Filme mostra o homem Pasolini por trás da égide de gênio maldito

Revista ihu on-line

Bioética e o contexto hermenêutico da Biopolítica

Edição: 513

Leia mais

Revolução Pernambucana. Semeadura de um Brasil independente, republicano e tolerante

Edição: 512

Leia mais

Francisco Suárez e a transição da escolástica para a modernidade

Edição: 511

Leia mais

Mais Lidos

  • Pro Pope Francis: carta aberta de apoio ao Papa Francisco

    LER MAIS
  • Papa Francisco: "Ante a escandalosa corrupção e os enormes problemas sociais, o Brasil precisa que seus padres sejam sinal de esperança"

    LER MAIS
  • Autocrítica do Magistério e reforma da Igreja. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

13 Novembro 2015

"Ser homem é vasto e perigoso. Pasolini e Ferrara não pensam diferente a esse respeito. E Ferrara vai em busca, primeiro, de um Pier Paolo caseiro, que chega de uma viagem. Ele reencontra família e amigos. Não veste em nenhum momento a pele do gênio, nem a do maldito", escreve Inácio Araujo, em comentário publicado no jornal Folha de S. Paulo, 06-11-2015.

Eis o artigo. 

O encontro entre Pier Paolo Pasolini e Abel Ferrara não era inevitável. De certo modo era até previsível, por aquilo que aproxima os dois homens: ambos incapazes de se dobrar às exigências sociais, ambos contestadores do poder, ambos assombrados pela figura de Deus.

Mais que isso: as contradições abundam na obra de Ferrara e na vida de Pasolini. Este, em particular, parece querer abraçar todas elas: humanismo e masoquismo, por exemplo. O alto e o baixo. O corpo e a espiritualidade.

Ser homem é vasto e perigoso. Pasolini e Ferrara não pensam diferente a esse respeito. E Ferrara vai em busca, primeiro, de um Pier Paolo caseiro, que chega de uma viagem. Ele reencontra família e amigos. Não veste em nenhum momento a pele do gênio, nem a do maldito.

É esse homem coloquial que nos atrai e impressiona no filme. Seu calor, a maneira simples e intensa de estar no mundo, a maneira como aprecia um vinho ou uma conversa. Um homem como qualquer outro –e, ao mesmo tempo, único.
 
A morte de Cristo

Para Ferrara, é mais importante fazer Pasolini parar num restaurante e conversar com o dono do que criar algum tipo de crescendo dramático tradicional.

É mais importante, inclusive, inserir no conjunto uma dessas parábolas tipicamente pasolinianas –a um tempo desesperadas e otimistas–, trazendo Ninetto Davoli, que foi o ator fetiche do cinema de Pasolini.

De tal modo que, quando se chega ao coração da narrativa, a morte do poeta, Ferrara pode novamente nos surpreender. Não tanto pela maneira como representa a morte (diferente do que se tem como aceito), mas pelo modo como a prepara e conclui.

É no momento da dor pela perda de uma pessoa tão especial, porém, que Ferrara mostra o cineasta superior que é: faz-nos sentir esse assassinato não por ele, não por sua família ou amigos, mas pela humanidade.

É algo a que Ferrara aspira: representar a morte de Cristo, daquele que morre pelos homens. De certo modo, "Pasolini" realiza esse feito.

Com uma cruel diferença: a morte de Cristo supostamente leva a algo, enquanto a de Pasolini é apenas cruel, infame, desnecessária (como a de Cristo, mas não leva a nada). Abel Ferrara é um cristão niilista.

Por fim: não se pode falar de "Pasolini" sem falar de Willem Dafoe, extraordinário.

PASOLINI
DIREÇÃO Abel Ferrara
ELENCO Willem Dafoe, Riccardo Scamarcio, Ninetto Davoli
PRODUÇÃO França/Bélgica/Itália, 2014, 18 anos

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Instituto Humanitas Unisinos - IHU - Filme mostra o homem Pasolini por trás da égide de gênio maldito