A Igreja e as tentações do nosso tempo, segundo Severino Dianich

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31 Julho 2015

Tentações e desvios da consciência cristã, idolatria, ídolos "tipicamente eclesiásticos", mundanidade, poder... Falar sobre isso, em termos também críticos, não é ofender a Igreja, é um ato de amor à Igreja, que se deseja pura e sem mancha. Severino Dianich, teólogo, eclesiólogo, ensaísta de grande estatura, reflete sobre os ídolos da Igreja em um dos pequenos livros da coleção Lampi, feitos de poucas páginas e de pensamentos intensos (Lo scudo e la farina, de Jean-Louis Ska; La tragedia del potere, Pier Cesare Bori; Grammatica del perdono, de Gianfranco Ravasi), não escondendo as dificuldades do empreendimento e os possíveis equívocos que ele pode despertar.

A reportagem é de Francesco Pistoia, publicada no jornal Avvenire, 30-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas o seu discurso é linear, totalmente lógico e coerente, totalmente mente e coração: uma lição de história e de estilo, de método e de exegese que envolve e provoca.

Uma síntese extraordinária de questões delicadas. Muitos profetas elevaram o seu grito ardente e apaixonado, em todos os tempos, contra a riqueza, a mundanidade, o poder da Igreja. Pense-se em Dante, em Savonarola, em Francesco di Paola, em Rosmini.

Os ídolos da Igreja, escreve Dianich, "são os nossos ídolos. Deveremos ir encontrá-los do coração, nas atitudes e nas ações do indivíduo cristão, das famílias, de toda agregação chamada de cristã", com a alma voltada a redescobrir o sentido do "mandamento do único Deus, do único Senhor".

O pensamento do único Senhor inspira todo o pequeno tratado: Dianich não se abstém de assumir posições precisas sobre temas vivos e controversos. Um pequeno capítulo é dedicado à "fé sob acusação". A fé cristã acusada de idolatria sobretudo pelo Islã, que considera a adoração de Jesus um ato de idolatria; a Reforma Protestante ataca o culto de Nossa Senhora e dos santos; Hans Küng assume atitudes às vezes até inexplicáveis contra a veneração do papa.

O eclesial deve ser lido com atenção e com a intenção de aprofundar o seu sentido. Mohler falava da Igreja como "prolongamento da Encarnação" (p.17), fórmula não utilizada pelo Concílio Vaticano II, que, mesmo assim, move-se no rastro da tradição (p.18).

"A Igreja tem em si mesma a presença do Senhor e a graça da vida divina, mas ela mesma não é divina" e não se propõe como "o reino de Deus nesta Terra. "A graça de Deus que ela porta consigo não a distancia de uma uma atitude de espera" e, fiel à invocação do Pater, reza "venha o Vosso reino" (p.21), significando que o Reino não pode ser construído pelos homens, nem pela Igreja nem pela sociedade (p.22).

A convicção de que só Deus é Deus e só Ele pode nos salvar liberta a consciência eclesial da idolatria. O Vaticano II lembra que Jesus, "sendo rico, se fez pobre": e, portanto, a Igreja não pode e não deve se deixar atrair pelo poder (e aqui Dianich recorda que "ter ou não ter poder não depende necessariamente de querer ou não querer") e pelas sereias da mundanidade, mas deve se manter pronta para renunciar também a direitos legítimos e a se fazer pobre para os pobres.

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