A saudável gula do Pobrezinho de Assis: ''Também de pão vive o homem''

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04 Maio 2015

Na selva de publicações que estão transbordando sobre o tema da alimentação (certamente estimuladas pela Expo de Milão, que propõe precisamente o tema do alimento), uma se destaca pela sua originalidade. Estamos falando de Il cibo di Francesco. Anche di pane vive l’uomo, do qual são autores Pietro Messa e Giuseppe Cássio, o primeiro, frei franciscano e professor de história do franciscanismo na Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma, e o segundo, historiador da arte.

A reportagem é de Giuseppe Caffulli, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 01-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O livreto – pouco menos de 100 páginas, com uma inserção de imagens coloridas (Milão: Edizioni Terra Santa, 2015, 96 páginas) – nos introduz na relação de Francisco de Assis com o alimento.

No imaginário coletivo, Francisco teria levado uma vida de dificuldade, quase não tendo a necessidade primária de se nutrir. Vice-versa, as fontes nos dão notícia de um Pobrezinho como um "saudável guloso", moderado apreciador da boa comida, que sabia desfrutá-la como um dom e como sinal de alegria.

Pão, bolos, cereais, ervas selvagens, verduras, ovos, queijo, peixe, carnes brancas e doce – os mostaccioli de amêndoas –, tudo, se apreciado sem avidez, contribui para louvar o Criador na criação. E para reforçar a fraternidade entre os homens.

Pode-se ler isso na Regra não bulada, composta por volta do ano 1221: "E, com confiança, um manifeste ao outro a própria necessidade, para que o outro lhe arranje as coisas que lhe são necessárias e lhas dê. E cada um ame e alimente o seu Irmão, como a Mãe ama e nutre o próprio filho, naquelas coisas em que Deus lhe dará graça. E aquele que come não despreze quem não come, e aquele que não come não julgue aquele que come. E sempre que sobrevier a necessidade, seja permitido a todos os Irmãos, onde quer que se encontrem, de se servirem de todos os alimentos que os homens podem comer, assim como o Senhor disse de Davi, que comeu os pães da oferta, que não era permitido comer, senão aos sacerdotes. E se recordem o que o Senhor diz: 'Tomem cuidado para que os corações de vocês não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vocês. Pois esse dia cairá, como armadilha, sobre todos aqueles que habitam a face de toda a terra' (Lc 21,34-35). De igual modo, ainda, em tempo de manifesta necessidade, provejam todos os Irmãos pelas coisas que lhes forem necessárias, assim como o Senhor dará a eles a Sua graça, pois a necessidade não tem lei".

Um livro, portanto, que nos ajuda a recolocar – tomando como exemplo a espiritualidade franciscana – a comida na justa dimensão e em um horizonte de sobriedade e de justiça. Uma relação que, se nos convida a desfrutar da boa comida como um hino à grandeza de Deus, nos convida também a não ignorar o jejum como meio privilegiado de renúncia a si mesmo "para se alimentar somente a Deus".

Porque "também de pão vive o homem", mas sem esquecer que existe um alimento da alma que consiste precisamente em "toda palavra que procede da boca de Deus".

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