''Muitos estão totalmente do lado do papa.'' Entrevista com Bernd Hagenkord

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03 Março 2015

Transparência financeira, administração mais ágil, mais colaboração no Vaticano, em vez de bloqueios recíprocos: é isso que o Papa Francisco quer, ao ter iniciado uma grande reforma da Cúria. Mas até onde ela chegou? A transformação da Cúria fracassará por causa da resistência dos conservadores?

Sobre isso, entrevistamos o jesuíta alemão Bernd Hagenkord, diretor do setor de língua alemã da Rádio Vaticana.

A reportagem é de Thomas Seiterich, publicada no sítio Publik-forum.de, 24-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Como prossegue a reforma da Cúria no Vaticano?

Prossegue passo a passo. O Conselho dos Cardeais (C9) encarregado pelo papa tem trabalhado duro. Agora, as propostas de reforma foram apresentadas. Elas devem ser reelaboradas. O que eu ouço dos setores individuais é que as propostas não são aceitas simplesmente ponto por ponto. Diz-se que a proposta de instituir uma espécie de autoridade superior para os leigos, família e vida unirá muitas coisas diferentes sob um chapéu comum: isso deve ser entendido como uma crítica. Quanto à reforma da economia e das finanças no Vaticano, em um ano, foi feito muito. Mas a condução dos negócios e os controles devem ser ainda mais claramente distinguidos.

Até agora, as Congregações individuais dispunham de orçamentos próprios. Na Congregação do Clero, por exemplo, convergiam as entradas de aluguéis das habitações que se encontram em Roma. Agora chegará realmente o caixa único, controlado de modo transparente?

Se as Congregações se opuserem, eu não sei. Uma coisa é certa: o Conselho para a Economia e a nova Secretaria para a Economia, instituídos no âmbito da reforma da Cúria, receberam o direito de intervenção. É a vontade do papa e da Igreja universal, representados pelo cardeal Reinhard Marx e George Pell, competentes por esse âmbito na comissão dos cardeais, o C9, e que fizeram um amplo relato no consistório, a reunião dos cardeais: todas as finanças da Santa Sé devem se tornar unitárias e transparentes.

O Papa Francisco, antes do Natal, criticou duramente os cardeais da Cúria e destacou 15 doenças espirituais. Ainda se pode obter algo desse discurso de advertência? Ou já domina o obstrucionismo?

Conheço muitos colaboradores no Vaticano que estão totalmente do lado do papa. Especialmente no nível médio, nos chamados Oficiais, onde eu também estou, Francisco encontra o máximo apoio. Até porque muitos colegas estão cansados da velha forma de trabalhar e agora querem finalmente uma modernização, isto é, abertura e clareza, envolvimento na tomada de decisões, controles sobre os projetos em curso, uma cultura de um trabalho comum que reconheça o mérito. Muitos estão absolutamente contentes com a velocidade do processo de reforma. No entanto, assim como com todas as reformas de grandes administrações, todo o processo é complicado, contraditório e até pesado, por exemplo a transformação de uma cultura na tomada de decisões no trabalho atual. Não basta simplesmente pressionar um botão para que tudo funcione.

O que isso significa concretamente no seu setor?

A Rádio Vaticana tem 350 funcionários, a maioria deles têm família. Todos sabem que a transformação está chegando. Mas não sabemos como será concretamente. Os programas e as redações seriam reduzidos? A incerteza pesa sobre muitos. Não deveria durar muito tempo. Mas é inevitável em um processo de reforma.

Agora, o Vaticano tem reuniões de gabinete? Algumas crises com Bento XVI não teriam existido se os chefes dos "ministérios" tivessem se falado todas as semanas.

Não, ainda não há reuniões de gabinete (risos). Isso mostra claramente as dificuldades da reforma.

Recentemente, o Papa Francisco nomeou 20 novos cardeais – quase todos pastores corajosos em países do Terceiro Mundo, que seguem a sua linha. Ele está construindo em Roma um "poder dinástico"?

Esse papa não desempenha nenhuma política de poder dinástico, não se baseia em favoritos, não constrói lealdades cegas. Não, Francisco é dinâmico, não fere a confiança, foca no raciocínio, nos discursos abertos, no dar tempo. Tudo isso é novo no exercício do magistério papal. Francisco aponta coerentemente para a renovação da Igreja a partir das margens. Assim, nomeia como cardeal Soane Mafi, bispo de Tonga, que ameaça afundar por causa das catástrofes climáticas no Pacífico Sul. E, ao mesmo tempo, deixa de lado antigas sedes cardinalícias tradicionais, como Bruxelas, Turim ou Veneza.

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