Papa pede ao Equador mais diálogo para a defesa dos pobres da Amazônia

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09 Julho 2015

"Sejam todos irmãos. Isso fará do Equador um grande país!", afirmara o papa nessa segunda-feira à noite, dirigindo-se à multidão logo depois do encontro com o presidente Rafael Correa. E, nessa terça-feira, depois de receber do prefeito, Mauricio Rodas, as chaves da cidade (agradecendo-o, disse: "Agora, em Quito, estou em casa!"), o Papa Francisco foi ainda mais explícito, pedindo que os representantes da sociedade civil, reunidos na Igreja de São Francisco, vissem "o oponente político ou o vizinho de casa com os mesmos olhos com que vemos os filhos, esposas, esposos, pais ou mães".

A reportagem é de Salvatore Izzo, publicada no sítio Il Sismografo, 07-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com o espírito de uma família, proferiu, é preciso enfrentar os problemas do país que, "como muitos povos latino-americanos, experimenta hoje profundas mudanças sociais e culturais, novos desafios que requerem a participação de todos os atores sociais".

Na esplêndida igreja barroca, que abriga obras de arte nas quais viu representados, confidenciou, os "abusos" sofridos pelos povos indígenas, mas também a promessa da sua "bela integração", o papa foi realmente um showman, propondo talvez o discurso mais desafiador da passagem equatoriana da visita à América Latina, pronunciado depois das cansativas megacelebrações dessa segunda-feira em Guayaquil (com mais de um milhão de fiéis, entre os quais ele circulou de jipe) e dessa terça-feira no Parque do Bicentenário de Quito (um milhão e meio de pessoas), que não parecem tê-lo cansado minimamente.

Ele começou listando com muitas lucidez os problemas que o Equador é chamado a resolver: "A migração, a concentração urbana, o consumismo, a crise da família, a falta de trabalho, os bolsões de pobreza produzem incerteza e tensões que constituem uma ameaça para a convivência social".

Depois, ele fez uma referência implícita ao caminho acidentado das reformas sociais de Correa, hostilizadas por latifundiários e industriários (2% da população), mas também pela classe média, que tem medo de pagar o preço do "salário social" e da extensão da assistência de saúde para os pobres.

"As normas e as leis, assim como os projetos da comunidade civil, devem buscar a inclusão, abrir espaços de diálogo, espaços de encontro e, assim, deixar na dolorosa recordação qualquer tipo de repressão, de controle desmedida e de desvio das liberdades", observou a esse respeito.

"A esperança de um futuro melhor – explicou – passa por oferecer oportunidades reais aos cidadãos, especialmente aos jovens, criando emprego, com um crescimento econômico que chegue a todos, e não fique nas estatísticas macroeconômicas, criar um desenvolvimento sustentável que gere um tecido social firme e bem coeso."

E há duas condições para que isso possa se realizar: substituir a "cultura da descarte" por uma "cultura da gratuidade", compreendendo até o fim que "aquilo que somos e temos nos foi confiado para pô-lo a serviço dos demais. A nossa tarefa consiste em que frutifique em obras de bem".

Uma reafirmação da "hipoteca social que pesa sobre a propriedade privada", que representa um evidente apoio ao presidente Correa, que queria financiar as reformas sociais, que são urgentes e necessárias, com novos impostos sobre os terrenos e os imóveis.

Mas a outra condição evocada por Francisco ressoa, talvez, como uma repreensão ao atual governo, ao qual o papa pede que dialogue realmente com espírito de fraternidade, seja com a oposição, seja com a Igreja, que, por sua parte, assegurou, não vai recuar na colaboração e na contribuição para a promoção dos mais fracos.

Segundo o Papa Bergoglio, de fato, "assumir que a nossa opção não é necessariamente a única legítima é um saudável exercício de humildade". "Reconhecer o bem que há nos demais, inclusive com as suas limitações – afirmou –, vemos a riqueza que está entranhada na diversidade e no valor da complementaridade. Os homens, os grupos têm direito a percorrer o seu caminho, embora isso às vezes suponha cometer erros."

"No respeito à liberdade – reiterou –, a sociedade civil está chamada a promover cada pessoa e agente social, para que possa assumir o seu papel e contribuir a partir de sua especificidade com o bem comum."

"O diálogo – afirmou – é necessário, é fundamental para chegar à verdade, que não pode ser imposta, mas buscada com sinceridade e espírito crítico."

Para o papa, "em uma democracia participativa, cada uma das forças sociais, os grupos indígenas, os afroequatorianos, as mulheres, os agrupamentos civis e aqueles que trabalham pela comunidade nos serviços públicos são protagonistas, protagonistas imprescindíveis nesse diálogo".

O outro teste para um crescimento ético do Equador, segundo Francisco, é a questão ecológica: a Amazônia, disse, é um dos lugares na Terra que "requerem um cuidado particular por causa da sua enorme importância para o ecossistema mundial, pois tem uma biodiversidade com uma grande complexidade. Mas, quando é queimada, quando é arrasada para desenvolver cultivos, em poucos anos, perdem-se inúmeras espécies, quando não se convertem em áridos desertos".

Justamente na Amazônia, portanto, "o Equador, junto com outros países com fronteiras amazônicas, tem uma oportunidade para exercer a pedagogia de uma ecologia integral".

"Nós – concluiu o papa, que no seu discurso citou amplamente a recente encíclica Laudato si' – recebemos o mundo como herança dos nossos pais, mas também recordemos que o recebemos como um empréstimo dos nossos filhos e das gerações futuras as quais temos que devolvê-lo!"

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