A posição do Papa analisada por Católicas pelo Direito de Decidir da Argentina

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Por: Jonas | 03 Setembro 2015

“Como líder religioso é importante que o Papa se identifique com uma postura mais flexível sobre a construção do pecado e sua conexão com o aborto (...). No entanto, nestas declarações (da carta ao Presidente do Conselho Pontifício) ficam de fora aquelas mulheres que não vivem o aborto como drama, mas, ao contrário, como uma escolha, uma decisão consciente e moralmente válida, na qual puderam reconciliar suas decisões reprodutivas, seu projeto de vida com suas crenças religiosas”, destacou, em um comunicado, Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) da Argentina. Em conversa com este jornal, a diretora executiva da organização, Silvia Juliá, destacou: “É a primeira vez que a Igreja mostra certa consideração às mulheres e suas decisões no terreno de direitos sexuais e reprodutivos”. A postura que a carta de Bergoglio indica para o Jubileu, acrescentou, é “interessante” porque “mesmo que ainda não esteja totalmente claro quais serão os próximos passos no assunto, ao menos baixou o nível de estigmatização ao aborto”.

O documento de CDD destacou, além disso, que o Papa é “o líder político de uma das instituições que mais fizeram para criminalizar o aborto em nossa região e para considerar ‘criminosas’ as mulheres que voluntariamente decidem interromper uma gravidez”. “O aborto como crime é um ato de opressão e de violência que, como mulheres católicas, precisamos confrontar. Como sociedades democráticas, necessitamos de um marco plural amplo, que permita incluir o pluralismo e a liberdade de consciência necessários para abrigar a diversidade de práticas e decisões da mulheres”, continuou o texto, que também destacou: “Se o próprio Papa não condena as mulheres que abortam, por que nossos representantes religiosos se acastelam em reparos religiosos para evitar debater a imoralidade da criminalização penal que ainda subsiste em nossa legislação?”

“O que notamos é que o Vaticano mostrou uma nova face em relação à pobreza, o sistema capitalista internacional, o sistema financeiro, os movimentos sociais e também em relação à laicidade dos Estados, mas em temas de sexualidade e reprodução não houve avanços. No entanto, sim, acredito que há diferença no que o Papa escreveu”, refletiu Juliá.

A entrevista é de Soledad Vallejos, publicada por Página/12, 02-09-2015. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Mesmo que condicione o perdão a que as mulheres que abortaram se sintam culpadas por isso?

O documento não é tudo o que gostaríamos, porque consideramos que quando há uma decisão de consciência não existe o pecado. Mas, há diferença se confrontamos esta carta com as declarações dos bispos, por exemplo, os da Argentina ou de outros lugares da América Latina, onde a condenação é mais forte e suas posições são muito mais agressivas, e não possuem nenhuma consideração pelas condições que as mulheres atravessam. Na carta, o Papa, sim, reconhece que há condições em que as mulheres vivem que são complexas e que as levam a tomar estas decisões. Há uma leitura que vai um pouco para além do fato de condenar o aborto. É uma posição diferente, que os bispos não possuem, concretamente. A hierarquia católica argentina, que milita contra o direito ao aborto não punível, não reconhece absolutamente nenhuma condição pela qual a mulher possa tomar a decisão de realizar um aborto.

Em junho, a Conferência Episcopal Argentina divulgou um documento contra o Protocolo de aborto não punível do Ministério da Saúde.

É que nem o estupro, nem os motivos de saúde, nem nada, foram reconhecidos e refletidos em relação às situações vividas pelas mulheres.

A que você atribui que o Papa tenha tomado esta decisão para o ano do jubileu e não, por exemplo, de agora em diante?

Acredito que possam ser sinais que podem ir acompanhando alguns processos de mudança nestes assuntos. Também pode ser uma prova para ver como reagem as hierarquias nos países, quais respostas existem sobre isto. Não está claro, mas ao mesmo tempo é como jogar uma pedra na água, que começa a fazer as primeiras ondas para ver que respostas há. Nós não temos expectativas de mudança muito radical em temas de sexualidade e reprodução, mas tomamos como positivo qualquer avanço que possa haver. Não rejeitamos a possibilidade de que haja alguns avanços. Até mesmo porque temos algumas reflexões feitas sobre um Papa que se apresenta como progressista em muitos temas, mas quanto se pode ser progressista sem ter posições mais flexíveis em relação à sexualidade, diversidade sexual, anticonceptivos e aborto? Quanto se pode dizer sem abordar essas dimensões, que tem a ver com decisões pessoais?

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