"Merkel aborda as falhas produzidas pelos EUA e Europa"

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18 Setembro 2015

Entrevista com Barbara Spinelli que trata do projeto proposto para a realização de corredores comunitários em prol dos refugiados. 

A entrevista é de Stefano Citati, publicada por Il Fatto Quotidiano, 11-09-2015. A tradução é de Ramiro Mincato.

Eis a entrevista

Com a mudança da Merkel, poderão ser realizados corredores humanitários, projeto proposto pela senhora, Barbara Spinelli, em julho de 2014?

Certo, trata-se de mudança. A tomada de consciência de tantos cidadãos, certamente, a acelerou; Merkel e Junker, pela primeira vez, falaram de vias legais para quem foge ou morre, em terra ou no mar. A legalização da imigração é a única medida capaz de enfraquecer os traficantes. O aumento da quota, proposto pelo Presidente da Conselho, de 40.000, previstas no verão, para 160.000, é um sinal importante, que ajudará os países mais expostos como a Itália, Grécia, Hungria. É preciso ver se o Conselho da UE o ratificará. Pois, neste ponto, os Estados divergem: o Conselho é um destruidor das boas iniciativas. Deve-se lembrar, no entanto, que, enquanto a União Europeia se agita, os migrantes chegados até agora representam 0,1% da sua população.

85% deles estão refugiados nos países pobres do mundo. E, não se pode esquecer que eles fogem das guerras e do caos produzidos, na maioria das vezes, pelos EUA e Europa. No caso sírio, há quem fale de regime-change refugees: um êxodo causado pelas estratégias que, para derrubar Assad, financiaram, no começo, as formações jihadistas, como Isis ou Al Nusra. Resultado: ergue-se outro Afeganistão à nossa porta. Os refugiados, e as guerras que os causam, são efeitos colaterais de políticas erradas, como muito bem o explica Alberto Negri em Il Sole 24 Ore.

A decisão de Merkel é puramente estratégica ou tem algo pessoal?

Eu não daria uma conotação negativa à palavra estratégia. Ao contrário de outros governos da UE, a Chanceler tem uma estratégia, também de natureza demográfica (Alemanha está envelhecendo dramaticamente). Além disso, como no passado, mostra uma visão afiada em ocasiões especiais. Com a Grécia, certamente, não a teve, mas já, uma vez, foi capaz de aproveitar as oportunidades históricas: depois do desastre de Fukushima, percebeu rapidamente que tinha que abandonar a nuclear e apostar tudo em energias alternativas.

Tenho, no entanto, várias reservas, começando pela abertura seletiva de refugiados. Não são apenas os sírios, mas também afegãos, eritreus, somalis. Tenho também fortes dúvidas sobre a lista defendida pela UE dos "países seguros", para os quais extraditar imediatamente os requerentes de asilo. É uma escolha perigosa, porque endossa seleções nacionais proibidas pelo direito internacional. Artigo 3º da Convenção de Genebra prevê a avaliação individual e não coletiva, aos requerentes de asilo. Os Balcãs, por exemplo, são considerados "seguros", mas se um rom escapa desses países, como deportá-lo sem violar a lei da não-extradição? Enfim, o Sistema de Dublin ainda não foi abolido. A isto acrescentaria ainda um cálculo mais pessoal. Sabemos agora que se recandidatará à Chancelaria em 2019. É como se ela já estivesse em campanha, acreditando-se, não só como o líder da Alemanha, mas de toda a Europa.

Em breve teremos eleições na Grécia, encurralada por refugiados e pela crise econômica. Está claro que contra Atenas não haverá flexibilização do plano de austeridade, nem reestruturação real da dívida: no máximo um escalonamento, ou uma Grexit apenas adiada. As ajudas da UE aos imigrantes darão uma mão para o novo governo; mas seja qual for o partido vencedor, e não está dito que será Syriza, a tutela da troika permanecerá.

“Syriza” na Grécia, “Podemos” na Espanha podem mudar a natureza predominantemente econômica da UE, reforçando aquela da solidariedade?

Na Grécia, é evidente, este projeto sofreu uma derrota. Na luta por outra Europa, a primeira tentativa foi erradicada. Podemos, creio, se prepara para fazer coalizões políticas; se ganhar, fará acordos governamentais de tipo clássico. A batalha não deve ser abandonada, mas uma certa ideia de Europa saiu derrotada desta fase da crise econômica.

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