Jesuíta alemão quer mais ação, transparência do Vaticano para erradicar os casos de abuso sexual na Igreja

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15 Setembro 2015

O sacerdote jesuíta alemão Klaus Mertes, quem primeiro, em ainda em 2010, divulgou a histórias envolvendo abusos sexuais sistemáticos cometidos por padres na Alemanha, disse em entrevista ao portal alemão católico “Katholisch.de” que o Vaticano não está fazendo o suficiente para acabar com os casos de abusos sexuais.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por National Catholic Reporter, 10-09-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Mertes afirmou que concorda com o bispo australiano Geoffrey Robinson, que deu o seu testemunho a esse respeito diante da Comissão Real Australiana no último dia 23 de agosto. Mertes também advertiu que esta falta de ação e transparência pode diminuir a credibilidade dos bispos reunidos na próxima Assembleia Sinodal sobre a família em outubro.

Segundo Mertes, Robinson não estava tentando, com o seu depoimento diante da Comissão Real, reabrir o assunto dos abusos e nem questionar a forma como o Vaticano lidou com eles. Robinson estava profundamente preocupado com o a possibilidade de que as questões que a Igreja enfrentou relativas ao abuso sexual infantil cometido pelo clero poderiam, novamente, encontrar um silêncio em Roma. Isso não significa depreciar esforços louváveis ​​como a criação da Comissão para a Tutela dos Menores e os muitos outros esforços que têm sido feitos no sentido de coibir abusos, disse Mertes, acrescentando: “Estas iniciativas simplesmente não são suficientes. A Igreja inteira está em jogo”.

Mertes afirmou que concordava plenamente com Robinson em que o Papa Francisco ainda não mostrou aquele tipo de liderança necessária para lidar com os abusos sexuais de crianças na Igreja, e pediu que o Vaticano se esforce um pouco mais para esclarecer os casos de abuso sexual cometidos por membros do clero. As pessoas que, naquele momento, eras as responsáveis ​​no Vaticano, hoje não são mais “credíveis”; o desejo destas mesmas pessoas por um esclarecimento é, no mínimo, “duvidoso”, completou.

“A credibilidade do Cardeal George Pell, do Cardeal Angelo Sodano e outros ficou, permanentemente, abalada. E as intenções de esclarecer os casos de abuso sexual, da parte dos que atuam na Congregação para a Doutrina da Fé – CDF (departamento responsável por isso), são, por motivos óbvios, altamente duvidosos. Se me pedirem, terei prazer em citar nomes”, disse Mertes.

Mertes afirmou que as investigações da CDF carecem de transparência.

“Quem em Roma está realmente falando com as vítimas? Quem na CDF está lidando com os relatórios das vítimas? Qual a credibilidade das pessoas responsáveis ​​pelas investigações e pelos esclarecimentos? Será que Roma irá publicar os relatórios produzidos nesse processo, alguns dos quais já estão guardados nas gavetas? Muitas vítimas – e com elas muitos fiéis – estão esperando ouvir informações. Esclarecer é o primeiro e mais fundamental ato de reconhecimento sem o qual não pode haver nem cura nem reconciliação”, disse ele.

O abuso sexual cometido por sacerdotes ainda é uma “doença que continua a se fazer presente em toda a Igreja”, Mertes enfatizou. “Independentemente do que os bispos digam sobre família, sexualidade, casamento, sexo etc., na sua próxima Assembleia Geral, a credibilidade deles está tão profundamente abalada que eles não serão ouvidos ou levados a sério, enquanto não tiverem cientes de quão abalada está a tal credibilidade”, completou. Robinson sabe os motivos que levaram a esta situação e lutou muito para evitar com que ela continuasse.

“Eu coloquei minhas esperanças em Dom Geoffrey Robinson nos últimos anos. Ele é um modelo e pessoa para mim”, disse Mertes. “Dificilmente algum outro membro da hierarquia manteve diálogos tão intensos com as vítimas de abuso sexual clerical na Igreja e quase ninguém pagou um preço tão alto como ele por falar abertamente sobre o assunto e tentar esclarecer os casos de abuso”.

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