Foco da Turquia na repressão a milícia curda dificulta combate ao Estado Islâmico

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31 Julho 2015

Nos dias que seguiram ao acordo com os Estados Unidos para combater o caos na Síria e no Iraque, a Turquia disse que tinha entrado na batalha contra os extremistas que ameaçam a segurança turca.

A reportagem é de Anne Barnard, publicada pelo jornal The New Yorl Times e reproduzida pelo portal Uol, 30-07-2015.

Os extremistas que os turcos têm em mente, contudo, não são apenas membros do Estado Islâmico. Em vez disso, como se tornou claro nesta semana, a Turquia está no mínimo igualmente focada em reprimir os militantes curdos que há muitos anos vem lutando para conter.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aumentou as tensões com militantes curdos na terça-feira (28/7) dizendo aos repórteres que era impossível seguir com o processo de paz com eles que já dura dois anos.

Enquanto falava, a Turquia, que faz parte da Otan, convocou uma reunião de cúpula de emergência da aliança, sugerindo que os separatistas curdos eram pelo menos uma ameaça tão grande para a Turquia quanto os combatentes do Estado Islâmico. Os turcos conseguiram um compromisso da Otan de combater ambos os grupos.

Os novos ataques aéreos da Turquia na semana passada contra o Estado Islâmico, também conhecido como Isis, Eiil ou Daesh, vieram ao lado de uma ofensiva igualmente intensa contra militantes curdos no Iraque -cujos afiliados sírios também estão na luta contra o Estado Islâmico.

A violência, desde então, irrompeu no sudeste da Turquia, onde os curdos são maioria.

A postura de Erdogan representa uma complicação para os Estados Unidos e outros aliados da Otan. Sob as regras da aliança, eles são obrigados a proteger a Turquia contra ameaças, e há muito que listam como organização terrorista o grupo militante curdo PKK, que travou uma longa insurgência na Turquia.

No entanto, eles não querem deixar a questão curda ofuscar a luta internacional contra o Estado Islâmico que tomou grande parte da Síria e do Iraque e vem buscando inspirar ataques em todo o mundo.

Um alto membro do governo Obama disse na terça-feira que as hostilidades entre a Turquia e o PKK tinham sido iniciadas pelo grupo insurgente curdo e que estava dentro dos direitos da Turquia bombardear alvos do PKK no Iraque.

A súbita renovação do foco da Turquia contra os curdos levantou novas questões sobre os verdadeiros motivos de Erdogan.

Entre seus críticos na Europa, alguns se perguntam se ele não está menos interessado em lutar contra o Estado Islâmico do que em suprimir os curdos.

Os oponentes de Erdogan não incluem apenas os grupos armados, mas também membros de um partido político pró-curdo na Turquia, cuja forte presença nas últimas eleições custou ao presidente sua maioria parlamentar. Na terça-feira, Erdogan parecia mirar nesta facção, o Partido Popular Democrático, ou HDP.

Ele pediu que o Parlamento turco suspendesse a imunidade dos políticos que tivessem ligações com organizações terroristas, aparentemente referindo-se ao HDP, que alguns membros do governo consideram ser o braço político do PKK.

A escalada de tensão entre a Turquia e os grupos curdos impõe uma série de ameaças ao esforço de combate ao Estado Islâmico.

Se uma violência generalizada irromper entre militantes curdos e as forças de segurança na Turquia, o governo pode ser desviado do seu recente compromisso de combater o Estado Islâmico, firmado com os Estados Unidos na semana passada.

E o conflito alcançou a aliança de combate ao Estado Islâmico na terça-feira.

No Iraque, que está lutando para recuperar grandes áreas dos militantes do Estado Islâmico, o governo chamou o ataque turco contra o PKK em território iraquiano de "uma perigosa escalada e uma ofensa à soberania iraquiana".

Os curdos iraquianos estão lutando na linha de frente contra o Estado Islâmico.

Na Síria, as tensões reforçam o risco de conflito entre a Turquia e as milícias sírias curdas que -pelo menos teoricamente- estão do mesmo lado na batalha contra o Estado Islâmico.

Elas também correm o risco de prejudicar a aliança dos Estados Unidos com essas milícias, que nos últimos meses foram os parceiros mais eficazes dos EUA em terra na Síria contra o Estado Islâmico.

Uma alta autoridade dos EUA, discutindo o planejamento operacional sob a condição de anonimato, disse no fim de semana que os ataques turcos contra o PKK estavam "complicando a relação" com as milícias curdas sírias. A autoridade disse que os Estados Unidos estavam a pressionando a Turquia para não atacar os curdos sírios.

Na terça-feira, outro alto funcionário do governo disse que os turcos tinham assegurado aos Estados Unidos que não iriam atacar as milícias curdas na Síria.

Foi o sucesso das milícias curdas sírias que em parte levou à mudança de ideia na Turquia quando fechou o acordo com os Estados Unidos.

As milícias curdas sírias têm ligações com o PKK, mas insistem que não veem a Turquia como alvo e só buscam a autonomia curda dentro da Síria.

Ainda assim, a Turquia estava desconfiada da crescente autonomia em sua fronteira sul e, segundo alguns analistas, cada vez mais invejosa do papel curdo sírio na aliança com os EUA -que estava permitindo que as milícias expandissem seu território ao longo da fronteira turca com a ajuda dos ataques aéreos norte-americanos.

Isso, junto com o primeiro assassinato em massa de civis na Turquia em um ataque do Estado Islâmico na semana passada, levou à mudança por parte da Turquia, com um acordo que permite que aviões de guerra norte-americanos utilizem duas bases turcas.

O acordo também prevê que os países cooperem para ajudar os insurgentes sírios árabes a conquistarem um segmento do norte da Síria, perto da fronteira turca.

Isso significaria expulsar o Estado Islâmico, mas também garantiria que os curdos sírios não chegariam lá primeiro. 

De acordo com altos funcionários do governo Obama, os Estados Unidos e a Turquia estão de acordo sobre quais combatentes da oposição síria terão o apoio dos ataques aéreos dos Estados Unidos e seus aliados no âmbito do novo acordo. (Com a contribuição de James Kanter, de Bruxelas, Ceylan Yeginsu, de Istambul e Michael R. Gordon e Eric Schmitt, de Washington.

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