Cardeal Tagle, das Filipinas, deve assumir cargo global

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05 Mai 2015

Sem dúvida, o Cardeal Luis Antonio Tagle, de Manila, Filipinas, representante mais destacado da Igreja Católica na Ásia, está prestes a assumir um cargo internacional. Em apenas duas semanas, o religioso que muitos veem como um possível futuro papa deverá ser o novo presidente da Caritas Internationalis.

A reportagem é de Robert Mickens, publicada na revista Commonweal, 29-04-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Delegados da confederação composta por 164 participantes estarão em Roma, entre os dias 12 e 17 de maio, para realizar a sua 20ª Assembleia Geral. Espera-se que aí seja escolhido o carismático filipino de 57 anos de idade para suceder o cardeal hondurenho Óscar Rodríguez Maradiaga.

O salesiano de 71 anos, coordenador do Conselho dos Cardeais, do Papa Francisco, está saindo do cargo após oitos anos intensos como presidente da organização. Ele transformou o cargo geralmente cerimonial (não sediado em Roma) numa posição de alto escalão – o que o fez ser, indubitavelmente, o principal defensor, na Igreja, do Ensino Social católico e do desenvolvimento humano no cenário internacional.

Embora a candidatura do Cardeal Tagle de substituí-lo não tenha sido ainda tornada pública, uma fonte no Vaticano disse que ele era um dos dois candidatos que a Secretaria de Estado o havia aprovado para concorrer à presidência da Caritas. O outro é o arcebispo nascido no Líbano Dom Youssef Soueif, líder da comunidade católica maronita no Chipre.

A assembleia geral da Caritas começa, formalmente, com uma missa na Basílica de São Pedro, na noite do dia 12 de maio. E, pela primeira vez, ela será presidida pelo papa. Acredita-se que o Cardeal Rodríguez, que alguns apelidaram de o “vice-papa” por seu empenho aparentemente incessante em promover a pauta de reformas do atual pontificado, facilmente convenceu Francisco a presidir a celebração.

A eleição do novo presidente da Caritas Internationalis acontece no dia 14. A mesma fonte no Vaticano disse que Michel Roy, católico francês de 61 anos, é o candidato único para a reeleição ao cargo de secretário-geral da organização, este com sua sede em Roma. Ambos os cargos – presidente e secretário-geral – são de quatro anos. O tema da assembleia é: “Uma só família humana a Cuidar da Criação”, e entre os oradores está o pai da Teologia da Libertação, o Pe. Gustavo Gutiérrez.

***

O Papa Francisco pode não ter feito muita coisa (pelo menos até agora) para promover as mulheres a postos importantes no Vaticano, mas com certeza ele está falando abertamente em defesa dos direitos delas. Em sua mais recente audiência geral, o pontífice falou que os cristãos têm o dever de lutar para que as mulheres recebam pagamento igual por trabalho igual. “Por que deveríamos admitir que as mulheres ganhem menos que os homens?”, disse ele em comentários de improviso, o que já se tornou algo costumeiro no atual papado. “Não. Elas têm o mesmo direito. A disparidade é um puro escândalo!”, declarou o pontífice sob aplausos e gritos de dezenas de milhares de pessoas reunidas para a audiência na Praça de São Pedro.

O papa vem usando as últimas audiências gerais de quarta-feira para partilhar os seus pensamentos e propor uma reflexão mais aprofundada sobre a natureza e o papel da família em seus vários componentes. Na semana passada, ele começou explorando o significado da reciprocidade e complementaridade entre os homens e as mulheres. E reconheceu aquilo que ele já admitiu em outras ocasiões – que praticamente não tem feito o suficiente para incluir as mulheres em todos os níveis de tomadas de decisão na Igreja e na sociedade.

Na semana passada, ele falou da diminuição do número de casamentos, do aumento nas separações e do número cada vez menor de nascimentos em muitas partes do mundo. “É um fato que as pessoas que se casam são sempre menos; este é um fato: os jovens não querem se casar”, disse Francisco. O papa falou que dentre os fatores estão certas restrições econômicas ou aquela desconfiança inata quanto ao casamento que as pessoas, que cresceram em lares rompidos, às vezes vivenciam.

Porém, e isto vai surpreender alguns, é que ele se recusou em pôr a culpa da crise matrimonial no movimento de libertação das mulheres, embora não tenha usado estas palavras exatamente. “Muitos acreditam que a mudança ocorrida nestas últimas décadas foi colocada em movimento pela emancipação da mulher. Mas nem mesmo esse argumento é válido, é uma falsidade, não é verdade!”, disse ele, novamente sob aplausos. “É uma forma de machismo, que sempre quer dominar a mulher”. 

As palavras do papa sobre as mulheres incutiram muita esperança em inúmeras pessoas. “Este é um momento especial, de novas possibilidades para as mulheres na Igreja”, diz Monica Jiménez de la Jara, embaixadora chilena na Santa Sé. Descrita como possuidora de um “entusiasmo vulcânico”, a embaixadora efervescente organizou um impressionante congresso internacional na terça-feira, intitulado “Mulheres na Igreja, Perspectivas em Diálogo”. A viúva, de 74 anos de idade e mãe de cinco filhos, é ex-reitora e ex-ministra da Educação. Ela está em Roma há menos de um ano, mas já está se tornando a principal embaixadora no Vaticano.

Com a ajuda da irmã franciscana Mary Melone, a primeira mulher a ser reitora da Pontifícia Universidade de Roma, ela conseguiu trazer mais de duas centenas de mulheres (e um bom número de homens) ao congresso de um dia de duração. O evento aconteceu na Pontifícia Universidade de Sant’Antonio (“Antonianum”), que a Irmã Melone dirige.

As embaixadas dos EUA, da Inglaterra e da União Europeia na Santa Sé também ajudaram na realização do evento, que reuniu mulheres de todos os continentes. Muitas delas eram religiosas; uma série de outras eram funcionárias do Vaticano, enquanto outras eram diplomatas.

Depois de algumas alocuções na sessão da manhã, os/as participantes se separaram em 10 grupos de discussão, na parte da tarde. A tarefa destes era chegar a um acordo sobre as três questões que mais ressoam o presente momento das mulheres e, em seguida, oferecer três propostas para levar algumas ideias adiante.

Quase todos os grupos relataram terem tido discussões animadas e, às vezes, quentes. Uma mulher me disse ter ficado bastante surpresa ao saber que muitas irmãs africanas buscam ter, na Igreja, certa igualdade, de gênero, o que os bispos conservadores em geral consideram como uma pauta tipicamente de feministas ocidentais [Europa e América do Norte].

Há algumas poucas coisas que o congresso gostaria de ver acontecer na Igreja no tocante às mulheres: uma discussão mais aberta sobre o gênero e a ideologia de gênero; papéis maiores nos ambientes de mediação e consulta; uma teologia com as mulheres, e não sobre as mulheres; uma maior presença das mulheres na formação dos seminaristas; um Sínodo com ou para as mulheres.

Um grupo sugeriu que o Papa Francisco tivesse uma mulher pregando em seu retiro anual de Quaresma junto à Cúria Romana! Uma coisa é certa: elas estão lembrando o papa de suas palavras promissoras sobre a necessidade de um papel maior para as mulheres na Igreja e começaram a envolver um número crescente de pessoas com influência no Vaticano para ver ele, o pontífice, agir também.

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