"Só talento não basta. Precisamos também entender como funciona o ambiente de trabalho no país. Nisso a Alfaiataria Social ajuda bastante", disse a refugiada sobre o projeto.

Boa parte dos asilados que conseguiram emprego após passar pela iniciativa estão trabalhando em empresas que produzem roupas para grandes grifes, disse à BBC Brasil a assistente social Consuelo Granda, que chefia o projeto, financiado por uma instituição de caridade e pela Prefeitura de Milão.

O processo de adaptação não é fácil. "Muitos deles chegam traumatizados e precisam de apoio psicológico", disse a italiana. "Tivemos pessoas que escaparam por pouco de atentados a bomba", conta.

A maioria dos candidatos ao curso preparatório é homem e vem de locais como Afeganistão, Irã, Somália, Gâmbia ou Senegal. "Muitos desses países têm uma forte tradição na confecção de roupas e tecidos", diz Consuelo.

Na Alfaiataria Social, são instruídos por dois alfaiates formados. A iniciativa também os põe em contato com empresas de moda e os acompanha durante os primeiros passos no emprego.

Produção própria

A própria "Sartoria Sociale" produz roupas e produtos como sacolas e aventais, que são vendidos em feiras beneficentes, mercados e lojas de Milão.

A alfaiataria criou um posto de emprego, ocupado por Abdulai, que veio da Somália e agora supervisiona parte das atividades do projeto.

Enquanto costura, Abdulai conta que sua fuga da Somália durou vários anos. Ele diz que atravessou o deserto após pagar transportadores ilegais e que chegou a quase morrer de sede. Na Líbia, continua, embarcou em um barco superlotado para a Itália.

Abdulai, que já trabalhava como costureiro na Somália, aprendeu novas técnicas em Milão. Hoje, também costura vestidos e faz reparos para clientes da alfaiataria.

Integração

Cerca de 750 grifes tem showrooms em Milão, a capital italiana da moda. A produção de peças baratas e de massa se deslocou para países como China, Índia e Bangladesh. Assim, grande parte das roupas e acessórios produzidos no norte da Itália são de alto custo.

Na Itália, a integração dos refugiados fica a cargo das prefeituras, atualmente confrontadas com um número muito grande de pedidos de asilo.

Milão, por exemplo, paga cursos de italiano ou profissionalizantes por seis meses a quem é reconhecido como refugiado. "É um período muito curto", opina Consuelo Granda.

Projetos como a alfaiataria ajudam não só os migrantes, mas também a indústria italiana da moda: segundo a associação do setor, Sistema Moda Italia (SMI), várias empresas estão tendo problemas para encontrar alfaiates capacitados.

"A profissão já não é tão atrativa assim para italianos", explicou um porta-voz.

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