Liberalismo e a dominação econômica da política: Arendt e Foucault

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17 Abril 2015

No dia 15-04-2015 no Instituto Humanitas Unisinos - IHU, o Prof. Dr. Adriano Correia, da Universidade Federal de Goiás – UFG, proferiu a palestra Liberalismo e dominação econômica da política: Arendt e Foucault.

O evento prepara a realização do V Colóquio Latino-Americano de Biopolítica, o III Colóquio Internacional de Biopolítica e Educação e o XVII Simpósio Internacional IHU marcados para 21 a 24 -09-2015, na Unisinos, sob o título Saberes e Práticas na Constituição dos Sujeitos na Contemporaneidade.

A reportagem é de Márcia Junges, jornalista e doutoranda do PPG de Filosofia da Unisinos.

Já nos primeiros momentos de sua fala Adriano deixou clara a hipótese central da exposição: hoje é praticamente impossível pensar a política sem a hegemonia que a economia exerce sobre ela. Assim, apontou similaridades entre os diagnósticos de Michel Foucault e Hannah Arendt, como o fato de que a progressiva subjugação da política pela economia é o progressivo desvelar da política no liberalismo.

Recuperando uma ideia de Foucault, acentuou que o sujeito de interesse extrapola a todo momento o sujeito de direitos, e que o mercado e o contrato funcionam de modo inverso um do outro. Dessa forma, há que se pensar o homo economicus de Foucault, no âmbito do liberalismo como um sujeito de interesse. O mercado tem sua lógica interna, cuja totalidade escapa ao sujeito e ao soberano (que por isto mesmo não deveria ter a ambição da gestão). Paradoxalmente, o soberano não pode governar o homo economicus - a governamentalidade só pode ser garantida no novo campo da sociedade civil. Diga-se que este homo economicus é o eminentemente governável porque enxerga a qualquer crise como possibilidade de sucesso empresarial – seu único objetivo é ter sucesso naquilo que o interessa. Ele é o que aceita a realidade. Se mudarem as condições do meio, ele se reorganiza e se adequa novamente.

Dinheiro supérfluo

O governo liberal é mais do que um tipo de governo, mas uma maneira de o sujeito ser e pensar, observa Foucault a respeito do neoliberalismo americano. Segundo esta perspectiva, pensar o trabalho na lógica econômica, do ponto de vista de quem trabalha, expediente de uma renda. Assim, é preciso pensar o trabalho não como algo expropriado, mas como investimento de energia, expectativas, “habilidades e competências”, como capital humano. Vive-se uma forma de vida que envolve servidão voluntária, sem que isso se constitua um paradoxo. Para Arendt esse modo de vida corresponde ao do trabalhador consumidor, que para ela é antipolítico.

Já o fenômeno totalitário revela a morte da política. Ao contrário do que parece supor o liberalismo, o totalitarismo não é o excesso de política, mas a sua falta. No segundo volume de As origens do totalitarismo, Arendt escreve sobre o poder da burguesia. Ela compreende o imperialismo como o primeiro estágio da dominação política burguesa, como sua verdade e reflete sobre o surgimento do dinheiro supérfluo e do excesso de produção.

Interesses privados, consumo e apatia

A força tornou-se o centro da ação política, resultante de um fator econômico, pois apenas com a redução da política à força o dinheiro pode gerar dinheiro sem produzir coisa alguma. Ela foi aceita, de acordo com Arendt, porque correspondia às expectativas da classe burguesa. Curiosamente, para essa classe burguesa não há aspiração de poder político, mas sim um horizonte no qual se avista apenas sucesso econômico, benesse própria e conforto particular. Assim é preciso compreender a contraposição entre público e privado, entre política e economia como traços fundamentais no pensamento arendtiano. Segundo essa autora, a concepção liberal extrema da política pode ser caracterizada pelo capitalismo especulativo, pela subserviência de governos ao capital e pela compreensão do indivíduo como “empresa ambulante”.

O homo economicus em tudo enxerga oportunidade, não se rebela e trabalha ainda mais para consumir. Confinado em sua vida privada, tem em seus interesses particulares o grande norte existencial. Essa sociedade de consumo gerou apatia e confinamento na esfera privada como a única que importa e deve ser legitimada.

Para Arendt, a liberdade é sinônimo de participação política. Em Foucault, por outro lado, a liberdade é em grande medida resistência, e se traduz na ética como autoconstituição. Entretanto, um sistema político impermeável à participação induz à apatia. Então, pensar a liberdade política em nosso tempo a partir de Arendt implicaria em conceber a participação no governo, com representação, claro, mas sem delegação integral. “Trata-se da liberdade como capacidade de gerar transformação, de sermos início, o que se materializa na ação”, considera Adriano.

Quem é Adriano Correia?

Professor de filosofia da Universidade Federal de Goiás desde 2006, Adriano Correia da Silva graduou-se e fez o mestrado em Filosofia na PUC-Campinas e concluiu o mestrado em Educação (2001) na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp com a dissertação A instituição da cidadania: formação e política entre os gregos dos séculos VI e V a. C.. É doutor em Filosofia pela Unicamp em 2002 com a tese Sentir-se em casa no mundo: a vida do espírito e o domínio dos assuntos humanos na obra de Hannah Arendt. Outras de suas publicações são Hannah Arendt e A condição humana (Salvador: Quarteto, 2006) e Hannah Arendt (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012).

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