“Fora da ciência médica os nomes dos criminosos nazistas”

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10 Junho 2015

Quem se submete à fecundação usa frequentemente o “teste de Clauberg” para mensurar a ação da progesterona. Pena que Carl Clauberg, ginecologista em Königsberg, realizou sobre as internadas nos Lager o tratamento contra a esterilidade feminina. São dezenas de patologias que levam denominações atribuídas por médicos nazistas. Para os tribunais são criminosos de guerra, para a comunidade científica não.

O texto é de Giacomo Galeazzi, publicado pelo sítio Vatican Insider, 08-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

A campanha mundial para mudar o nome a estas doenças parte hoje de Roma com um simpósio organizado pela Universidade La Sapienza pela comunidade hebraica. Uma virada epocal. Entre os relatores o reitor Eugenio Gaudio, o rabino chefe e médico Riccardo Di Segni, Cesare Efrati (Hospital israelita). “Serve um acordo internacional para cancelar os nomes: um gesto de alto valor ético – esclarece Di Segni -. Eu mesmo estudei doenças por décadas sem saber que se referiam a criminosos nazistas”.

Gilberto Corbellini, professor de História da Medicina, ilustrará a proposta de efetuar uma bonificação ética da nomenclatura médica, cancelando os epônimos usados para denotar algumas doenças que recordam médicos que aderiram ao nazismo, maculando-se com graves crimes. “Como nos casos de Julius Hallervorden e Hugo Spatz, neuropatologista o primeiro e psiquiatra o segundo, que juntos dão o nome a um síndrome neuro-degenerativo, mas que haviam explantado e estudado os cérebros de centenas de crianças, adolescentes e doentes mentais mortos no âmbito do projeto nazista que desde 1939 prescrevia a eutanásia para os indivíduos considerados não dignos de viver”, evidencia Corbellini.

Criminosos e luminares como Hans Reiter. Os pacientes afetados por Espondilose sofrem de “síndrome de Reiter”, isto é, de uma inflamação dos tecidos conectivos desencadeada por infecções bacterianas. Durante a segunda guerra mundial, o regime nazista e o exército alemão efetuaram centenas de práticas de “experimentação humana”, usando e constrangendo como cobaias os deportados em diversos campos de concentração. Tais experimentos foram considerados cruéis, e por isso médicos e oficiais envolvidos foram condenados por crimes contra a humanidade em processos históricos como aquele de Nuremberg.

Os fins declarados eram, em muitos casos, verificar a resistência humana em condições extremas ou experimentar vacinas, mas com frequência os objetivos não foram reconduzíveis a não ser à perversão do pessoal médico. Um inferno. Experimentos com fins militares (descompressão para a salvação de grande altura ou congelamento-resfriamento prolongado); em caráter científico (esterilização, exposição a raios x, castração cirúrgica) e pesquisas para a preservação genética da raça (experimentações sobre gêmeos monozigotas ou cura hormonal da homossexualidade). Muitos destes procedimentos eram realizados não só sem o consentimento da “cobaia”, mas até contra a sua vontade e muitos levavam a morte certa ou dores atrozes. O deixavam, se o prisioneiro sobrevivia, deficiências e danos permanentes. “É incrível a crueldade e a desumanidade dos executores, mas é ainda pior o fato que muitos deles eram médicos e cientistas de clara fama e elevado profissionalismo”, observa Efrati.

Malgrado os crimes e as barbáries de que se macularam e o fato de que muitos deles foram processados e considerados culpados, ainda hoje algumas de suas pesquisas e de seus dados são usados como material para pesquisas atuais (como as técnicas de congelamento empregadas por universidades americanas), ou como métodos ainda difundidos na prática clínica. Malgrado o horror. “A nomenclatura médica celebra médicos nazistas como Hans Eppiner, Murado Jussuf Bei Ibrahim, Eduard Pernkof, Hans Joachim Scherer, Walter Stoeckel e Friedrich Wegener", sublinha Corbellini. "Além de propagandistas da eugenia racional e da eutanásia para os retardados mentais: Eugene Charles Apert, Wilhelm His jr., Robert Foster Kennedy e Madge Thurlow Macklin”.

De Roma parte a iniciativa para a limpeza moral, também a favor das jovens gerações de médicos que estão se formando sem sequer recordar os crimes cometidos no passado por alguns colegas deles ligados ao nazismo e ao fascismo. Nomes que evocam tragédias e que permaneceram em uso pela inércia do hábito ou as resistências nacionalistas.

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