“Perdoem-me se sou um pouco feminista”, diz o Papa Francisco

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Por: André | 21 Setembro 2015

“Perdoem-me se sou um pouco feminista”, brincou o Papa Francisco ao saudar, na quinta-feira, um grupo de jovens consagrados, para elogiar especialmente o trabalho das mulheres. “Tenho que agradecer o testemunho das mulheres consagradas. Embora nem todas, porque algumas são um pouco histéricas”, voltou a brincar o pontífice ao receber 5 mil jovens consagrados no Salão Paulo VI do Vaticano.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 17-09-2015. A tradução é de André Langer.

Das mulheres elogiou que “elas sempre têm vontade de estar na linha de frente pelo fato de que são mães e sentem essa maternidade da Igreja que as torna sempre próximas”.

Francisco, que em várias ocasiões incentivou uma maior presença das mulheres na Igreja e valorizou o seu trabalho na família, na quinta-feira também criticou os “muitos lugares comuns, às vezes, inclusive ofensivos, sobre a mulher tentadora que inspira o mal”. Assegurou que “há espaço para uma teologia da mulher que esteja à altura desta bênção de Deus”.

Falar mal do irmão também é terrorismo

O Papa ouviu algumas perguntas dos presentes e depois, em um discurso improvisado, garantiu que “um dos pecados” mais frequentes na vida comunitária é a incapacidade de perdoar. Jorge Bergoglio afirmou que uma fofoca em uma comunidade “é como uma bomba na fama do outro, pois o destrói e ele não pode se defender”.

“O religioso que consagrou a sua vida a Deus converte-se em um terrorista que joga uma bomba e destrói sua comunidade”, acrescentou metaforicamente.

Em seu discurso, Francisco também advertiu que “evangelizar não é o mesmo que fazer proselitismo”, pois a Igreja católica “não é uma associação esportiva preocupada em aumentar o número dos sócios, pois evangelizar não é somente convencer, mas testemunhar que Jesus está vivo”.

Não ao improviso

“Sei que entre vocês estão presentes consagrados e consagradas do Iraque e da Síria”. Com estas palavras, o Papa começou seu discurso, antes de responder a três perguntas que três consagrados lhe fizeram.

Com efeito, o primeiro pensamento do Papa dirigiu-se aos mártires “do Iraque e da Síria”. “Os nossos mártires de hoje” – esclareceu o Papa. “Talvez vocês conheçam muitos deles ou a alguns”.

O Pontífice relatou que dias atrás, na Praça, um padre iraquiano lhe entregou uma cruzinha, que pertenceu ao padre que foi degolado “por não renegar Jesus”. “Esta cruz a carrego comigo” – disse o Papa –, “à luz destes testemunhos de nossos irmãos de hoje que são em número maior do que os mártires dos primeiros séculos e também dos mártires de sua terra iraquiana e síria”.

O Papa manifestou o seu desejo de começar a conversa agradecendo ao Senhor: “Que sua Igreja realize em seu Corpo aquilo que falta à Paixão de Cristo ainda hoje e pedindo a graça do pequeníssimo martírio diário, daquele martírio de todos os dias no serviço a Jesus e de nossa vida consagrada”.

O Bispo de Roma respondeu, em primeiro lugar, à terceira pergunta de uma jovem, Sara, enviada por uma monja. A jovem explicou ao Pontífice que os jovens consagrados de hoje pertencem a uma geração definida como “líquida e instável” e que mesmo depois de terem finalizado a primeira etapa da formação, continuam a experimentar uma certa instabilidade no próprio itinerário. Então, perguntou ao Papa como se pode evitar cair nas mediocridades.

“Tu tocas num tema muito sério”, isto é, “a comodidade na vida consagrada”, disse o Bispo de Roma. E recordando as palavras de Santa Teresa sobre a observância rígida e estruturada recalcou: “É isto que tira a liberdade! O Senhor chama a todos para um modo profético de liberdade”, prosseguiu, isto é, “a liberdade que deve estar relacionada com o testemunho e a fidelidade”, afirmou. “É o que Santa Teresa chamava de almas concertadas” – prosseguiu Francisco – e acentuou então que “se a observância é rígida não é observância, mas egoísmo pessoal”, e o caminho para não transformar-se nisso é “a abertura, o coração aberto, o diálogo e também o diálogo comunitário”.

Prosseguindo no tema da instabilidade na vida consagrada, o Pontífice explicou que “são as tentações” que sempre existirão no caminho. “Nós vivemos em um tempo muito instável”, disse, “nós vivemos em uma cultura do provisório” que “entrou na Igreja, nas comunidades religiosas, nas famílias”. Não de maneira provisória e para todos. “E isto é um critério de discernimento espiritual”.

Em seguida, Francisco respondeu à segunda pergunta que foi feita por uma consagrada indiana, que, falando de evangelização, lhe perguntou qual era a missão dos jovens consagrados na Igreja de hoje. Um testemunho que se faz “com tua carne e com tua vida”, respondeu. Além da preparação – explicou –, “a capacidade de reconfortar os corações não vem dos livros, vem do teu coração”.

Finalmente, a resposta a um jovem sírio da cidade de Aleppo, que, após explicar que nestes dias fizeram a memória do primeiro chamado do Senhor, pediu ao Papa que compartilhasse com eles a experiência do seu primeiro chamado do Senhor.

O Papa respondeu com duas palavras chaves: “proximidade, de maneira profética, e memória”. “Proximidade entre vocês e com os outros. Proximidade com os problemas, os verdadeiros problemas”. E memória: “memória da própria vocação”, disse o Papa, “nos momentos obscuros e de tentação”, “voltar à fonte, fazer a memória e recordar o estupor que sentimos quando o Senhor olhou para nós”.

Francisco explicou que nos momentos difíceis ajudou-o muito a memória daquele primeiro encontro, “porque o Senhor nos encontra sempre definitivamente, o Senhor não entra na cultura do provisório”.

Por isso, precisou o Papa, “acercar-se das pessoas, aproximar-se entre nós, profecia com o nosso testemunho, com o coração que arde, com o zelo apostólico que reconforta o coração dos outros”. E finalizou com duas palavras: “símbolo” – “uma das piores atitudes de um religioso é espelhar-se em si mesmo, o narcisismo”. “Pelo contrário, prosseguiu, sim ao que te despoja do narcisismo, sim à adoração”.

explicou que nos momentos difíceis ajudou-o muito a memória daquele primeiro encontro, “porque o Senhor nos encontra sempre definitivamente, o Senhor não entra na cultura do provisório”.

Por isso, pontualizou o Papa, “acercar-se das pessoas, aproximar-se entre nós, profecia com o nosso testemunho, com o coração que arde, com o zelo apostólico que reconforta o coração dos outros”. E finalizou com duas palavras: “símbolo” – “uma das piores atitudes de um religioso é espelhar-se em si mesmo, o narcisismo”. “Pelo contrário, prosseguiu, sim ao que te despoja do narcisismo, sim à adoração”.

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