Dom Helder Camara. Hoje é a abertura oficial do processo de beatificação e canonização

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03 Mai 2015

Neste Domingo, dia 3 de maio de 2015, a Igreja da Arquidiocese de Olinda e Recife celebra a abertura oficial do processo de beatificação e canonização de Dom Helder Camara. Por esta ocasião damos a palavra ao padre José Comblin (1923-2011) que era um profundo conhecedor de Helder Camara.

A informação e o texto abaixo é publicado por Paulo Suess, no Facebook, 02-05-2015. As imagens também são de Paulo Suess.

Dom Helder e José Comblin - Foto: Paulo Suess

Dom Helder visto por José Comblin:

Dom Helder (1909 -1999) descobriu os pobres bastante tarde na vida. Foi na sua grande conversão de 1955 no final do congresso eucarístico que foi o seu grande triunfo como membro do governo da Igreja.

Durante 5 anos em Fortaleza e quase 20 anos no Rio de Janeiro dom Helder tinha servido a Igreja, ou seja, a instituição eclesiástica com entusiasmo, ardor, felicidade e os mais brilhantes resultados: Responsável pela educação católica, assessor nacional da Ação católica, fundador e secretário geral da CNBB, fundador do CELAM com dom Manuel Larraín de Talca (Chile).

Uma atividade exuberante com os mais brilhantes resultados. Mas ainda não tinha descoberto o mundo dos pobres. Vivia de maneira muito austera, pobre, mas não tinha encontrado os pobres face a face na sua realidade de pobres. Então veio a conversão. Converteu-se aos 46 anos.

Quando dom Helder descobriu a pobreza nas favelas do Rio, a sua vida mudou completamente. Começou a orientar toda a sua ação pastoral para os pobres do Rio de Janeiro. Quando chegou ao Recife, logo deu a entender que os pobres seriam a sua prioridade e imediatamente promoveu obras e atividades no mundo dos pobres, por exemplo, o “Encontro de Irmãos” que foi a expressão recifense das Comunidades Eclesiais de Base.

Escolheu um modo de vida mais pobre e deixou as portas mais abertas para os verdadeiros pobres. Não se contentou com frases bonitas.

Dom Helder chegou ao Recife e tomou posse poucos dias depois do golpe. A repressão foi muito forte no Recife considerado pelos militares como o centro comunista mais perigoso do país com a proteção do governador Miguel Arraes. Logo o dom teve que enfrentar o problema da repressão e teve que assumir a defesa das vítimas do golpe.

Quando dom Helder começou a estar ao lado dos pobres, começaram as perseguições. Uma Igreja que se preocupa com as classes dirigentes nunca será perseguida. Quando faz opção pelos pobres a perseguição é inevitável. De acordo com os evangelhos, a perseguição é parte da missão dos discípulos. Jesus foi muito claro”

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