Prelado africano jura “não se abalar” na oposição à homossexualidade

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28 Agosto 2015

No ano passado, o Papa Francisco convocou uma Assembleia Extraordinária Geral do Sínodo dos Bispos que contou com debates intensos sobre questões relacionadas à vida familiar, incluindo homossexualidade e relacionamentos homoafetivos, e para a edição do Sínodo deste ano maioria dos analistas espera ver divisões semelhantes virem à tona.

O texto é de John L. Allen Jr., publicado pelo Crux, 26-08-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Não iremos encontrar, no entanto, opiniões divididas na Arquidiocese de Jos, na Nigéria, que com certeza é uma importante jurisdição católica nesta superpotência africana e que conta com a liderança do influente e franco arcebispo Ignatius Kaigama.

Nesta terça-feira (25), Kaigama abriu a sua 13ª assembleia arquidiocesana em Jos com um discurso que, entre outras coisas, tocou na questão do casamento gay.

“A cultura do casamento homoafetivo é alheia à nossa compreensão de família e não deve ser imposta aos nigerianos”, disse ele, atraindo fortes aplausos de uma multidão de padres, freiras e delegados leigos que participam na assembleia entre os dias 24 e 28 agosto.

Em janeiro de 2014, a Nigéria aprovou uma lei que criminaliza a homossexualidade, com os bispos do país considerando o movimento como um “ato de coragem”. Kaigama elogiou o presidente nigeriano por não ceder à pressão internacional, advertindo os presentes quanto a uma “conspiração dos países desenvolvidos em transformar o nosso país e continente numa lixeira para a promoção de práticas imorais”.

Também na terça-feira, Kaigama, que é o presidente da conferência dos bispos nigerianos, atacou aqueles que criticam esta postura:

“A nossa maior preocupação”, disse ele, era “a de que o casamento deva ser entre um homem e uma mulher, de acordo com os nossos padrões culturais e religiosos”. (No texto preparado de Kaigama, o trecho “entre um homem e uma mulher” estava todo escrito em letras maiúsculas).

Kaigama afirmou que organizações internacionais e os meios de comunicação distorcem, intencionalmente, o que os bispos vêm dizendo, queixando-se de que estes “reduziram maliciosamente a nossa postura a uma simples defesa pela punição severa de gays e lésbicas com longas penas de prisão!”

“Eis uma distorção deliberada”, insistiu, “e um desvio perverso daquilo que é a nossa principal preocupação”.

Kaigama formulou a posição dos bispos assim: “Não ao casamento homoafetivo”, acrescentando enfaticamente: “Como dizemos na Nigéria: Não nos abalemos”.

Os críticos podem achar esta postura assumida pelos prelados nigerianos como estando em contrariedade com a postura assumida pelo Papa Francisco, que vem incentivando os seus bispos a darem uma trégua nas guerras culturais e que disse não iria julgar uma pessoa gay se ela “procura o Senhor e tem boa vontade”.

Por outro lado, Francisco vem também denunciando a “colonização ideológica” dos países em desenvolvimento em termos parecidos com aqueles empregados por Kaigama.

Esta postura mais rígida assumida por muitos dos prelados africanos pode também desencadear debates acalorados no Sínodo junto aos bispos alemães mais progressistas, que abrandaram as chamadas regras de moralidade para com os seus funcionários em maio deste ano, entre outras coisas implicando que os trabalhadores que se envolverem em um relacionamento gay não mais perderão automaticamente os seus postos de trabalho nas instituições católicas.

Kaigama, porém, não estava falando apenas por si mesmo, o que não deve surpresa num país onde uma pesquisa, conduzida em 2013, descobriu que 85% dos nigerianos acreditam que a homossexualidade é “moralmente inaceitável”.

Anthonia Ogbolafor, presidente da assembleia arquidiocesana, tomou o microfone para denunciar o que seriam os esforços contemporâneos inaceitáveis de “redefinição” do casamento.
“Antes, o casamento era entre Adão e Eva”, disse ela. “Agora ele pode ser entre Adão e Estevão, ou Eva e Amanda, e isso é errado”, disse ela.

Ogbolafor também afirmou que, se os casais homossexuais tiverem permissão para adotar crianças, eles não deveriam ser considerados como seus pais legais, mas sim os seus responsáveis apenas, porque “família significa um homem e uma mulher”.

Essa fala foi também seguida de um forte aplauso por parte da assembleia.

Não havia apenas representantes católicos no evento. John Wade, que dirige um departamento de planejamento estratégico para o governo do Estado de Plateau, onde a Arquidiocese de Jos está localizada e que falava em nome do governador, também elogiou a postura contrária ao casamento gay assumida pelos delegados ali presentes.

“Algumas outras igrejas acolheram esta ideia, mas a Igreja Católica disse não a ela, ao que nós elogiamos”, disse Wade, desencadeando mais aplausos.

“Dizer ‘não’ é importante para que dissipemos a confusão atual”, declarou ele. “O arcebispo reiterou esta posição contrária hoje, e nós o agradecemos por isso”.

Em seguida, Wade arrancou risadas do público ao contar a história de um líder religioso que conduzia uma cerimônia de casamento homoafetivo; quando chegou o momento de ele pronunciar o tradicional “marido e mulher”, hesitou.

Nesta confusão, segundo Wade, o ministro disse: “Eu os declaro ‘Man United” – uma brincadeira em referência ao clube de futebol Manchester United, muito popular na Nigéria.

“Quando a Igreja Católica resiste à pressão para o casamento gay”, disse Wade, “nós devemos apoiá-la, porque, caso contrário, iremos acabar como o ‘Man United!’”.

Kaigama foi considerado como uma das lideranças de destaque do Sínodo dos Bispos de outubro do ano passado, ajudando a conduzir o grupo de prelados africanos que buscou a manutenção da doutrina tradicional da Igreja neste assunto. Embora não vá estar presente edição deste outono, o religioso não mediu palavras ao expressar o que espera que o Sínodo produza neste ano:

“Quer gostem ou não, a Igreja Católica é uma instituição muito poderosa”, disse Kaigama ao sítio Crux em entrevista no dia 25 de agosto. “Acredito que há um verdadeiro movimento na Igreja – também entre os secularistas e os meios de comunicação e assim por diante – que pensam que esta gigante instituição tem de se rebaixar, de uma forma ou de outra”.

Em tal contexto, continuou Kaigama, a Igreja precisa se manter firme e forte, não permitindo que a sua fé “se perca ou contamine”.

Diante desta perspectiva, os defensores de uma postura mais suave poderão se alegrar com a notícia de que Kaigama não se fará presente na próxima Assembleia Geral do Sínodo. Eles podem, no entanto, se sentir menos alegres ao considerar a postura que os bispos nigerianos a participar do evento provavelmente assumirão em bloco.

“Podemos tirar qualquer um dos bispos nigerianos de seu sono e perguntar a opinião deles sobre as problemáticas relacionadas à família. Todos dirão mais ou menos a mesma coisa, palavra por palavra”, disse ele.

“Nestas questões”, Kaigama disse, “estamos absolutamente de acordo”.

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