Francisco derruba outro muro: o encontro com um transgênero

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28 Janeiro 2015

"Se eu pudesse escolher, não teria escolhido a minha vida", disse ele, em lágrimas, ao papa. E descreveu o sofrimento de ser expulso da paróquia como "criatura do diabo". No sábado, Francisco recebeu em audiência privada no Vaticano um transsexual espanhol, acompanhado pela atual namorada. O transgênero, Diego Neria Lejárraga, de 48 anos, que nasceu mulher e se submeteu a uma operação de mudança de sexo há oito anos, em uma operação de mudança de sexo, tinha escrito ao papa denunciando que tinha sido marginalizado da Igreja na sua cidade de Plasencia, em Extremadura.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 27-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Bergoglio lhe telefonou duas vezes em dezembro e, no sábado, recebeu-o na sua residência, em Santa Marta. Na sua carta, Diego, fiel e praticante desde a infância, lamentava que, depois da cirurgia, na sua cidade natal em Extremadura, ele havia sido rejeitado e insultado na paróquia que ele frequentava.

A "filha do diabo"

O pároco tinha lhe chamado até de "filha do diabo". Depois de escrever ao papa, o primeiro telefonema do pontífice chegou-lhe no dia da Imaculada e um segundo nos dias antes do Natal, quando Francisco o convidou para ir ao Vaticano com a namorada.

O encontro foi estritamente privado. Ocorreu no sábado, às 17h. "Nunca antes eu teria me atrevido, mas, com o Papa Francisco, sim; depois de ouvi-lo em muitos discursos, senti que ele me escutaria", disse Diego, que, depois da mudança de sexo, tinha sofrido fortemente a rejeição social, a condenação e o impedimento da Igreja.

"Como você ousa a vir aqui com a sua condição? Você não é digno", diziam-lhe alguns na missa, quando ele voltou à igreja da sua cidade. "Você é a filha do diabo", ouviu na rua, um dia, pela boca de um sacerdote.

Foi assim que, no fim, decidiu enviar uma carta ao papa. E também o fez graças ao bispo de Plasencia, Amadeo Rodríguez Magro, junto com o qual encontrou nos últimos tempos incentivo, conforto e apoio. Depois, a surpresa do telefonema do pontífice.

"O primeiro telefonema já era muito mais do que eu esperava", diz, emocionado. "Na segunda, eu continuava sem acreditar no que estava acontecendo comigo, porque eu sei que o meu caso não é nada, que há tantas pessoas que sofrem neste mundo, que eu não mereço a atenção do papa."

O abraço no Vaticano

Era a ele que, na carta, Diego havia exposto as suas dúvidas e as suas esperanças. A ele perguntara por que a Igreja o rejeita, porque ele não pode ser um católico praticante, por que deve ter medo de fazer a comunhão, por que não pode se sentir parte da comunidade, por que não pode encontrar um pastor.

Bergoglio quis responder a tudo isso pessoalmente, abraçando Diego no Vaticano, junto com a mulher com quem esse homem de 48 anos em breve irá formar uma família. Um sinal muito forte.

Espírito de acolhida

O espírito de "acolhida" e de abertura do papa se volta a uma Igreja que se inclina sobre as feridas do mundo, que não pode e não deve ser uma "alfândega da fé". A sua Igreja não fecha as portas nem mesmo a quem, pelo desconforto de um corpo que não sentia como seu, optou, com sofrimento, por mudar de sexo. No voo de Manila, Francisco estigmatizou a teoria de gênero. Isso, porém, não o impediu de estender a mão a uma pessoa que tinha se voltado a ele para compartilhar o sofrimento da marginalização. O gesto de Francisco apaga a discriminação sofrida por Diego na paróquia ("Como você se atreve a entrar aqui na sua condição? Você não é digno"). E se liga à comunhão dada pelo cardeal Angelo Bagnasco a Vladimir Luxuria no funeral, em Gênova, do padre Andrea Gallo, em maio de 2013.

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