O caminho cheio de espinhos de Francisco

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17 Janeiro 2015

Depois do seu acerto de contas público com a Cúria Romana no período natalício, o papa precisa agora de aliados enérgicos. Mas, por enquanto, não é possível vê-los... Um papa começa a enfiar a agulha, mas será que, depois, o camelo-Igreja conseguirá passar pelo buraco? Até agora, muitos estão simplesmente olhando a luta de Francisco pelas reformas, limitando-se a esperar.

A reportagem é de Thomas Seiterich, publicada no sítio PublikForum.de, 14-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco terminou como um trovão poderoso o seu dinâmico e primeiro ano inteiro como capitão do barco da "Igreja Romana". O argentino bateu duro, como poucos antes dele, no clericalismo e nas "15 doenças espirituais da Cúria", incluindo o "Alzheimer espiritual", a vanglória e a vida dupla.

Mas quais são as consequências desse trovão? Ar pesado, silêncio suspeito, cheiro de pólvora. Alguns conservadores tapam as orelhas. Os reformadores, no entanto, estão entusiasmados. O Papa Francisco pilota o barco no ritmo acelerado com que exerce o seu magistério em uma rota altamente arriscada. Porque provoca ao máximo adversários poderosos. Certamente, ele não pode contar com os cardeais conservadores da Cúria. Trabalharão contra ele, ainda mais do que antes.

O primeiro papa proveniente da ordem dos jesuítas, favorável à renovação, muda a Igreja em passos largos. Mas, diante das necessárias correções doutrinais, o sul-americano recua. Em vez disso, aponta para uma nova práxis mais humana de pastoral misericordioso. Esta chega às pessoas, tanto dentro quanto fora da Igreja.

Com as suas nomeações de cardeais, Francisco põe fim à predominância de italianos conservadores no Colégio Cardinalício que o Papa Bento XVI tinha reforçado. Entre os 15 cardeais com direito a voto recentemente nomeados, há apenas um representante da Cúria: o leal bispo para a política externa, Dominique Mamberti. Ao seu lado, estão 14 bispos de Igrejas pobres no Myanmar, Panamá ou Tonga, ou de regiões europeias em crise, por exemplo, Agrigento, reduto da máfia siciliana.

Se Francisco procede assim, até 2018, inverterá a maioria de um futuro conclave – rumo ao Terceiro Mundo. A sua determinada política pessoal é uma política de força. Ele ignora as antigas sedes cardinalícias, como as grandes dioceses de Veneza ou Turim. Porque são dirigidas por conservadores da época de Bento.

Francisco renova a Igreja Católica partindo das margens, das periferias. Atribui sedes episcopais a homens que ele considera capazes de realizar o espírito de renovação criativa do seu pontificado. Prefere pastores voltados ao presente, em vez de integralistas doutrinais interessados na manutenção da tradição.

Politicamente, Francisco indica sinais. De maneira diplomaticamente incorreta, reza em Belém no muro de separação construído pelos israelenses. Restabelece a paz entre Cuba e os EUA, e visita países dos quais Bento se desviava longe, por serem berço de antiquíssimas grandes religiões asiáticas, onde o cristianismo é apenas uma minoria que chegou depois: a Coreia do Sul, no outono de 2014, atualmente o Sri Lanka. bbusca o futuro para além do Velho Mundo.

Um por um, ele mudou os chefes das Congregações vaticanas e seus encargos. Nisso, impulsionou os favoritos dos papas anteriores sobre um trilho morto. Sem muito barulho, Francisco impôs uma primeira reforma das finanças vaticanas. Corte após corte, foi desfeita um criminoso entrelaçamento de relações que durava há muito tempo e que prejudicava ao máximo a credibilidade da Igreja Romana.

Mas os conflitos internos aumentam: no Sínodo ordinário sobre a família de outubro próximo, os adversários de Francisco pretendem impor a modalidade de votação ponto a ponto. E depois bastará, por exemplo para a questão dos divorciados em segunda união, que haja um terço dos votos contrários mais um para impedir a reforma do ensino sobre a família desejada pelo papa.

Certamente, junto aos não cristãos e os meios de comunicação, o cordial "papa do povo" é mais do que nunca amado. Mas os seus adversários consideram esse homem de 78 anos como alguém que se deixa levar ou, pior, um populista.

Os tradicionalistas temem a sua eventual renúncia ainda mais do que a sua liderança, porque uma renúncia ao cargo depois do exemplo de Bento significaria a total desmistificação do magistério papal.

Nessa difícil situação, Francisco precisa de apoiadores decididos na Igreja, de pessoas favoráveis ao seu modo tão humano de ser papa. É claro: os jesuítas o apoiam como um deles. Mas isso não basta.

Onde estão os bispos e os cristãos abertos da Alemanha, da Europa ocidental, da América do Norte? Até agora, muitos estão simplesmente olhando o caminho de Francisco, cheio de espinhos, de obstáculos e de resistências, limitando-se a esperar.

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