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Por: André | 05 Maio 2015

O giro da política externa do governo de Tabaré Vázquez em relação à de José Mujica vai tomando consistência. O afastamento da Venezuela, acompanhado de uma aproximação com os Estados Unidos e a ideia de um regionalismo aberto em detrimento da integração regional, marcam as primeiras diferenças entre as lideranças da coalizão de centro-esquerda uruguaia Frente Ampla.

A reportagem é de Mercedes López San Miguel e publicada por Página/12, 03-05-2015. A tradução é de André Langer.

O chanceler Rodolfo Nin Novoa, um centrista com origem no Partido Nacional, disse recentemente que estava preocupado com a situação das prisões venezuelanas após ler o último relatório da Anistia Internacional, no qual foram denunciadas mortes de manifestantes com tiros de policiais ou grupos pró-governamentais e torturas de presos. Nin Novoa assinalou que o Uruguai estava muito preocupado, sobretudo “para um país que viveu as mesmas condições que parte dos venezuelanos está vivendo agora há mais de 30 anos, (quando) tivemos que sair ao mundo para pedir ajuda”. Desse modo, o ex-vice-presidente do primeiro governo de Tabaré fez alusão às violações dos direitos humanos durante a ditadura uruguaia, executora de um plano sistemático de terrorismo de Estado, com sequestros, torturas e desaparecimentos, em coordenação com outras ditaduras do Cone Sul.

Em 2010, quando a Frente Ampla votou no Congresso uma lei que na prática anulava a Lei de Caducidade ou anistia, o então senador Nin Novoa opôs-se, alegando que a sociedade já se havia manifestado em dois plebiscitos (em 1989 e 2009, que mantiveram a impunidade). Sem pruridos, o atual chanceler mostrou dissidência em relação ao compromisso alcançado pela bancada da situação em resposta ao reclamo da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

As declarações do ministro de Relações Exteriores prévias à realização da última Cúpula das Américas se somaram às do vice-presidente Raúl Sendic no começo de março, quando disse que “é preciso estar atento” à situação de violência que vive a Venezuela. O filho do emblemático fundador dos Tupamaros indicou que mesmo que o governo venezuelano fale de “ingerências externas, nós não temos elementos para acompanhar essa afirmação”. O presidente Nicolás Maduro denunciou uma tentativa de golpe de setores da oposição venezuelana com o apoio dos Estados Unidos e mostrou supostas provas aos países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), entre eles o Uruguai.

As palavras de Sendic quase coincidiram com o decreto de Obama de 09 de março, que declarou Caracas uma “ameaça” para a segurança nacional e puniu sete funcionários desse país.

A postura do governo de Tabaré mais próxima a Washington não deveria surpreender a próprios nem estranhos. Em 2005, o governo uruguaio presidido por ele paquerou um tratado de livre comércio com o país do Norte, mas o assunto não prosperou devido ao alvoroço que provocou na Frente Ampla e nos sócios do Mercosul.

No discurso oficial de hoje desapareceram alguns tópicos, assinalou o semanário uruguaio Brecha. “Por exemplo, a ideia de Pátria Grande e a convicção de que o país integra um eixo progressista junto com a Bolívia, Venezuela, Equador, Brasil e Argentina”. Ou como disse o ex-chanceler Almagro, em março de 2014, na Venezuela: “A integração é a substância do que podemos ser como latino-americanos ou do que nunca seremos”.

Ao contrário, surge uma nova concepção de que para relacionar-se com os países poderosos, especialmente os Estados Unidos e a Europa, não é necessário conversar bloco a bloco.

Atualmente, o pequeno Uruguai negocia sua participação no Tratado de Comércio de Serviços (TISA, por suas iniciais em inglês), integrado por 24 países, inclusive os Estados Unidos, que promove a liberalização do mercado de serviços, tais como: bancos ou o transporte. Na quinta-feira passada, a central sindical PIT-CNT manifestou sua oposição e recusa à assinatura do acordo através de uma greve.

A partir de tudo isso, se poderia pensar que a participação do Uruguai na política externa terá um aspecto mais comercial e pragmático e menos latino-americanista. Nada para se estranhar muito se vier de um presidente que chegou a pedir a George W. Bush que estivesse atento a uma eventual guerra com a Argentina, por conta do conflito envolvendo uma fábrica de celulose às margens do Rio Uruguai.

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