Cardeal Tagle: postura ''severa'' da Igreja com gays e divorciados deixou as pessoas ''marcadas''

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11 Março 2015

A postura "dura" e "severa" adotada pelos clérigos católicos para com as pessoas homossexuais, divorciadas e mães solteiras provocou um dano duradouro, reconheceu um dos mais proeminentes membros da nova geração de cardeais da Igreja.

A reportagem é de John Bingham, publicada no sítio The Telegraph, 09-03-15. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

O cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, nas Filipinas, disse que a Igreja teve que aprender com as mudança de atitudes sociais e através de uma maior compreensão da psicologia para reconhecer as "feridas" que a sua abordagem julgadora causou no passado.

Ele falou após abordar milhares de jovens católicos britânicos no encontro "Flame II", realizado no Wembley Arena, em Londres, no qual fez um apelo apaixonado aos cristãos a aprender de novo o significado da palavra "misericórdia".

O arcebispo de 57 anos, considerado como um possível futuro papa, recebeu um aplauso entusiasmado da multidão quando disse que "só a misericórdia pode salvar a humanidade".

Falando depois, ele disse que estava claro que o tom adotado com os gays, os divorciados que voltaram a casar contra a doutrina católica e as mães solteiras tinha deixado muitos deles sentindo-se "marcados" e condenados a um certo ostracismo social.

Ele acrescentou que uma melhor compreensão da psicologia infantil havia revelado a escala dos danos causados ​​às crianças pela postura disciplinadora adotada nas escolas.

A palavra "misericórdia" tem sido o tema central do pontificado do Papa Francisco, mas o tema tem exposto profundas divisões sobre os possíveis movimentos para relaxar a proibição dos divorciados recasados para ​​receber a comunhão.

O cardeal Tagle disse ao The Telegraph: "Nós temos que admitir que essa espiritualidade toda, esse crescimento na misericórdia e na implementação da virtude da misericórdia é algo que precisamos aprender uma e outra vez".

"Parte disso também se reflete nas mudanças das sensibilidades culturais e sociais de tal forma que o que constituía, no passado, uma forma aceitável de mostrar misericórdia (...) agora, dada a nossa mentalidade contemporânea, não pode ser mais visto assim".

Ele disse que abordagens passadas nas escolas católicas e em outras instituições tinham sido muitas vezes a de ditar regras e dizer às pessoas que isso era "para seu próprio bem".

"Agora, com o aumento de nossa sensibilidade, com o crescimento da psicologia, percebemos que algumas dessas regras não eram tão misericordiosas", disse ele.

"Agora, com o crescimento dos conhecimentos em psicologia infantil, vemos alguns dos ferimentos infligidos com isso - e assim aprendemos".

Perguntado se os clérigos devem encontrar novas maneiras de lidar com as pessoas, uma vez tratadas como excluídas, ele disse: "Sim, acho que até a linguagem já mudou, as palavras duras que foram usadas no passado para se referir aos gays, aos divorciados, às pessoas separadas, às mães solteiras etc, no passado, elas eram bastante severas".

"Muitas pessoas pertencentes a esses grupos ficaram marcadas e isso levou ao seu isolamento da sociedade em geral".

"Eu não sei se isso é verdade, mas ouvi dizer que em alguns círculos, em círculos cristãos, o sofrimento a que essas pessoas eram submetidas era considerado como uma consequência legítima de seus erros, de modo espiritualizado".

"Mas nós estamos contentes de ver e ouvir mudanças em relação a isso".

Ele insistiu que a Igreja Católica não pode abandonar o ensinamento tradicional relacionado à ética sexual, mas acrescentou: "Aqui, pelo menos, na Igreja Católica, existe uma abordagem pastoral que acontece através de aconselhamento, no sacramento da reconciliação, onde as pessoas e os casos individuais são tomados singularmente ou individualmente, de modo que uma ajuda, uma resposta pastoral, possa ser dada de forma adequada para a pessoa".

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