A rede de escândalos em torno dos novos ministeriáveis do PMDB

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25 Setembro 2015

Em meio à reforma ministerial e tentativas de reagrupamento da base aliada, Dilma Rousseff (PT) tem recebido pessoalmente lideranças do PMDB para discutir o novo espaço destinado ao partido na Esplanada. Um dia após vitória do governo no Congresso sobre projetos que criariam mais despesas para a União, a presidente se reuniu com o líder peemedebista na Câmara, Leonardo Picciani, na manhã desta quarta-feira (23). Segundo informações de O Globo, Picciani entregou uma lista com os nomes de deputados escolhidos para ocupar ministérios. Em negociação, o da Saúde e Infraestrutura, que uniria Aviação e Portos.

A reportagem é de Cíntia Alves, publicada por Jornal GGN, 23-09-2015.

Na lista constam alguns peemedebistas envolvidos em escândalos talvez já esquecidos e casos que ganharam destaque na mídia nas últimas semanas. O mais recente envolve o nome do deputado fluminense Celso Pansera, cotado para o Ministério da Infraestrutura. Ele foi taxado de "pau mandado" de Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, pelo doleiro Alberto Youssef. Réu da Operação Lava Jato, Youssef indicou que Pansera usou a CPI da Petrobras para proteger Cunha. À Época, Youssef confirmou a participação de Cunha em esquemas de corrupção na estatal de petróleo, abrindo caminho para uma investigação contra o parlamentar.

Filho de agricultores e ex-militante do PT, PSTU e PSB, Pansera apresentou à CPI requerimentos para quebrar o sigilo de familiares de Youssef. Em outro momento, pediu que Julio Camargo e sua ex-advogada, Beatriz Catta Preta, se apresentassem à comissão. Depois, propôs que uma comitiva viajasse ao Canadá para investigar como o juiz Sergio Moro conseguiu quebrar o sigilo das mensagens de texto e ligações de Youssef, obtendo assim as informações que deram origem à Lava Jato. O jurista Celso Vilardi havia levantado a tese de que essa quebra de sigilo teria sido feita de maneira irregular, o que poderia comprometer a validade dos depoimentos de Youssef - e, consequentemente, as acusações que fez contra Cunha.

Na mesma lista em que está Pansera, o PMDB da Câmara também indicou como ministeriável os deputados Newton Cardoso Júnior (MG), Mauro Lopes (MG) e José Priante (PA).

Newton Cardoso Júnior é empresário, filho de ex-governador de Minas Gerais e vice-líder do PMDB na Câmara - apesar de ser iniciante em Brasília. No ano passado, o pai Newton Cardoso e o filho tiveram bens bloqueados em ação do Ministério Público Estadual contra duas empresas da família que atuam no ramo siderúrgico e teriam sonegado impostos e apresentado notas fiscais falsas. Newtão ou doutor Newton, o patriarca, também se meteu em outros dois escândalos que renderam processos: um por ter feito contratações irregulares quando era prefeito de Contagem, e outro por uso indevido de helicópteros do Estado. Foi pego na Lei da Ficha Limpa.

Com passagem pelo PFL dos anos 1990, Mauro Lopes, também cotado para o Ministério da Infraestrutura, é o parlamentar com mais experiência entre os cotados pelo PMDB para novos ministérios de Dilma.

Lopes está no sexto mandato e é secretário nacional do partido. É advogado, atuante em comissões que tratam de segurança pública, transporte e agronegócio. Apareceu em intrigas sobre preencher a máquina com nomes do PMDB quando Antonio Andrade (PMDB) era ministro da Agricultura; desistiu da cassação de um parlamentar ligado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira e, mais recentemente, foi citado como influente nas indicações feitas pelo PMDB na Petrobras, investigadas na Lava Jato.

O último ministeriável da pasta de Infraestrura tem cinco mandatos em Brasília. José Priante é primo do senador Jader Barbalho (PMDB) e já comprou briga pelo comando da Companhia das Docas do Pará.

Este ano, foi escolhido por membros da Bancada da Bala para presidir a Comissão de Segurança Pública da Câmara. É um dos nomes do escândalo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). O esquema, do início dos anos 2000, teria desviado R$ 1,2 bilhão dos cofres públicos.

Ministério da Saúde

Para o Ministério da Saúde - hoje ocupado pelo petista Arthur Chioro, que já avisou que sairá do cargo - o PMDB indicou três deputados federais: Marcelo de Castro (PI), Manoel Júnior (PB) ou Saraiva Felipe (MG). "A tendência é que a cobiçada pasta fique com Manoel Júnior", escreveu O Globo.

No terceiro mandato como deputado federal, Manoel Júnior chegou a ser cotado para assumir o Ministério do Turismo no primeiro governo Dilma. Ventilou-se que o o deputado Luiz Couto (PT) vetou o nome do paraibano, hoje pré-candidato à Prefeitura de João Pessoa.

Ex-ministro da Saúde de Lula (2005-2006), Saraiva Felipe é entre três titulares da pasta - ao lado de José Serra (PSDB) e Humberto Costa (PT) - alvos da CPI pautada pela máfia das sanguessugas. Todos foram poupados de investigação. Para lembrar: a Polícia Federal desmontou, em 2006, um esquema de corrupção envolvendo 87 deputados e 3 senadores de 10 partidos. A rede trabalhava com parlamentares apresentando emendas ao Orçamento para compra de ambulâncias superfaturadas, em troca de propina.

Já o deputado Marcelo de Castro foi citado, em 2011, no escândalo do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ao lado do filho, então titular da Secretaria de Infraestrutura do Piauí (Seinfra). Irmãos de Marcelo, proprietários da Construtora Jurema teriam sido beneficiados com contratos superfaturados em obras do Dnit e Seinfra. Quem comandava o Dnit era o cunhado de Marcelo. Os cargos estratégicos para o esquema eram indicados pelo PMDB.

Sem definição

Ainda não há definição de Dilma quanto ao Ministério da Infraestrutura, mas, de acordo com O Globo, ela já teria conversado com Temer sobre realojar o ministro Helder Barbalho, da Pesca, em caso de a pasta ser fundida. O vice-presidente teria dito que a medida é providencial, já que Jader Barbalho (PMDB), pai do ministro, é responsável por melhorar as relações do governo com Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado.

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