Francisco: ''O meu pontificado será breve, mas posso estar errado''

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16 Março 2015

Migrações, sistemas econômicos que descartam as pessoas e os traficantes de drogas que se aproveitam, a reforma da Cúria Romana, a última corte da Europa, o papel dos leigos e o clericalismo, as expectativas excessivas sobre gays e divorciados em segunda união no Sínodo e a crise da família. Por ocasião do aniversário da sua eleição, o Papa Francisco aborda todos os temas quentes dos dois anos de pontificado em uma entrevista com a jornalista Valentina Alazraki da emissora mexicana Televisa, manifestando o seu desejo de fazer uma viagem ao México. (1)

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada no sítio Vatican Insider, 13-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Francisco – relata a Rádio Vaticano, em uma nota que resume a conversa – admite ter a sensação de que o seu pontificado será breve, mas também afirma que pode estar errado e que não prevê, no entanto, a possibilidade de renunciar.

A entrevista, relata a emissora pontifícia, foi realizada por expressa vontade do papa e ocorreu na sala de Santa Marta, onde Jorge Mario Bergoglio encontra os seus colaboradores mais próximos, domina uma imagem da Virgem de Guadalupe, uma figura de fundamental importância e de grande devoção para todo o continente latino-americano.

Nossa Senhora de Guadalupe é, para Francisco, "fonte de unidade cultural, porta para a santidade no meio de tanto pecado, de tanta injustiça, de tanta exploração e de tanta morte".

"Os males do México são todos semelhantes aos do resto do mundo: o drama das migrações e os muros erguidas para combatê-las." Francisco fala da fronteira entre EUA e México, mas também lembra os migrantes forçados a atravessar o Mediterrâneo em busca de uma vida melhor ou em fuga das guerras e da fome.

São os sistemas econômicos distorcidos que provocam esses grandes deslocamentos, a falta de trabalho, a cultura do descarte aplicada ao ser humano. E, depois, a chaga do tráfico de drogas. Onde há pobreza e miséria, o crime floresce.

O Papa Francisco lembra os 43 jovens assassinados pelos traficantes de drogas em be revela que quis prestar homenagem à sua memória também nomeando como cardeal o arcebispo de Morelia, "um homem – diz Francisco – que está em uma zona muito quente e é um testemunho de homem cristão".

O papa, justamente por ser filho de imigrantes, se sente espontaneamente chamado a dar voz às vítimas do tráfico e de uma sociedade injusta, embora – reconhece Francisco – seria infantil atribuir as responsabilidades apenas aos governos.

É preciso aprender a não se voltar para o outro lado diante dos males do mundo, e isso diz respeito a cada um de nós. O compromisso dos católicos em relação aos últimos requer um exercício de proximidade. É o terreno sobre o qual a Igreja é desafiada pelas seitas e pelos movimentos evangélicos, particularmente na América Latina.

O papa, segundo a Rádio Vaticano, critica a incapacidade do clero de envolver os leigos por causa de um clericalismo excessivo. O pontífice argentino toca todos os temas que caracterizaram os seus dois anos de pontificado, acima de tudo, a atenção aos pobres e aos despossuídos.

E, depois, o trabalho de reforma da Cúria, não tanto a forma daquela que ele define como a último corte da Europa, mas a substância. Toda mudança começa a partir do coração – explica o papa – e envolve uma conversão no modo de viver. Uma conversão que envolve a própria figura do pontífice e que está na base do não cumprimento dos protocolos, que tanto entusiasma o povo de Deus.

Francisco admite que sente falta de poder sair livremente, talvez para poder ir a uma pizzaria sem ser reconhecido. Mas o tempo à disposição não parece ser muito. Francisco admite ter a sensação de que o seu pontificado será breve, mas também afirma que pode estar enganado.

À entrevistadora que menciona a possibilidade de uma retirada por causa dos limites de idade, como acontece com os bispos, o papa responde que não compartilha tal evento para a figura do pontífice – ele define o papado como uma graça especial – mas também diz que aprecia a estrada aberta por Bento XVI em relação à figura do Papa Emérito. Uma escolha corajosa, define, assim como foi corajosa a decisão de tornar pública a gravidade dos abusos cometidos por alguns membros da Igreja contra as crianças e a necessidade de cuidar das vítimas.

O próprio Francisco recebeu seis delas no Vaticano, e a Comissão ad hoc instituída no Vaticano tem o objetivo justamente de prevenir e de proteger as crianças.

O Sínodo sobre a família, que se reunirá em outubro, depois do último Extraordinário do ano passado, coloca diante da Igreja a necessidade de tutelar, proteger, acompanhar. Bergoglio define como desmedidas as expectativas sobre temas complexos e delicados como o da comunhão aos divorciados em segunda união ou sobre a homossexualidade.

O que é certo é que, para Francisco, é que a família passa por uma crise nunca vista antes e que é preciso recomeçar a partir de uma pastoral que se volte sobretudo aos jovens e às pessoas recém-casadas.

A trilha do papa está traçada, e Francisco já olha para setembro, com o evento da Filadélfia, nos EUA, a Jornada Mundial da Família, para a África, que ele vai visitar em breve, e para a América Latina que o espera.

1.- Nota da IHU On-Line: A íntegra da entrevista, em espanhol, pode ser ouvida, clicando aqui.

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