Evangelizar os evangélicos: por que o papa gosta de se encontrar com movimentos carismáticos

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06 Julho 2015

A participação do Papa Francisco, pelo segundo ano consecutivo, na convocação da Renovação no Espírito, do movimento carismático católico, mostra a sua atenção para os movimentos carismáticos como um meio para fomentar a caminho ecumênico. Não por acaso, a Renovação no Espírito delineou a convocação como fortemente ecumênica.

A reportagem é de Andrea Gagliarducci, publicada no sítio da Catholic News Agency, 03-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante o encontro com o Papa Francisco na Praça de São Pedro, as orações foram feitas pelos cardeais Kurt Koch e Leonardo Sandri, respectivamente, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais; o arcebispo anglicano David Moxon, que representa o arcebispo de Canterbury junto à Santa Sé; e Dom Barnaba El Soryani, bispo copta-ortodoxa, como delegado de Teodoro II, patriarca de Alexandria.

Também estiveram presentes Dom Athanasisu Matti Shaba Matoka, arcebispo siro-católico emérito de Bagdá; Sua Eminência Policarpo Eugenio Aydin, vigário da diocese siro-ortodoxa dos Países Baixos; Rev. Louie Giglio, da Passion City Church de Atlanta; Jonas Jonsoon, da Igreja Luterana da Suécia; e Giovanni Traettino, presidente da Igreja Evangélica da Reconciliação da Itália.

Essa presença variada se alinha com o compromisso do Papa Francisco com o ecumenismo. Para além do diálogo recentemente inaugurado com os ortodoxos e com as Igrejas anglicanas, o mundo evangélico é um grande desafio para o ecumenismo e talvez um dos mais importantes.

O diálogo com grupos evangélicos, especialmente pentecostais, tem sido chamado de "o quarto ecumenismo" por vários autores, incluindo o sociólogo católico Massimo Introvigne, uma autoridade internacional em seitas religiosas.

De acordo com Introvigne, o quarto ecumenismo – o das novas seitas protestantes nascidas no início do século XX – talvez seja o terreno mais fértil para o diálogo ecumênico.

As tentativas para esse diálogo têm limites: por exemplo, uma busca por representantes dos pentecostais. Embora eles componham três quartos dos protestantes em algumas partes do mundo e nada menos do que um terço de todos os cristãos, os pentecostais são muito fragmentados. A diversidade dentro do grupo apresenta dificuldades para o diálogo.

Talvez seja por isso que o Papa Francisco escolheu fomentar o diálogo especificamente com indivíduos e pequenos grupos.

No dia 28 de julho de 2014, o papa fez uma visita privada à igreja do pastor evangélico Giovanni Traettino, em Caserta. Os dois se conheceram em 2006 e mantiveram boas relações desde então.

Esse encontro ocorreu no fim de uma série de encontros que o Papa Francisco teve com líderes evangélicos em 2014.

O televangelista Joel Osteel, o pastor Tim Timmons e o reitor do Evangelical Westmont College, Gayle D. Beebe, visitaram o Papa Francisco no dia 4 de junho de 2014.

Depois, o Papa Francisco se reuniu no dia 24 de junho daquele ano com os televangelistas James Robins e Kenneth Copeland, com o bispo Anthony Palmer da Comunhão Evangélica das Igrejas Episcopais, com o casal John e Carol Arnott, de Toronto, e – dentre outros – com Geoff Tunnicliffe e Brian C . Stiller, respectivamente, secretário-geral e embaixador da Aliança Evangélica Mundial.

De acordo com o proeminente vaticanista italiano Sandro Magister, através desses encontros, o Papa Francisco está colocando em ação um amplo esforço para "ganhar o favor dos líderes mundiais daqueles movimentos 'evangélicos' e pentecostais que, especialmente na América Latina, são os concorrentes mais temíveis da Igreja Católica, da qual eles estão arrancando enormes massas de fiéis".

Encontrar-se com a convocação da Renovação no Espírito faz parte desse esforço. O próprio Papa Francisco reconheceu – durante a sua viagem de volta da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro – que ele costumava olhar para os movimentos carismáticos com suspeita e que, mais tarde, ele mudou de ideia, e agora acredita que "esse movimento faz muito bem para a Igreja em geral".

O presidente da Renovação no Espírito, Salvatore Martínez, um acadêmico de música e músico que está comprometido com o movimento desde a sua juventude, teve a ocasião de se encontrar com o Papa Francisco bem no início do pontificado, depois da missa que o papa celebrou na paróquia vaticana de Sant'Anna, no dia 17 de março de 2013, quatro dias depois da sua eleição.

Depois disso, Martínez teve uma reunião privada com o Papa Francisco em setembro de 2013, e depois o convite para a convocação anual de 2014 foi encaminhado diretamente para o papa, que aceitou, provavelmente considerando-a como uma parte do seu compromisso ecumênico.

Falando para a convocação no dia 1º de junho de 2014, o papa manifestou a esperança de que ambos os grupos carismáticos evangélico e católico, reunidos na organização International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS), compartilhassem o mesmo escritório como um sinal do ecumenismo. E eles fizeram isso.

Encontrando-se com eles no dia 31 de outubro de 2014, o papa elogiou a decisão e sublinhou que "a unidade não é uniformidade (…) não significa fazer tudo juntos, nem pensar da mesma forma, nem perder a identidade".

O Papa Francisco foi mais longe. No último dia 23 de maio, ele enviou uma mensagem de vídeo aos participantes do Dia de Diálogo e Oração organizado pela diocese de Phoenix, que reuniu católicos e pastores pentecostais evangélicos. Na mensagem, o papa lhes pediu para rezarem "juntos pela graça da unidade", aquela unidade que "está florescendo entre nós e começa pelo batismo único todos nós recebemos".

Todos esses sinais sugerem que o Papa Francisco, de fato, mudou de ideia e, começando com um ceticismo inicial, mais tarde, ele encontrou nos movimentos carismáticos um caminho privilegiado para buscar o ecumenismo.

Poderia haver outro fator de pressão no entusiasmo do papa por tais encontros – uma onda de conversões, particularmente na América Latina, onde se estima que 100 milhões de católicos se converteram ao cristianismo evangélico. Agora, parece que o Papa Francisco gostaria de evangelizar os evangélicos.

O seu ecumenismo espiritual, colocando a oração no centro e até mesmo tornando-a em um instrumento diplomático, representa o ponto de encontro mais lógico com o mundo protestante.

Participar de um grande evento carismático católico poderia ser a ponte de que o papa precisa para alcançar o seu objetivo final: transformar os evangélicos de rivais em aliados e impulsionar os esforços ecumênicos.

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