''Para mudar tudo, precisamos de todos'', defende Naomi Klein no Vaticano

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02 Julho 2015

"Para mudar tudo, precisamos de todos." Esse é o slogan que Naomi Klein, escritora e ativista de fama mundial sobre os da globalização econômica e das mudanças climáticas, repetiu na Sala de Imprensa da Santa Sé, durante a coletiva de imprensa de apresentação da conferência: "As pessoas e o planeta em primeiro lugar: o imperativo de mudar de rota".

A reportagem é de Francesco Peloso, publicada no sítio Vatican Insider, 01-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O evento, que será realizado no Augustinianum, em Roma, no dias 2 e 3 de julho, nasceu para dar impulso e fôlego internacional aos temas abordados pelo Papa Francisco na encíclica Laudato si'.

A iniciativa foi promovida pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz e pela CIDSE (a Rede Internacional de ONGs Católicas pelo Desenvolvimento, na sigla em inglês). Dela, participarão diversas personalidade além da própria Klein.

Estão previstos discursos, dentre outros, do secretário de Estado, Pietro Parolin, e da responsável pelas questões relacionadas com as mudanças climáticas das Nações Unidas, Mary Robinson.

Na apresentação do evento no Vaticano, também estavam presentes o professor Ottmar Edenhofer, presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), Bern Nielles, chefe da CIDSE, e Flaminia Giovannelli, pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, além do padre Federico Lombardi.

Havia muita expectativa, como explicou o próprio porta-voz da Santa Sé, pela participação de Naomi Klein – autora do best-seller Sem Logo e, mais recentemente, do livro Una rivoluzione ci salverà [Uma revolução nos salvará] – envolvida, como foi lembrado, em uma ação de promoção da encíclica junto à opinião pública e de ampliação dos interlocutores e dos aliados possíveis por parte da Santa Sé sobre as questões das mudanças climáticas, dos problemas relacionados com a pobreza e a poluição, da necessidade de uma ação incisiva em favor da preservação do planeta, também em vista da próxima Conferência Mundial do Clima, em Paris, que será realizada em dezembro de 2015.

Naomi Klein disse se sentir "honrada" com o convite recebido pelo Vaticano, falou da urgência de construir alianças amplas e inéditas, que envolvam pessoas e culturas diferentes, e citou o slogan assumido por uma grande manifestação sobre os riscos das mudanças climáticas, realizada em setembro passado em Nova York, ou seja, "para mudar tudo, precisamos de todos".

"O Papa Francisco – disse a ativista de origem canadense – escreveu que a Laudato si' não é dirigida apenas para o mundo católico, mas para 'cada pessoa que habita este planeta'. E eu posso dizer que, como feminista judia secular, fiquei bastante surpresa ao ser convidada para o Vaticano."

Embora conhecesse e apreciasse os diversos discursos do papa sobre o tema, "a encíclica – observou – foi uma surpresa pela coragem e pela temeridade que contém, em um momento em que os políticos não mostram muita coragem. Há uma verdade poderosa no texto. Fiquei chocada com isso e também pela poesia, a liricidade que expressa. A encíclica fala ao coração das pessoas".

A Laudato si', repetiu várias vezes Naomi Klein, deve ser lida não se limitando a qualquer síntese ou resumo. A interligação entre as várias questões do nosso tempo – acrescentou – é a mensagem que está no cerne do texto. Por isso, "um novo tipo de movimento climático está emergindo rapidamente. Ele se baseia na verdade mais corajosa expressada na encíclica: que o nosso atual sistema econômico está alimentando a crise climática e ativamente nos impedindo de tomar as ações necessárias para impedir isso".

Cresceu um novo tipo de consciência, afirmou Klein, que liga a questão climática às questões da igualdade social. Desse tipo de abordagem, nascem alianças surpreendentes que podem ver do mesmo lado movimentos sindicais e grupos indígenas, e a "minha própria presença" no Vaticano é sinal disso.

"Não somos Deus", embora as descobertas dos últimos séculos nos fizeram crer nisso, reiterou ainda a escritora canadense, "não somos os donos do mundo e estamos desencadeando forças maiores do que nós".

Por sua vez, o professor Ottmar Edenhofer sublinhou que é redutivo considerar a encíclica do papa apenas como dedicada ao ambiente. O texto – segundo o estudioso católico – fala das desigualdades produzidas pelas mudanças climáticas. Estas "afetam particularmente as populações mais pobres".

A capacidade da Terra, observou, foi muito estressada pelas classes altas e médias que a habitam, e as consequências recaem sobre os mais pobres. Pela primeira vez na história, continuou, "faz-se referência à atmosfera como um bem comum de toda a humanidade" e, por isso, ela deve ser utilizada segundo critérios de justiça, levando em consideração que ela é um direito humano fundamental.

Bernd Nilles explicou que o mundo católico está se mobilizando em vista da conferência do clima em Paris. Naqueles dias, de fato, não haverá apenas a negociação entre os governos de todo o mundo na capital francesa, mas também um florescer de iniciativas, uma mobilização, para que sejam alcançados resultados concretos. "Haverá uma espécie de peregrinação de pessoas de todas as fés, e nós queremos testemunhar o empenho da Igreja Católica nesse sentido."

Flaminia Giovanelli, subsecretária do Pontifício Conselho Justiça e Paz – que leu o discurso do cardeal Peter Turkson, ausente na coletiva de imprensa, mas que falará na conferência –, respondendo aos jornalistas, disse que poderia haver uma iniciativa do papa com outros líderes religiosos sobre a questão ambiental e as suas consequências sociais.

Todos os oradores, por fim, destacaram o apoio ecumênico que está acompanhando a encíclica do papa.

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