Padre Dall'Oglio: há dois anos, o sequestro do jesuíta que se tornou a voz do diálogo inter-religioso no Oriente Médio

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30 Julho 2015

Há mais de 730 dias não se têm notícias do padre Paolo Dall'Oglio, fundador da comunidade inter-religiosa de Deir Mar Musa al-Habashio, na Síria. O jesuíta, comprometido contra o regime de Assad desde o início do conflito sírio, na noite entre 28 e 29 de julho de 2013, foi sequestrado por um grupo de milicianos armados nos arredores de Raqqa, cidade nas mãos da insurreição.

A reportagem é de Antonella Napoli, publicada no sítio L'HuffingtonPost.it, 29-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há poucos dias, o Papa Francisco o recordou desejando um "renovado compromisso das autoridades locais e internacionais" pela sua libertação, assim como dos bispos ortodoxos e das outras pessoas que, nas zonas de conflito, foram sequestradas.

O seu mosteiro de São Moisés, o Abissínio, no deserto ao norte de Damasco, era o exemplo de como a fé, nas suas diversidades, pode unir em vez de dividir. Precisamente esse foi um dos pontos centrais da audiência que, no dia 17 de julho de 2012, o padre Dall'Oglio realizou perante a Comissão de Direitos Humanos do Senado italiano, um de seus últimos discursos públicos.

As suas ideias sobre a Síria estavam em contraste tanto com as expressadas pela Igreja síria quanto pelo papa. Ele tinha criticado várias vezes a posição italiana, sem poupar a então ministra do Exterior, Emma Bonino, definida como "líder da apatia europeia, uma apatia irresponsável em relação à do povo sírio".

A partir desse elemento, ele começou a sua palestra, observando que, no âmbito da discussão sobre a crise síria, se tendia a um certo esquecimento.

O padre Paolo contou aos senadores que acorreram à audiência para ouvi-lo que ele tinha participado de uma reunião, de fato clandestina, de opositores de todas as origens culturais, ideológicas e até religiosas. Eles tinham sido reunidos por um advogado alauíta, portanto próximo do regime por tribo, ao qual o compromisso em favor dos direitos humanos tinha custado uma prisão de cerca de cinco anos.

Ao seu lado, sentava-se um idoso que tinha passado nas prisões do regime nada menos do que 23 anos. "Se tivesse sido feita a soma dos anos de prisão imposta aos participantes nesse encontro – disse ele com um sorriso amargo – se teria alcançado um século facilmente".

O padre Paolo queria enfatizar assim que o caráter autoritário do regime não era uma novidade e que as câmaras de tortura não eram uma invenção recente, mas parte da organização da vida política, social e econômica como meio sistemático para oprimir e humilhar a humanidade dos cidadãos através do poder excessivo dos serviços secretos e de segurança. Embora soubesse que continuar dirigindo acusações ao governo sírio o impediria de voltar para Deir Mar Musa al-Habashi, ele não podia ficar calado.

A repressão havia sido uma constante nos últimos 40 anos na Síria. O padre Paolo falava com dor de como o tinha decepcionado o presidente Assad, que, durante a primeira década no poder, era visto por muitos como alguém que poderia ter liderado o país, emancipando-o de uma situação de atraso que o caracterizava no plano cultural, institucional e dos direitos, para orientá-lo a um amadurecimento social e civil adequado a um Estado moderno e democrático.

Esse era o desejo e a esperança em que muitos tinham acreditado, mas, para concretizá-lo, teria sido necessário drenar o pântano das máfias criminosas, do tráfico de armas, do poder excessivo dos serviços secretos, assim como da instrumentalização dos extremismos muçulmanos teleguiados por objetivos de poder.

O jesuíta tinha traçado um quadro bem claro da situação e esperava que a comunidade internacional tivesse a mesma consciência. "Não se pode imaginar uma possível pacificação das negociações colocando no mesmo plano o regime e a resistência sírios, o carrasco e o torturado. Cometeremos um erro. Também não é possível fazer isso moralmente, embora, concretamente, a solução só possa ser pela negociação, especialmente com as forças regionais em campo, como o Irã e a Rússia", foi uma das passagens mais fortes e sentidas da audiência do padre Paolo, bem consciente de que, dentro dos movimentos de oposição a Assad, também estavam presentes posições integralistas.

Ele acreditava firmemente que a missão da comunidade internacional não era apenas pacificar a Síria, chegando a algum tipo de armistício, mas que se chegasse a esse resultado através de um processo de amadurecimento democrático. Era essa, então, a grande demanda dos sírios. E o padre Paolo, voz do diálogo, levava-a adiante com convicção.

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