Arcebispo acusado de encobrir abusos sexuais deixa Comissão Real

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19 Março 2015

O arcebispo de Adelaide, Austrália, acusado na terça-feira por um suposto encobrimento de abuso sexual de menores por um colega sacerdote, demitiu-se de seu papel em um grupo de supervisão que lida com a Comissão Real [para as respostas institucionais ao abuso sexual infantil].

A reportagem é de Helen Davidson, publicada no sítio do jornal britânico The Guardian, 18-03-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Defensores das vítimas receberam bem a demissão, mas rotularam a resposta da Igreja como "arrogante".

A polícia acusou o arcebispo, Philip Wilson, e emitiu um aviso de comparecimento diante do juíz para responder sobre alegações de que ele ocultou o conhecimento sobre o abuso sexual infantil cometido por um padre companheiro, Jim Fletcher, na década de 1970, quando a dupla trabalhou em conjunto na região de Hunter.

Ele é a autoridade da Igreja de mais alto escalão no mundo a ser acusado de um crime. Wilson nega qualquer irregularidade e divulgou um comunicado dizendo que iria defender-se da acusação.

Nicky Davis, coordenadora do grupo de defesa internacional Rede de Sobreviventes dos Abusados ​​por Padres disse que, para as vítimas de abuso, a notícia era "tão grande como o anúncio da Comissão Real".

"Isso é o que estávamos esperando", disse ela ao The Guardian na Austrália.

Na terça-feira, Wilson deixou o seu papel em um grupo de supervisão ligado ao Conselho de Justiça, Verdade e Cura que coordena as relações da Igreja com a Comissão Real sobre as respostas institucionais com relação ao abuso sexual infantil. Ele disse que tinha pedido licença de seu cargo de arcebispo "de forma a buscar aconselhamento com um vasto leque de pessoas em resposta às informações que recebi".

Ele também pediu licença do cargo de vice-presidente da Conferência Episcopal Australiana (ACBA). Antes de 2012, Wilson serviu três mandatos como presidente, um dos mais altos cargos da Igreja Católica no país.

Davis disse que a resposta da Igreja era "arrogante". Ela disse que a renúncia de Wilson não significaria muito, mas, se ele não fizesse isso, "mostraria muito claramente a seriedade da Igreja com relação ao assunto, e se vê que ela não leva isso muito a sério".

"Isso mostra o quão sem importância a Igreja considera as vítimas e como esse tipo de atividade criminosa tem pouca relevância no comportamento moral, que isso é um comportamento aceitável", disse ela.

Davis apontou para o caso de Robert Finn - o único bispo dos EUA a ser condenado por encobrir abuso - a quem foi dado dois anos de pena, suspensa em 2012. Apesar dos apelos para que ele fosse removido do cargo de bispo, ele permanece no cargo.

O Vaticano iniciou uma investigação sobre o mandato de Finn, em setembro, a pedido do Papa Francisco.

O presidente da ACBA e arcebispo de Melbourne, Denis Hart, divulgou um comunicado pedindo que as pessoas "não façam qualquer julgamento até que a acusação contra o arcebispo Wilson tenha sido tratada pelo tribunal".

O sucessor de Wilson como bispo de Wollongong em New South Wales, Peter Ingham, disse que estava "entristecido" com a notícia da acusação.

Os crimes de Fletcher estavam entre os examinados por uma comissão especial de inquérito em New South Wales sobre o tratamento das alegações de abuso na região de Newcastle-Maitland.

Fletcher morreu em 2006 enquanto cumpria uma sentença de prisão pelo estupro de um menino de 13 anos de idade, entre os anos de 1989-1991.

Em seu depoimento na terça-feira, Wilson prometeu "defender vigorosamente" sua inocência. Ele disse que estava "desapontado" pela acusação, e disse que tinha sido um dos "pioneiros" em tomar melhores medidas de proteção de menores desde que tinha sido ordenado bispo.

Wilson foi ordenado bispo em 1996, quando foi nomeado para a diocese de Wollongong. Em Wollongong, Wilson estave profundamente envolvido na resposta às múltiplas acusações de abuso por um padre, John Nestor. A resposta às ações de Nestor foram examinadas pela Comissão Real no ano passado, onde Wilson foi uma das testemunhas. A Comissão Real verificou que ações de outros sacerdotes minaram os esforços de Wilson para proteger os menores de mais abusos por parte de Nestor.

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