Dramático apelo das comunidades afetadas pela exploração da mineração

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20 Julho 2015

"As companhias de mineração querem não só a terra, mas também a água que temos para beber e para irrigar os campos." "Estudam-se estratégias para dividir as comunidades indígenas e os movimentos sociais." "A instalação de um projeto de mineração pode significar a destruição de uma comunidade indígena inteira." "A água, pura e preciosa para a vida e para a produção de alimentos é continuamente contaminada." "Desde que a companhia de mineração se instalou no nosso território, todos os artesãos locais perderam o trabalho." Vozes que vêm da Ásia, da África, da América Latina: um grito que envolve em um único e trágico apelo o planeta inteiro.

A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 19-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Cerca de trinta representantes de comunidades afetadas por atividades de mineração se reuniram em Roma até este domingo, 19 de julho, no centro de convenções Salesianum, para o congresso "Um dia de reflexão. Unidos a Deus, ouvimos um grito", organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz.

Junto com representantes de Conferências Episcopais, congregações religiosas e redes como Cáritas, CIDSE e Iglesias y Minería, compartilham experiências e elaboram propostas que serão apresentadas aos líderes de cerca de 20 companhias de mineração que operam em várias partes do mundo, que, por sua vez, se reunirão, sempre por iniciativa do Justiça e Paz, no próximo mês de setembro.

O congresso se realiza a portas fechadas, mas alguns dos testemunhos antecipados durante a coletiva de imprensa de apresentação já dão a entender a medida da emergência que populações inteiras estão vivendo.

"As nossas comunidades – conta Patrícia Generoso Thomas, trazendo a experiência da sua cidade de Conceição do Mato Dentro, no Estado de Minas Gerais, no Brasil – tinham à disposição muita água potável, mas a atividade extrativa fez diminuir o lençol freático, sugando a água que, em parte, também é usada a serviço do processo de transformação do mineral."

Muitas famílias, por isso, foram obrigadas a deixar lugares onde viviam há gerações, e outras continuam enfrentando violentas mudanças ambientais e do seu estilo de vida.

Mas há mais. "As empresas – continua Patrícia – estão utilizando a água até mesmo para transportar o minério de ferro da mina até o porto: 2.500 metros cúbicos de água por hora, ou seja, uma quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 220 mil habitantes."

A oposição das comunidades locais a tais ocupações – muitas vezes garantidas por leis e políticos complacentes e apoiadas apenas por interesses econômicos – traz os sinais de uma dura luta cotidiana.

Juan Guillermo Peñaloza Sierra, no seu testemunho do que ele viveu na região de Atacama, no Chile, fala de "ameaças, intimidações, agressões por parte das empresas e dos seus aliados", e Prassant Kumar Paikray, do Estado indiano de Orissa, salienta que o seu compromisso para garantir paz e habitabilidade levou a "370 processos penais tentados, sob falsos pretextos, pelo governo, pela polícia e pela sociedade", a "2.500 intimações, dos quais 500 contra mulheres, a 700 pessoas na prisão e a quatro mortes".

Situações que se repetem também no Brasil. O missionário comboniano Dario Bossi relata como na região norte de Carajás a resposta do governo e das multinacionais às manifestações populares é geralmente "a criminalização e a denúncia do nosso povo. Assim, o agressor torna-se vítima".

E também quando, continua o religioso, "algumas empresas de mineração afirmam buscar o diálogo com os moradores", visando, ao contrário, "a obter a aprovação dos seus projetos em troca de poucos benefícios de curto prazo e para garantir a manutenção de uma fachada de 'boas relações'".

Daí a importância de um apoio como o que oferece a Igreja, em nível local e internacional. Juan Guillermo Peñaloza Sierra diz: "Nós apoiamos as comunidades indígenas e camponesas que, por milênios, defenderam a vida e o território, porque, como eles, compreendemos que compartilhamos uma casa comum, ou que, como nos lembra o papa, temos uma irmã em comum, a irmã Terra".

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