As paróquias sejam ilhas de misericórdia no mar da indiferença, pede Francisco

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Por: André | 28 Janeiro 2015

“Como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!” Foi o que indicou o Papa Francisco na mensagem anual da Quaresma (que este ano vai de 22 de fevereiro a cinco de abril, dia da Páscoa). O texto concentra-se na ideia, importante para o Papa, da superação da “globalização da indiferença”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 27-01-2015. A tradução é de André Langer.

Deus “não é indiferente a nós”, explicou Jorge Bergoglio na mensagem assinada em 04 de outubro, festa de São Francisco de Assis, e que foi apresentada nesta terça-feira no Vaticano. “Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-O de ficar indiferente perante aquilo que acontece conosco. Coisa diversa se passa conosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença”. O mundo “tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta pela qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja – explicou o Papa –, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida”. A indiferença é uma “tentação real inclusive para nós cristãos”, e, como consequência, temos necessidade de ouvir “cada Quaresma o grito dos profetas que levantam sua voz e nos despertam”.

O Pontífice argentino destacou que “o Povo de Deus” necessita renovar-se “para não ser indiferente e para não se fechar em si mesmo”, motivo pelo qual propôs três passos que devem ser meditados “para esta renovação”.

Em primeiro lugar, a partir da Carta de São Paulo aos Coríntios (“Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros”), o Papa Francisco indicou que “só se pode testemunhar algo que antes experimentamos”, razão pela qual a Quaresma “é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, especialmente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n’Ele, um não olha o outro com indiferença”.

Em segundo lugar, explicou Francisco, a partir da pergunta do Gênesis “Onde está o teu irmão?”, “tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se, porventura, experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada?” Por isso, a esperança de que “cada comunidade cristã” possa “cruzar o umbral que a põe em relação com a sociedade que a cerca, com os pobres e os incrédulos”, já que “a Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens”. “Amados irmãos e irmãs – escreveu o Papa Francisco –, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!”

Para concluir, retomando o versículo da Carta de Tiago que este ano inspira o título da mensagem papal (“Fortalecei os vossos corações”), o Papa insiste em que “também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. O que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?” A resposta do Pontífice é, em primeiro lugar, rezar (“A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração”), e depois vem a caridade (“A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade”), para concluir com a conversão, “porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos” e permite encontrar “um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença”.

Participaram da apresentação da mensagem do Papa na Sala de Imprensa vaticana, mons. Giampietro Dal Toso, secretário do Pontifício Conselho Cor Unum, mons. Segundo Tejado Muñoz, subsecretário do mesmo dicastério, e Michel Roy, secretário-geral da Cáritas Internacional. Mons. Dal Toso, em particular, indicou três âmbitos da intervenção caritativa: a reconstrução do Haiti após o terremoto (para o que a Igreja católica já contribuiu com cerca de 21,5 milhões de dólares), o Oriente Médio, particularmente a Síria e o Iraque, e as Filipinas, para onde acaba de viajar o Papa Francisco.

Ao responder aos jornalistas sobre a fusão do Pontifício Conselho Cor Unum com outros dicastérios vaticanos, no contexto da reforma do Papa Francisco, Dal Toso afirmou que “a caridade abre muitas portas, e é cartão de apresentação para a Igreja; isso será seguramente levado em consideração na revisão das estruturas da cúria, e posso imaginar que a eventual reestruturação dê um impulso maior ao grande mundo da caridade e da presença da Igreja no mundo para a promoção da humanidade”.

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