Burawoy: sociólogo-operário explica como capitalismo e socialismo controlavam o chão da fábrica

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09 Setembro 2015

Autor de 'Marxismo Sociológico', Burawoy relata experiência em Zâmbia, Rússia, Hungria e EUA e diz que, pouco antes do colapso da URSS, proletariado perdera esperança em ideologia socialista.

O britânico Michael Burawoy é considerado um dos principais sociólogos marxistas da atualidade.

A entrevista é de Ruy Braga e Haroldo Ceravolo Sereza, publicada por Opera Mundi, 07-09-2015.

Como pesquisador acadêmico, procurou entender a reprodução de relações sociais e econômicas no contexto da produção capitalista. Para isso, buscou uma alternativa nada convencional: trabalhar como operário em fábricas de quatro países entre as décadas de 70, 80 e 90.

"Eu era pesquisador acadêmico, mas, ao mesmo tempo, trabalhava como operador de máquinas dentro da linha de produção. O meu objetivo era observar como as pessoas se relacionam entre em si, tentando entender como é ser um trabalhador em fábricas de diferentes lugares, participando de fato da vida desses trabalhadores", afirma o sociólogo, atualmente professor titular da Universidade da Califórnia.

Considerada ímpar na história da sociologia, a pesquisa investigou o cotidiano de operários dentro da linha de produção em: Zâmbia, Rússia, Hungria e Estados Unidos. Como resultado, Burawoy lançou o livro Marxismo Sociológico (Alameda, 348 pgs. R$49), que reúne os esforços do britânico em oferecer instrumentos conceituais para questões das relações de trabalho na sociedade contemporânea.

Entre as análises, ele compara as experiências como operário dentro de uma linha de produção capitalista em Chicago, EUA, e dentro da "Siderúrgicos de Lênin", uma das principais fábricas na Hungria no fim do período soviético, nos anos 1980.

Em entrevista a Opera Mundi, Burawoy explica que, a partir de suas experiências nos diversos países, pôde traçar linhas de comparação — "diferenças significativas" — entre os modos capitalista e socialista de produção. "Enquanto em Chicago a exploração era obscura, sendo que havia uma coordenação de interesses entre a gerência e os trabalhadores, na Hungria tudo era transparante. Dominação, exploração: todo mundo reconhecia o que estava acontecendo", conta.

Sobre sua experiencia na Hungria, ele diz ainda que, como o próprio Estado tinha representação dentro das fábricas, os operários soviéticos passaram a questionar as contradições do socialismo — algo que já era, segundo Burawoy, notado pelos operários na postura do Estado socialista, já em evidente fim rumo ao colapso da URSS. "Os trabalhadores também perderam interesse na ideologia do socialismo", diz o pensador.

Entre outras funções, Burawoy trabalhou em fábricas de champanhe e gomas de mascar. Ele destaca, no entanto, a experiência como operador de forno na maior fábrica de aço da Hungria na época (anos 80) como fundamental para vivenciar a perspectiva dos trabalhadores em meio a deterioração das instalações soviéticas.

”A experiência como operador de forno foi interessante, pois essa posição era icônica dentro da União Soviética e representava o poder do socialismo em transformar o mundo e a sociedade. E eu estava lá em um momento que o Estado não era mais capaz de se reformar continuamente de uma forma que pudesse conviver com a própria ideologia", conclui Burawoy, sobre sua experiência como siderúrgico.

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