Padres casados ​​não seriam uma 'surpresa' para o arcebispo de Chicago

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10 Maio 2015

A possibilidade de ​​padres católicos casados foi parte de uma conversa franca e reveladora com Dom Blase Cupich, de Chicago, nos Estados Unidos. O arcebispo revela, em uma entrevista, que isso não iria surpreendê-lo.

A reportagem é de Jay Levine, publicada no sítio da rede de televisão CBS Chicago, 05-05-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

O arcebispo lembrou que o Papa Francisco já disse às conferências episcopais de todo o mundo para considerar esse assunto e apresentar um relatório.

"Eu acho que o que o papa estava dizendo é que ele quer ter certeza de que não importa o que você faça desde que isso crie unidade dentro de suas próprias Igrejas, de seu próprio país", disse Cupich. "Não há nenhuma razão para tomar qualquer decisão que vá dividir a Igreja. A primeira marca da Igreja é a unidade e eu acho que é por isso que o papa disse: 'Vocês todos precisam se reunir primeiro e falar a respeito para ver qual o impacto que isso terá sobre sua Igreja, seja positivo ou negativo".

Quando perguntado se ele acredita que verá padres casados em sua vida, Cupich disse: "As previsões são difíceis de fazer, mas eu diria que considerando a forma como o Espírito Santo trabalha na Igreja, eu não me surpreenderia com nada".

Assuntos como os católicos de rito oriental da Europa e membros de outras denominações que já eram casados antes ​​de serem ordenados, entre outros, foram apenas uma parte de uma conversa que incluiu o papel crescente das mulheres e a inclusão de mais líderes leigos em geral, como parte de sua equipe de gestão.

O arcebispo prometeu ampliar a liderança da Igreja para além dos homens de colarinho clerical, começando com a nomeação de Betsy Bohlen como a "chefe de operações" da arquidiocese.

Quando lhe foi perguntado se sua nomeação é simbólica, ao mesmo tempo que também substantiva, Cupich disse: "Eu imagino que é simbólica no sentido de que eu dei uma palestra na última semana e quando eu mencionei isso, as mulheres se levantaram e aplaudiram. Isso é significativo".

Cupich disse que não acredita que haja qualquer contradição entre ter uma mulher no papel de líder da arquidiocese e o fato das mulheres não poderem ser sacerdotes.

"Nós podemos abordar toda a questão de separar o sacramento da ordem do poder ou da autoridade, que eu acho que tem sido associada por muito tempo ao estado clerical".

Entre seus primeiros desafios é lidar com o caso do padre Brenden Curran, removido na semana passada depois de alegações de uma relação sexual imprópria com uma mulher. Embora ter dito que ele poderia estar de volta a uma paróquia algum dia.

"Somos uma comunidade que perdoa e eu sei que há pessoas que foram reabilitadas e que se fortaleceram como sacerdotes depois de algum tipo de falha pública ou moral".

Cupich disse que a tolerância não é extensível aos que abusam de menores, "porque eu acho que você passa dos limites quando viola uma criança, quando você fere uma criança".

O arcebispo está muito preocupado com as escolas católicas e como as pessoas podem ter as condições financeiras de frequentá-las.

Sobre os créditos fiscais para as escolas privadas, Cupich disse: "Eu acho que isso teria que ser feito de tal forma que fosse dado algum benefício para as famílias de baixa renda".

O arcebispo disse que teve conversas cordiais com o governador do Estado e com os líderes legislativos.

Cupich disse que sente a falta do falecido cardeal Francis George todos os dias e que o cardeal era a "memória institucional" da arquidiocese, mas, ao mesmo tempo, não está perdendo tempo e colocando uma nova equipe de gestão em vigor, evangelizando de novas maneiras.

Uma maneira que o distingue de seus antecessores é que, quando abordado na rua, ele está disposto a posar para um "selfie".

Ele diz que os pedidos começaram quase que imediatamente, pouco depois de sua chegada à cidade de Chicago, especialmente com as crianças quando ele vai assistir jogos de basquete nas escolas. Mas disse que é abordado por pessoas de todas as idades quando vai e volta do trabalho, no ônibus e no 'L' [como é conhecido o sistema de trens de Chicago].

Sim, Cupich foi mais além do seu GPS e afirmou que gosta do sistema de transporte público de Chicago, especialmente porque mora na residência da Catedral Holy Name, imediatamente adjacente da Linha Vermelha de Chicago. O seu trabalho localiza-se no Centro Archbishop Quigley, antigo Seminário Quigley, a duas quadras da catedral, e Cupich diz fazer esse trajeto à pé diariamente.

Ele disse que quando sua programação permite, gosta de dirigir ele mesmo pela cidade porque cada viagem o faz conhecer um pouco mais dos condados de Cook e Lake. Se o dia for agitado - e há muitos deles, assim como acontecia com o cardeal George - ele prefere usar um motorista.

Suas viagens até agora o levaram a conhecer cerca de 35 das 350 paróquias católicas dos condados de Cook e Lake. Os membros da equipe registram constantes pedidos de sua presença em vários eventos, de batismos a enterros, crismas e primeiras comunhões e todos os tipos de festas paroquiais. Ele diz que seu objetivo é chegar a todas as 350 em breve.

Ele também está aproximando-se dos líderes de outras religiões na área de Chicago, algo que fez antes, durante e depois da morte do cardeal George.

"Eu quero criar parcerias com os outros desta cidade para realmente ser solidário com eles", referindo-se aos não-católicos. "Nós queremos ter orgulho desta cidade e temos todas as razões para isso".

Na semana passada, Cupich criou um Conselho Hispânico para atender os 42% de católicos presentes nos condados de Cook e Lake que são de língua espanhola. Ele diz que vai fazer o mesmo para outras etnias nos próximos meses, incluindo os católicos de língua polaca.

Um padre que aparentemente não vai a lugar algum é o reverendo Michael Pfleger, que no passado conseguiu evitar ser transferido da paróquia de Santa Sabina, localizada nos subúrbios de Chicago. O padre, conhecido por sua franqueza e ativismo social, é pároco de Santa Sabina desde 1980. Normalmente, os sacerdotes têm suas atribuições alteradas a cada seis a 12 anos.

Os dois já conversaram longamente, e Cupich tem em grande estima o padre Pfleger.

"Ele realmente é um padre amoroso, que se preocupa profundamente com seu povo. Ele trabalha duro todos os dias em nome de pessoas que muitas vezes seriam negligenciadas ou deixadas às margens", diz Cupich. "Eu acho que é importante ter em mente que é muito admirável a maneira como ele se sacrifica, e muitas pessoas reconhecem isso dia após dia".

Ele disse que suas discussões com Pfleger "foram sempre cordiais" e diz que toda vez que fala com ele, tenho "aprendido alguma coisa".

Quando perguntado se isso significava que Pfleger vai continuar no seu posto até sua aposentadoria, Cupich afirmou que o escritório que supervisiona a atribuição dos sacerdotes em toda a arquidiocese faz uma atualização da situação constantemente, mas disse: "O padre Pfleger continua a fazer um bom trabalho e tenho certeza de que o escritório está tomando nota disso".

Questionado sobre os comentários recentes sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, ele disse que a posição da Igreja Católica "não é contra ninguém, mas a favor". Ele disse que o casamento é mais do que um compromisso entre duas pessoas, e também envolve trazer filhos ao mundo.

"Nós pensamos que isso merece o apoio da lei", diz ele.

Cupich diz que acredita que a Igreja Católica em Chicago está se recuperando bem do escândalo de abuso sexual, observando que a idade média dos casos que estão sendo descobertos é de mais de 37 anos atrás, e disse que continua a ver Chicago como o "padrão de ouro" sobre como esses casos devem ser tratados.

"Além de termos um programa de ambiente seguro que protege as crianças, através de nossas checagens de antecedentes e tudo o mais que fazemos para a segurança das crianças, estamos em uma posição que nos dá a certeza de que as crianças estão seguras, muito seguras, em nossas comunidades", disse ele.

Ativistas têm manifestado a preocupação de que as políticas de "tolerância zero" criadas na época do cardeal George não estão sendo cumpridas rigorosamente.

Cupich começa seu trabalho em Chicago com 66 anos de idade, um início tardio para quem recebe uma missão de carreira. Ele diz que basta olhar para o Papa Francisco.

"Em comparação, eu sou apenas uma criança", disse Cupich. O papa assumiu quando tinha 78 anos. Talvez ele seja o único que poderia dar alguns conselhos sobre isso. Ele parece ter bastante energia".

Ele disse que as pessoas estão trabalhando mais hoje do que nas últimas gerações, e disse que isso as mantêm "muito vivas e em forma".

Ele disse que o segredo é desfrutar de seu trabalho, e Cupich diz que faz isso.

Como arcebispo, Cupich tem uma classificação inferior a do falecido cardeal George e não está entre o grupo de elite dos "príncipes da Igreja" que elegem os papas. Ele não parece ter qualquer pressa para dar o próximo passo e ter o título de cardeal.

Ele disse que era surpreendente ver o Papa Francisco nomear cardeais em Tongo e no Haiti, sem elevar arcebispos de algumas grandes arquidioceses que tradicionalmente têm sido lideradas por cardeais. Isso também não parece perturbá-lo.

"Eu aprecio acordar a cada dia como arcebispo de Chicago e isso realmente é o que me motiva a fazer o meu trabalho da melhor forma possível", disse ele. "Estou satisfeito com isso".

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