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Por: Jonas | 14 Setembro 2015

Após o vazamento de e-mails, o prelado Héctor Vargas pediu para que não se tire “conclusões rápidas”. Celestino Aos, titular da Diocese de Copiapó, pediu para que se aprenda “a respeitar a vida particular”.

A reportagem é de L. Leiva, D. Astudillo, A. Labra e E. Ganora, publicada por La Tercera, 11-09-2015. A tradução é do Cepat.

“Não sei o que mais continuará em tudo isto, mas acredito que também há uma intencionalidade clara de se encontrar a mínima, a mínima informação para se tirar conclusões rápidas, apressadas e, além disso, condenatórias. Parece-me muito pouco sério e responsável”, comentou Héctor Vargas, bispo de Temuco e presidente do setor educação da Conferência Episcopal do Chile (Cech).

O prelado se referia à polêmica gerada em torno da publicação de algumas correspondências eletrônicas entre os cardeais Francisco Javier Errázuriz e Ricardo Ezzati, atual arcebispo de Santiago e presidente da Cech.

Nesses e-mails, fazia-se referência ao sacerdote Felipe Berríos e ao interesse do governo em nomeá-lo capelão do Palácio La Moneda, e a Juan Carlos Cruz, um dos três demandantes no julgamento civil contra a Arquidiocese de Santiago, pelo caso Karadima. Eles pedem 450 milhões de pesos.

Vargas apontou que “primeiramente é preciso ver o todo e somente então tirar algumas conclusões, mas neste momento não há razões para tirar conclusões (...), parece-me que foram seguidos os protocolos da igreja universal e chilena, com farta transparência”.

Destacou que “nisto (as correspondências) também houve orquestração. Eu acredito que em todo este assunto houve verdade, mentira, exagero, mea culpa, a Igreja de Santiago pediu perdão, tomou decisões, puniu os culpados, houve de tudo”.

O bispo de Copiapó, Celestino Aos, afirmou: “não conheço o conteúdo das correspondências, mas me parece que as conversas e o que se pode ter na vida privada são da vida privada, e se no Chile não aprendemos a respeitar a vida privada dos demais, não há convivência possível”.

Acrescentou que “a pergunta é qual é o Chile que queremos construir, um onde haja desqualificações, insultos, onde não se respeita a vida, onde não se respeita a privacidade? Ou queremos construir um Chile onde haja justiça, onde nos respeitemos, onde colaboremos e possamos confiar uns nos outros. Esse é o problema e a mensagem”.

Hugo Tagle, sacerdote do movimento de Schoenstatt, sustentou que assume “a declaração do padre Fernando Montes, de que o vazamento de correspondências privadas é um crime grave, que deve ser punido”.

Acrescentou que “aqui não há nada de secreto, são correspondências entre duas pessoas que possuem uma responsabilidade muito concreta na Igreja. É completamente compreensível que os dois cardeais tenham trocado essa informação”.

Apontou que “em relação aos efeitos, eu acredito que todas estas discussões pertencem bastante às cúpulas. Não sei se para as pessoas comuns, que tem mil outros problemas, isto seja tão importante. Aqui não há nada escondido, nada secreto, apenas a preocupação de dois pastores por sua Igreja”.

Mundo político

Do lado parlamentar, quem teve uma opinião mais crítica foi o senador DC Patricio Walker, atual presidente da Câmara Alta.

“Como católico sempre me senti muito inspirado por testemunhos como os de (os sacerdotes) Mariano Puga, Felipe Berríos e tantos outros padres comprometidos com o tema da pobreza e os direitos humanos. E, às vezes, quando escuto o cardeal (Ricardo) Ezzati, suas palavras me produzem um efeito contraproducente. Como, por exemplo, quando visitou Karadima, em 2011”.

Por outro lado, ontem, o deputado Ricardo Rincón, chefe da bancada DC, enviou um ofício à Chancelaria para que “realize as gestões necessárias para exigir, por parte do Vaticano, uma rápida resolução dos processos eclesiásticos referentes a abusos de menores cometidos por membros da Igreja, e que se informe quem são os cidadãos chilenos que possuem processos pendentes com tal jurisdição”.

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