Papa Francisco enfrenta tempestade tropical para oferecer consolo às vítimas de tufão nas Filipinas

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21 Janeiro 2015

Enfrentando uma chuva torrencial e ventos de 60 km/h para estar com os principais afetados por um tufão que deixou milhares de mortos e milhões de desabrigados, o Papa Francisco disse, neste sábado, que não sabia o que poderia dizer para consolar a dor dessas pessoas.

papa-filipinas

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 16-01-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

"Eu não sei o que dizer a vocês", disse o pontífice em uma homilia surpreendentemente sincera e pessoal em uma missa em Tacloban, uma área que fica a cerca de 500 km ao sudeste da capital das Filipinas, atingida pelo supertufão Yolanda (Haiyan) em 2013.

"Muitos de vocês perderam parte de suas famílias", continuou o papa, deixando de lado seu texto em inglês, preparado para a ocasião, para falar em seu espanhol nativo. "Tudo o que posso fazer é ficar em silêncio. E os acompanhar com o meu coração em silêncio".

Francisco falava no sábado em condições dramáticas na região de Tacloban, que estava enfrentando outro evento climático - uma tempestade tropical de categoria dois que estava derramando quase uma polegada de chuva por hora. Na viagem de Manila, no sábado de manhã, havia a preocupação de que a missa poderia ser cancelada ou que o avião do papa poderia não ser capaz de voar para a área.

Mas Francisco disse a alguns milhões de pessoas na missa - muitas dos quais tinham esperado por horas na chuva para ver o papa - que, enquanto observava a catástrofe se desdobrar em Roma há 14 meses, "Eu senti que tinha que estar aqui".

"Eu estou aqui para estar com vocês", continuou ele. "Um pouco mais tarde, tenho que admitir, mas eu estou aqui".

O Yolanda (Haiyan) foi um dos tufões mais fortes da história e matou mais de 6.000 pessoas, causando quase 3 bilhões de dólares em danos. Como resultado, 90% das estruturas em Tacloban foram destruídas. Cerca de 1,9 milhões de pessoas ficaram desabrigadas e outras 6 milhões tiveram que sair de suas casas.

Evidenciando a dor daqueles que sofreram muito com o evento, Francisco disse que tinha vindo para Tacloban "para dizer que Jesus é o Senhor" e que ele "nunca nos decepciona".

"Mas, padre, você pode me dizer: 'eu estou decepcionado porque perdi tantas coisas, minha casa, minha vida, estou doente", disse Francisco.

"É verdade, se você me disser isso", ele continuou. "E eu respeito seus sentimentos. Mas Jesus está ali, pregado na cruz, e de lá, ele não nos decepciona".

"Por isso temos um Senhor que é capaz de chorar com a gente, que é capaz de caminhar com a gente nos momentos mais difíceis da vida", disse Francisco.

"Eu não tenho mais palavras para dizer a vocês", disse ele. "Olhemos para Cristo. Ele é o Senhor. Ele nos entende porque ele passou por todas as provações que nós, que você experimentou".

Em declarações à imprensa local antes da missa papal, no sábado, o prefeito de Tacloban, Alfred Romualdez, disse que "facilmente um milhão" de pessoas foram às ruas para comemorar com o papa. Devido às condições meteorológicas, Romualdez disse que havia a preocupação de que alguns poderiam estar sofrendo de hipotermia devido à chuva intensa.

Uma mulher morreu na saída da missa quando andaimes que suportavam um dos alto-falantes para o sistema de amplificação caiu sobre ela. A mulher, Kristel Padasas, trabalhava no escritório regional da Catholic Relief Services, agência de ajuda dos bispos dos Estados Unidos.

O padre jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse em uma coletiva de imprensa no sábado à noite que o papa estava triste com a morte da mulher e gostaria de expressar sua tristeza à família dela.

O porta-voz também disse que teriam dito ao papa, na sexta-feira, que as condições em Tacloban estariam difíceis por causa do tempo, mas o pontífice teria respondido: "Eu vim para as Filipinas antes de tudo para estar em Tacloban amanhã. Temos de voar para lá, de qualquer jeito".

Lombardi disse que as pessoas em Tacloban também sugeriram ao papa que ele poderia celebrar a missa em algum lugar coberto, com uso de grandes telões para transmitir a missa para a multidão do lado de fora.

"Absolutamente não", respondeu o papa, disse Lombardi. "É impossível. Onde estão as pessoas? Elas estão do lado de fora. Temos de estar com elas e comemorar com elas".

Apesar das condições, Francisco desceu do avião papal no sábado, sem qualquer equipamento de proteção para a chuva ou mesmo um guarda-chuva. Mais tarde, quando ele passava pelo meio da multidão coberta de ponchos de plástico amarelo, o pontífice vestiu um poncho semelhante por cima de suas vestes.

A fim de tentar proteger Francisco, organizadores do evento, na última hora, mudaram o altar para uma área um pouco mais abrigada. Eles também modificaram a distribuição da comunhão, para permitir que o papa pudesse voltar para a sacristia mais rapidamente.

Mas o pontífice, em vez, dirigiu-se ao papamóvel após a missa, enfrentando a chuva para cumprimentar as pessoas no meio da multidão.

Enquanto alguns esperavam que Francisco pudesse usar a ocasião em Tacloban para abordar a mudança climática global, que alguns cientistas atribuíram à ferocidade incomum de Haiyan, o papa manteve sua homilia pessoal - optando por tentar resolver a dor de muitos que sofreram com a tempestade.

Francisco disse que, além de Jesus, as pessoas que estão sofrendo também contam com o apoio da Virgem Maria.

"Nos momentos em que temos tanta dor, onde já não entendemos nada, tudo o que podemos fazer é agarrar a sua mão firme e dizer a ela: 'Mãe', como uma criança à sua mãe, quando sentimos medo", disse o papa.

"É, talvez, a única palavra que podemos dizer em tempos tão difíceis, 'Mãe, mamãe'", continuou ele. "Vamos olhar para a nossa mãe, e como aquela pequena criança, agarremo-nos à sua saia, e com um coração verdadeiro dizer: 'Mãe'".

Francisco também agradeceu a todos os que tinham oferecido apoio aos que sofreram com o tufão.

"Nós também temos muitos irmãos que, neste momento de catástrofe, vieram para ajudar", disse o papa. "E também nós, por isso, nos sentimos mais irmãos e irmãs, porque nos ajudamos uns aos outros".

"Isto é o que vem do meu coração", concluiu o papa. "E me perdoe se eu não tenho outras palavras para expressar isso".

"Mas, por favor, saibam que Jesus nunca decepciona", disse ele. "Por favor, saibam que o amor e a ternura de nossa mãe Maria nunca decepciona".

A viagem do papa às Filipinas, o maior país católico da Ásia, foi a segunda parada de uma viagem asiática que iniciou com a visita ao Sri Lanka no início da semana passada.

O papa voltou a Manila no sábado à tarde, depois de almoçar em Tacloban com vítimas do tufão de 2013.

Embora a visita de Francisco a Tacloban estivesse originalmente programada para durar mais algumas horas, principalmente para ter uma reunião na catedral da cidade com sacerdotes, religiosos e religiosas, ele teve que ir embora mais cedo, a fim de evitar o impacto da tempestade de sábado.

No domingo, o pontífice celebrou uma missa pública no Rizal Park, em Manila, um evento que o Vaticano chamou de "mega missa" e que atraiu multidões na casa dos milhões.

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