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Por: André | 03 Fevereiro 2015

De cada 100 dólares adicionais gerados depois da crise, 116 foram apropriados pelos 10% mais ricos da população. O resultado absurdo é possível porque os 90% restantes dos estadunidenses registraram uma redução em seu nível de ingressos.

 
Fonte: http://bit.ly/16nllLH  

A reportagem é de Tomás Lukin e publicada no jornal argentino Página/12, 01-02-2015. A tradução é de André Langer.

Depois de uma das piores crises da sua história, os Estados Unidos começaram a dar sinais de recuperação. Com quase três bilhões de dólares injetados na economia através de políticas fiscais não convencionais, os diferentes programas de aquisição de ativos e salvamento direto de bancos desenvolvidos pelo governo estadunidense facilitaram o saneamento do sistema financeiro e propiciaram uma incipiente melhora do nível de atividade. Durante o último trimestre do ano passado, as estatísticas oficiais do Bureau of Economic Analysis apontaram para um crescimento interanual de 2,6% do PIB.

No entanto, trata-se de uma expansão anêmica. As melhorias no nível de ingresso não são percebidas pela maioria do país, mas são apropriadas por uma reduzida porção da sociedade. A magnitude da concentração do crescimento econômico foi estimada pela Pavlina Tcherneva, pesquisadora do Levy Economics Institute of Bard College: de cada 100 dólares adicionais gerados depois da crise, 116 foram abocanhados pelos 10% mais ricos da população. O resultado absurdo é possível porque os 90% restantes dos estadunidenses registraram uma redução em seu nível de ingressos. Esse processo constitui a maior transferência de renda para os super-ricos da história norte-americana.

“Para a ampla maioria da população nos Estados Unidos o crescimento econômico converteu-se em pouco mais que uma atração estatística secundária totalmente desconectada de seus holerites. A gravidade da desigualdade na distribuição do ingresso nos Estados Unidos é simplesmente insustentável”, adverte Tcherneva, que incorpora um fator praticamente ignorado nas análises dominantes sobre a evolução da economia nos países desenvolvidos. A primeira conclusão não é nenhuma novidade para as sociedades latino-americanas: o efeito derrame não funciona. A segunda advertência feita pela economista, ao contrário, sim: inclusive se o caminho não é a austeridade fiscal, a expansão dos investimentos públicos em momentos de depressão deve ser direcionada para a criação direta de postos de trabalho pelo Estado para garantir uma dinâmica de crescimento inclusivo e sustentável. A redistribuição da renda é uma condição necessária para o desenvolvimento.

Anemia garantida

A partir da base de dados de longo prazo elaborada pela dupla francesa formada por Emmanuel Saez e Thomas Piketty, a professora da Universidade de Missouri-Kansas estimou como são distribuídos os frutos do crescimento econômico entre a sociedade norte-americana desde 1920:

– Ordenando a população em 10 partes de acordo com seu nível de ingresso, identificou que durante as três décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial (1946-1976) os 10% mais ricos dos domicílios se apropriaram de 30% do crescimento do ingresso. O resto da população captou em média 70% da ampliação do bolo.

– Quando se faz um zoom sobre esse período de três décadas, é possível identificar como a redistribuição foi se deteriorando. Entre 1949-1953, oito de cada 10 dólares adicionais foram apropriados pela grande maioria da população, os primeiros nove decis de ingressos da pirâmide distributiva. A partir de então, a porção da expansão da renda percebida pelos 90% da população se reduziu ao ponto que, no começo da década de 1980, os 10% mais ricos começaram a apropriar-se da maioria do crescimento do ingresso.

– De 1977 a 2007, o ingresso real médio nos Estados Unidos aumentou quase tanto quanto durante o período do pós-guerra. Com a hegemonia neoliberal, a única coisa que mudou foi quem ficou com as melhoras: 90% dos ganhos foram apropriados pelos 10% mais ricos. Os pobres não ficaram necessariamente mais pobres, mas a brecha em relação aos ricos cresceu significativamente. “A quem não se comove com considerações sobre justiça, digo que a desigualdade na distribuição do ingresso é um fator fundamental para a instabilidade financeira dos Estados Unidos. Na ausência de um aumento de ingressos, os domicílios dos 90% mais pobres da sociedade foram forçados a depender cada vez mais do endividamento para financiar o consumo”, sustenta Tcherneva.

– A ampliação mais rápida da desigualdade observou-se durante a eufórica primeira década do século XXI, exatamente antes da eclosão da crise financeira. O único outro momento da história em que os Estados Unidos viram uma erosão tão dramática em sua distribuição do ingresso foi durante a década de 1920. Em ambos os períodos, os 10% da população capturaram todas as melhoras no ingresso enquanto que a maioria da população registrou uma contração em seu poder de compra.

– Segundo adverte a pesquisadora do Levy Economics Institute, existe uma diferença fundamental entre essas duas experiências. Durante a Grande Depressão registrou-se um colapso generalizado dos ingressos sem importar sua posição social, e a totalidade das melhoras que se observaram nos anos seguintes foi apropriada pela grande maioria da população. Ao contrário, a incipiente recuperação depois da explosão da última crise foi completamente drenada para os 10% mais ricos e, fundamentalmente, para o ainda mais seleto grupo do 1% mais rico. Com outras palavras, o período recente testemunhou a mais ampla e rápida transferência de ingressos para os super-ricos na história.

O ovo e a galinha

“O mecanismo do derrame da política fiscal contemporânea funciona através do restabelecimento, em primeiro lugar, dos ingressos das firmas e o fluxo de caixa, relegando a um efeito secundário qualquer aumento do emprego e do ingresso dos domicílios”, lamenta a economista da Universidade de Missouri-Kansas City. “Por isso, não é estranho que a melhora no ingresso agregado tenha ido majoritariamente para os 10% mais ricos (e mais precisamente para o 1% mais rico) da pirâmide distributiva, enquanto que a ausência de uma sólida recuperação pró-emprego assegurou que os ingressos dos restantes 90% da população tenham declinado”, conclui o documento.

Reorientando a política fiscal depois da Grande Recessão

Existe um amplo consenso entre os economistas de diferentes correntes de pensamento de que o objetivo primeiro da política fiscal é estimular o investimento e o crescimento. Desde essa visão, as melhoras no mercado de trabalho são um subproduto dessas políticas fiscais. O gasto público é necessário e determinante para reativar uma economia, mas Tcherneva considera que não é suficiente para garantir um processo sustentável de redução do desemprego e melhora na distribuição do ingresso. O resultado distributivo dos três bilhões de dólares investidos pelo Estado para salvamentos do setor financeiro evidenciam essas limitações. “Requer-se uma reorientação fundamental da política fiscal”, adverte. A pesquisadora argumenta que esse redesenho deveria apontar para a criação direta de postos de trabalho através do Estado.

“Quando faltam oportunidades de emprego para os indivíduos com baixa escolaridade e pouca qualificação, a tarefa para uma política contracíclica de emprego público é prover-lhes um trabalho no setor estatal. A criação direta de postos de trabalho é uma rede de segurança contracíclica do emprego que não depende de efeitos secundários ou terciários de uma reativação para melhorar as condições de emprego para aqueles no fundo da distribuição do ingresso”, afirma a economista que é uma ativa militante de planos como o chefes e chefas de casa.

No entanto, os programas de criação direta de emprego estatal foram gradualmente eliminados do instrumental macroeconômico estadunidense a partir da década de 1970, quando começou a hegemonia dos programas de “incentivos impositivos”. A marginalização das iniciativas coincidiu com o processo de flexibilização e precarização das condições de trabalho. “Assim, quando mais necessitavam do emprego público e do investimento para fazer frente à erosão do mercado de trabalho, essas opções de política já não estavam mais disponíveis”, adverte Tcherneva.

Precisamente, uma das consequências mais profundas da crise foi sobre o mercado de trabalho norte-americano. Depois de manter um nível de desemprego superior a 9% entre 2009 e 2011, os indicadores começaram a retroceder. Durante o último semestre do ano passado a taxa de desocupação foi de 5,6%. No entanto, essas “melhoras” no mercado de trabalho não respondem a uma criação massiva de empregos, mas são explicadas pelo aprofundamento de uma tendência decrescente da taxa de atividade, que caiu cerca de seis pontos percentuais (10%) desde a eclosão da crise.

Uma aproximação mais precisa ao cenário de trabalho norte-americano em um contexto deteriorado são as medidas alternativas oferecidas pelo Bureau of Labour Statistics, organismo estatístico do Departamento de Trabalho do governo estadunidense. Quando se soma a estimativa do desemprego aos desalentados e trabalhadores de tempo parcial a desocupação sobe para 11,2%. Historicamente, a diferença entre essa medição mais ampla e o algarismo tradicional beirou entre 3 e 4 pontos percentuais. Durante a crise a brecha duplicou até chegar aos 7 pontos percentuais. Os analistas mais rigorosos advertem que essa estimativa mais ampla também subestima o desemprego, já que ignora entre 2 e 5 milhões de pessoas que receberam o seguro desemprego durante mais de dois anos.

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