“Aos pobres os lugares de honra do concerto no Vaticano”, ordena o Papa

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27 Abril 2015

Os últimos serão os primeiros, disse Jesus. Palavras que são lei para Francisco, o qual decidiu reservar os lugares de honra de um concerto que terá lugar no Vaticano aos pobres, aos migrantes, aos sem teto.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada pelo jornal Repubblica, 26-04-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Pela primeira vez, naquelas primeiras filas, costumeiramente ocupadas por chefes de Estado, dignitários, representantes de instituições, sentarão aqueles que mais do que todos estão presentes no coração de Bergoglio.

O concerto, intitulado “Com os pobres e para os pobres”, vai ocorrer quinta-feira, dia 14 de maio, na Aula Paulo VI. Ou seja, naquela mesma Aula onde aos 22 de junho de 2013 se consumou um pequeno incidente. Num concerto organizado para o ano da fé, Francisco, no último momento, não foi ao evento. Por “motivos improrrogáveis” sua poltrona permaneceu vazia.

Sob a batuta do maestro Daniel Oren estarão se exibindo a Orquestra Filarmônica Salertiana “Giuseppe Verdi” e o coro da diocese de Roma dirigido por monsenhor Marco Frisina. Fá-lo-ão para manter as obras de caridade do Pontífice, com o patrocínio da secretaria apostólica de esmolas, do pontifício Conselho da Cultura, daquele para a Nova evangelização e pela fundação São Mateus do cardeal Van Thuan.

Os bilhetes de ingresso serão gratuitos, mas a todos os presentes, lê-se no convite, “será dada a possibilidade de contribuir com ofertas voluntárias que serão integralmente devolvidas ao Setor de Esmolas”.

Os sem-teto são os hóspedes ilustres do evento. Serão convocados através de associações de voluntariado que operam no território: a Caritas diocesana de Roma, o Grande Priorado de Roma, a delegação de Roma do Soberano Militar Ordem de Malta, o Círculo São Pedro, a Comunidade Santo Egídio e o Centro Astalli.

Explicam os organizadores: “Ocuparão na Aula os postos de honra e, junto a eles, segundo os ensinamentos do Papa, serão convidadas famílias, anciãos e jovens de todas as paróquias romanas, em particular aqueles que nas periferias da cidade vivem em pobreza material e espiritual com o augúrio de que para eles, como para todos aqueles que participarem, esta tarde festiva represente uma semente de confiança e de esperança para o futuro”. 

O Vaticano não é um castelo reservado à elite, turistas, fiéis ou curiais que sejam. É a casa de todos, o centro de uma Igreja sinodal no governo, mas também em sua essência. Já há poucas semanas o Papa havia aberto as portas dos museus e da capela Sistina a uma visita privada reservada aos sem-teto. E assim ele faz no próximo dia 14 de maio, quando aquela Aula, onde até a algum tempo ocorriam concertos com lugares reservados aos poderosos e 'auto blu' incorretamente estacionados na Praça São Pedro, se abre aos necessitados que vivem sob as colunatas de Bernini, os pórticos da via della Conciliazione, as ruas de Burgo Pio.

Monsenhor Konrad Krajevski, secretário para as esmolas, todos os dias leva a estas pessoas a caridade do Papa. Uma atenção feita de dinheiro oferecido para as necessidades, de um serviço de barbearia improvisado sob as colunatas, com alguns doces gratuitos, de sacolas doadas por ocasião do aniversário papal.

É também quando Francisco deve dar presentes aos peregrinos que os sem-teto chegam ali: no passado mês de março 50 mil cópias do Evangelho foram distribuídas durante um Angelus na Praça São Pedro por 300 'clochard', nomeados no ato “mensageiros” papais.

Francisco vai além das discussões que desde sempre, na Igreja, se fazem a respeito dos pobres e de sua necessária “libertação”. Por anos a comunidade eclesial se dividiu entre aqueles que taxavam de ideologia marxista quem se empenhava pelos pobres e aqueles que, ao invés, limitavam o empenho a meras análises sociológicas.

Bergoglio, ao contrário, demonstra querer ir além dos dois extremos, enfileirando-se concretamente em favor dos pobres, agindo com força contra o desprezo da dignidade dos “rejeitos”. Para ele, os pobres são o coração da Igreja, sujeitos criativos dos quais, como escreve em Evangelii Gaudium, sempre se pode aprender: todos, escreve, podem acolher “a misteriosa sapiência que Deus quer comunicar através deles”.

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