Mahmud Abbas, “anjo da paz” ou não?

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Por: André | 20 Mai 2015

Desde o sábado passado, a polêmica está no ar. O Papa Francisco realmente disse ao presidente palestino Mahmud Abbas que ele era “um anjo da paz”? Como se pode imaginar, esta curta frase, difundida pela imprensa logo após o encontro entre os dois líderes no Vaticano, irritou Israel. Fazem-se necessárias algumas explicações sobre os bastidores deste assunto.

A reportagem é de Antoine-Marie Izoard e publicada por Imedia, 19-05-2015. A tradução é de André Langer.

O que aconteceu? Como acontece todas as vezes nesse tipo de encontro, dois jornalistas credenciados na Sala de Imprensa da Santa Sé participaram do aperto de mão entre o Papa e Mahmud Abbas, no segundo andar do Palácio Apostólico, e da troca de presentes entre os dois, às vésperas da canonização de duas religiosas palestinas. Foi nesta troca de presentes que o Papa Francisco, como faz com frequência, deu ao presidente palestino uma medalha cunhada com um anjo da paz. De acordo com o que foi ouvido e depois divulgado por nossos dois (sérios) colegas que participaram desta troca de presentes, o papa teria dito em italiano a Mahmud Abbas que esta medalha representava “o anjo da paz que destrói o espírito mau da guerra”. E depois teria acrescentado: “Eu pensei em você, porque você é um anjo da paz”.

Na Sala de Imprensa da Santa Sé, os poucos jornalistas presentes ao encontro (incluindo este que vos escreve) perguntaram muitas vezes aos dois colegas se eles estavam bem certos do que tinham ouvido. Nós relatamos, assim, as palavras do papa. Logicamente, tudo devia ficar nisso.

Mais céticos, alguns colegas (alguns dos quais não participaram desta conversa) preferiram relatar da seguinte maneira as palavras do papa: “Eu pensei em você, para que possa ser um anjo da paz”. E a dúvida estava semeada.

Não demorou muito, com toda lógica, para que se desatasse a polêmica. Os meios de comunicação foram acusados de terem modificado e instrumentalizado o papa. A assinatura de um acordo entre o Vaticano e o Estado da Palestina três dias antes, e as imagens de uma Praça São Pedro onde ondulavam inúmeras bandeiras palestinas no dia seguinte, não ajudaram.

O diretor da Sala de Imprensa, no dia seguinte, assegurou àqueles que o interpelavam que o papa queria encorajar os esforços de Mahmud Abbas pela paz, pedindo-lhe para agir à maneira do anjo da paz gravado na medalha. “O sentido do encorajamento me parece claro”, insistiu o Pe. Federico Lombardi para acalmar as coisas. “Eu estive presente na audiência, precisou o porta-voz do Vaticano, mas eu não ouvi as palavras exatas do papa, porque eles estavam falando de maneira familiar e perto um do outro”.

Muito barulho para nada... Com efeito, agora aparece corretamente, graças às imagens registradas pelo Centro Televisivo do Vaticano, o que o papa afirmou: “Eu pensei em você, porque você é um pouco um anjo da paz”. Este não é um desejo, mas uma constatação, apesar de tudo “um pouco” menos radical.

Polêmica demais, com certeza. Porque em Belém, no dia 25 de maio de 2014, o Papa Francisco disse publicamente a Mahmud Abbas: “Senhor Presidente, você é conhecido como um homem de paz e um pacificador”. E no dia seguinte, a Shimon Peres, também afirmou: “Senhor Presidente, você é conhecido como um homem de paz e um pacificador”.

Fim da polêmica?

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