“Espero que todos os líderes do mundo reflitam sobre o apelo do Papa para cuidar da nossa casa comum”, diz Obama

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Por: André | 22 Junho 2015

A “encíclica verde” do Papa Francisco provocou uma infinidade de reações entre os principais líderes políticos. A denúncia da degradação ambiental e dos efeitos da mudança climática, e a necessidade de uma “conversão ecológica” que se faz na Laudato Si’ são bem-vindas por governos de todo o mundo. Embora nem todos tenham sido elogiosos.

A reportagem está publicada por Religión Digital, 19-06-2015. A tradução é de André Langer.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostrou-se esperançoso em que os líderes mundiais considerem o apelo do Papa Francisco para agir imediatamente para combater a mudança climática, antes das reuniões das Nações Unidas sobre o tema, a realizar-se em dezembro próximo em Paris.

No documento de ensinamento, o Papa criticou as legislações internacionais por não adotarem políticas efetivas e de longo prazo que protejam o ambiente e ajudem àqueles que sofrem as piores consequências do aquecimento global.

“Temos a enorme responsabilidade de proteger os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos do impacto prejudicial da mudança climática. Creio que os Estados Unidos devem liderar esses esforços”, disse Obama em um comunicado.

Embora o presidente tenha tomado medidas para atender ao tema durante o seu governo, seus esforços encontraram a oposição dos legisladores republicanos no Congresso. Francisco fará sua primeira viagem aos Estados Unidos em setembro, começando por Washington, onde se reunirá com Obama e falará em uma sessão conjunta do Congresso.

“Enquanto nos preparamos para as negociações sobre o aquecimento global de Paris, em dezembro, espero que todos os líderes do mundo – e todos os filhos de Deus – reflitam sobre o apelo do Papa Francisco a unir-se para cuidar da nossa casa comum”, comentou Obama.

Como anfitrião da Cúpula do Clima de dezembro próximo, o presidente francês François Hollande disse que espera que a “voz particular” do Papa seja “ouvida em todos os continentes, ultrapassando o âmbito dos crentes”.

O Banco Mundial, por sua vez, disse que a encíclica do Papa é um “lembrete austero” do vínculo entre a mudança climática e a pobreza. O presidente do banco, Jom Yong Kim, disse que os impactos da mudança climática, “incluindo a crescente frequência de eventos meteorológicos extremos, são os mais devastadores para um número inaceitavelmente alto de pessoas que vivem hoje na extrema pobreza”.

Por outro lado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, defendeu que em seu país não são “capitalistas nem depredadores” e avaliou o documento pontifício como um dos “mais importantes que foram publicados nas últimas décadas”, com um conteúdo “profundamente humanista, cristão”.

Juan Manuel Santos garantiu que os colombianos serão “soldados dessa causa” para proteger o meio ambiente, e disse que seu país acolhe com entusiasmo o apelo do Sumo Pontífice. As políticas contra o meio ambiente afetam “sobretudo os mais pobres, os mais vulneráveis”, acrescentou Santos.

O Governo boliviano elogiou a “avançada e revolucionária” encíclica do Papa Francisco sobre o aquecimento global, ao considerar que coincide com várias de suas políticas e posturas sobre o cuidado da “mãe Terra”.

“São conceitos muito importantes, creio que são conceitos revolucionários e não por nada, deve ser por alguma razão, a direita conservadora internacional arremeteu agora (e) falam de um papa marxista”, disse o vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Alfredo Rada, segundo a agência pública ABI.

Rada ressaltou que na encíclica papal há conceitos importantes, como a “dívida ecológica” que os países do Norte têm com os do Sul, porque são os que mais poluem e depredam a natureza.

Quem também anunciou uma campanha, mas contra a encíclica, foi o Instituto Heartland, um grupo conservador cético da mudança climática. “O Papa está colocando sua autoridade moral atrás da radical agenda ambiental da ONU e o está fazendo depois de dizer apenas uma parte da história do clima”, disse Jim Lakely, porta-voz do instituto. O Heartland entrará em contato com “centenas de milhares de católicos” dos Estados Unidos para manifestar sua oposição à mensagem do Papa e “mostrar-lhes a verdade sobre a mudança climática”, acrescentou Lakely.

Apesar de se ter convertido ao catolicismo há 25 anos, o ex-governador da Flórida e possível candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Jeb Bush, também se alinhou com a denominada corrente negacionista da mudança climática. “Não deixarei que meus bispos, meus cardeais ou meu Papa me ditem a política econômica”, disse, em clara referência às implicações econômicas que podem ter medidas contra a mudança climática, como a redução das emissões de gases de efeito estufa.

“Não quero parecer desrespeitoso, mas não o considero um especialista em assuntos ambientais”, disse o representante republicano Joe Barton, membro do painel de Energia e Comércio.

O presidente da câmara baixa, o republicano John Boehner, católico que convidou o pontífice para falar no Congresso este ano, disse que o papa não teme expressar opiniões controversas em vários temas. “Eu respeito seu direito de falar sobre esses assuntos importantes”, disse Boehner, mas objetou quando lhe foi perguntado se as opiniões do papa – publicadas em uma encíclica na quinta-feira – pudessem estimular a ação legislativa pelos republicanos.

“Há muitas proposta de lei no Congresso. Não estou seguro em que parte do processo essas propostas pudessem estar”, disse Boehner.

Na Polônia, um dos países europeus onde o catolicismo tem mais peso, mas que conta com o carvão como principal fonte energética para a produção de eletricidade, setores conservadores questionaram a encíclica “ecologista” do Papa Francisco. “Não podemos deixar de extrair carvão, fechar as nossas minas ou as plantas de eletricidade que usam este mineral”, disse o deputado Andrzej Jaworski, cujo partido – o nacionalista-conservador Lei e Justiça – se considera protetor dos valores católicos na Polônia.

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