O dia dos beatos Oscar Romero e Irene Stefani

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Por: André | 27 Abril 2015

“O acontecimento do Pentecostes é maravilhoso”, exclamou dom Oscar Arnulfo Romeroem sua última celebração de Pentecostes. “Aquele milagre está se realizando hoje, porque aquilo que eu estou dizendo aqui, na Catedral de San Salvador, com o meu pobre espanhol, na América do Norte está sendo dito, em inglês, pelo pregador da missa deste domingo”. Dom Romero refere-se a vários outros lugares e seus idiomas: “francês, no Canadá e na França”; “nos dialetos de nossos indígenas o missionário que se adentra nas selvas da Guatemala ou da Colômbia”; “ou em italiano, ou nos inúmeros dialetos da África”.

 
Fonte: http://bit.ly/1b7T2T0  

A reportagem é publicada por Super Martyrio, 25-04-2015. A tradução é de André Langer.

O “milagre” se repetirá de maneira especial no Pentecostes deste ano, quando centenas de milhares de fiéis acorrerão para participar de duas cerimônias diferentes, a milhares de quilômetros uma da outra, para celebrar duas cerimônias de beatificação em continentes diferentes:

No sábado, 23 de maio, será beatificado dom Romero na vigília de Pentecostes em El Salvador, na América Central, ao passo que;

Nesse mesmo dia, no Quênia, África, será beatificada a Irmã Irene Stefani (1891-1930), uma irmã missionária que se dedicou a servir ao povo do Quênia como enfermeira.

Não é inteiramente inédito que duas beatificações ocorram no mesmo dia em diferentes partes do mundo, mas é raro. A última vez que isso ocorreu foi em 2012, quando o beato Pierre-Adrien Toulorge foi elevado aos altares pelo cardeal Angelo Amato na França, ao passo que o beato Giuseppe Toniolo foi beatificado em Roma pelo cardeal Salvatore De Giorgi no mesmo dia 29 de abril.

A história de como dom Romero e a irmã Irene chegam aos altares juntos é de providencial coincidência. A causa da irmã Irene começa em março de 1984 com a abertura do processo diocesano nesse ano e culmina 30 anos depois com a aprovação de um milagre, em junho do ano passado. A causa de dom Romero inicia em março de 1993 quando se abre a fase diocesana e culmina com o decreto de martírio assinado em fevereiro passado, 21 anos mais tarde. No caso da irmã Irene, serão 85 anos desde a sua morte até sua beatificação, e no caso de dom Romero são 35 – o que é de se esperar, dado que ele é um mártir e assim tem um processo mais agilizado que o dela, uma confessora.

Mas, embora dom Romero tenha sido favorecido pela rapidez em seu processo, a desvantagem é que a preparação da sua cerimônia foi mais apressada. No caso da irmã Irene, o Vaticano estabeleceu que sua beatificação será no dia 23 de maio em setembro do ano passado – ou seja, com oito meses de antecedência. De fato, o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, estava originalmente designado para fazer a beatificação da irmã Irene no Quênia. Quando foi anunciada a beatificação de dom Romero para o mesmo dia, o anúncio deixou apenas dois meses para a preparação da cerimônia de Romero, e obrigou que a beatificação da irmã Irene fosse celebrada pelo cardeal Polycarp Pengo, da Tanzânia.

Romero é um mártir do Evangelho entre os pobres, ao passo que a irmã Irene deu sua vida de outra maneira; sendo enfermeira, foi contagiada por um paciente e morreu de sua enfermidade. Também há semelhanças entre as duas cerimônias. As autoridades quenianas prognosticaram que cerca de 300 mil fiéis deverão participar da beatificação da irmã Irene; as autoridades salvadorenhas estimam que 260 mil pessoas devem se fazer presente na beatificação de Romero.

No Quênia, apenas 33% da população é católica, mas dada a imensidão do país isso equivale a aproximadamente sete milhões de pessoas. Isso é mais que a população total de El Salvador, de seis milhões, a metade da qual é católica. Como já mencionado, a beatificação da irmã Irene também teve muito mais tempo para ser organizada, embora o lugar seja mais remoto, e o estado das estradas fosse um desafio para os organizadores.

Finalmente, não há a necessidade de dizer que ambos os povos, tanto o salvadorenho como o queniano, depositam muitas necessidades aos pés de seus novos beatos. El Salvador sofre de altos índices de violência por causa das gangues de criminosos que elevaram as taxas de homicídios a níveis equivalentes aos do conflito armado em tempos de dom Romero. O Quênia tem problemas ainda mais dramáticos, como o recente ataque islamista contra universitários cristãos que deixou um saldo de 150 mortos e 80 feridos, que levou dom Anthony Muheria a pedir que devemos “parar de brincar” com a questão da perseguição de cristãos.

Que dom Romero e a irmã Irene intercedam por seus povos amados!

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