Galantino, o bispo chamado pelo Papa para modificar a CEI

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27 Agosto 2015

“Com Galantino terminou a era Ruini”, sintetiza o historiador do cristianismo Alberto Melloni. A relação entre a Igreja italiana e a política não será mais a mesma. “A CEI de Galantino não é aquela de Ruini, é uma Conferência episcopal que expressa de maneira pública e clara instâncias de tipo geral”.

O texto é de Giacomo Galeazzi, publicado pelo sítio Vatican Insider, 20-08-2015. A tradução é de Benno Dischinger

Francisco virou páginas com respeito ao passado escolhendo o Ex-chefe da diocese calabresa de Cassano (106 mil almas e 22 países dispersos entre as costas do Iônio e os cumes do Pollino) tão semelhante a ele também no estilo sóbrio. Nada de motorista nem carro de luxo para o Presidente que giravam ao longo e ao largo pela Calábria com sua utilitária e que mal chegado havia imediatamente potenciado a Caritas. Com sua chamada a Roma abriu-se uma época de maior clareza entre as duas margens do Tibre. Uma virada. “Os partidos demoram em tomar as medidas – pontualiza Melloni – Procuram ver nas intervenções sinais codificados, ligados a este ou aquele tema e, ao invés, são cada uma exatamente a coisa que querem dizer”.

O exorcismo à política

O tumulto midiático partiu das intervenções do Secretário geral sobre a imigração. Tomadas de posição que suscitaram na Liga reações sem precedentes, com acusações fortíssimas. Segundo o titular da Cátedra UNESCO sobre o pluralismo e diretor da Fundação para as Ciências Religiosas Melloni, é como se Galantino tivesse feito um exorcismo à política. E a função do exorcismo é fazer que o mal saia, se declare urrando. Um pouco a reação da do líder da Liga Salvini. Talvez o episcopado não esteja todo na linha de Galantino, mas é ele que exprime o curso de Francisco. Sem rachas com o Vaticano.

A tentativa de ultrapassá-lo

“As palavras do secretário da CEI estão muito próximas à posição do Papa, pensemos no sermão que fez aos políticos italianos- precisa Melloni -. Ele reflete aquele tipo de comportamento, embora haja bispos que o vêm diversamente”. É isto o futuro: “Se alguém pensa de ultrapassar Galantino, deve saber que não há espaço”.

“Nas suas costas está o Papa”. Amanhã falará no encontro de Rimini. A política como “ordem suprema da caridade”, como fator indispensável, porque do contrário “se morre”. E, da outra parte, ao invés, a política que se faz “sobre a pele dos outros”, aquela do “populismo” ditada por “chefes desabusados”. Nomeado de surpresa Secretário da CEIad interim”, foi confirmado no cargo por cinco anos. É o homem ao qual o Papa confiou na Itália a mudança da Igreja. Na Calábria vivia no Seminário, porque o palácio episcopal era demasiado grande, e vazio para uma só pessoa. Não tinha secretários: ele próprio respondia ao telefone. E, quando alguém batia à porta, era ele que abria. Ai de quem o chamasse de “excelência”, após os anos passados em primeira linha em Cerignola, Pároco num dos quarteirões mais degradados da cidade. Na trincheira, cada dia, sem clamor. Roma sabia.

Quando em Cassano, o terremoto pôs de joelhos a província, plantou as tendas entre as ruinas, celebrando missa no Natal, no Ano Novo e na Páscoa, enquanto as igrejas e os locais da diocese não foram recolocados novamente a tempo de recorde, bem antes que o Estado conseguisse fazer o mesmo com os seus bens, muitos dos quais ainda hoje sem condições de uso. Já então conclamava os políticos do púlpito a reencontrar espírito de serviço e humildade. Na mensagem natalícia estigmatizava “aquele presépio enlouquecido que se tornou a política, com tantos bonecos, vestidos com diversas cores, mas quase todos empenhados em retalhar para si pequenos ou grandes espaços para sobreviver a si mesmos”. Prelúdio da revolução CEI.

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