267 detecções de agrotóxicos foram descobertas na água da Região Metropolitana de Porto Alegre

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Por: João Conceição, Guilherme Tenher e Marilene Maia | 10 Outubro 2019

Aproximadamente 30% das 267 detecções de agrotóxicos nas águas da região metropolitana estão concentradas em Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Estes dados foram coletados no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), publicizados pela plataforma Por Trás do Alimento, uma parceria entre a Agência Pública e Repórter Brasil. Até outubro deste ano foram liberados 382 pesticidas e no ano passado 450 substâncias tóxicas foram registradas, segundo acompanhamento feito pela Folha de São Paulo. Dados que necessitam integrar as análises e debates sobre a alimentação, oportunizadas pelo Dia Mundial da Alimentação a ser relembrado no próximo 16 de outubro.

Confira abaixo as informações.

Região Metropolitana de Porto Alegre

Foram descobertas 267 tipos de detecções de agrotóxicos nas águas que abastecem os municípios da região metropolitana entre os anos de 2014 e 2017. Aproximadamente 30% deste total se concentrou em Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo, cada um apresentando 27 tipos de substâncias tóxicas. Deste total, 11 agrotóxicos estavam relacionados com doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Em seguida, Eldorado do Sul apresentou 18 tipos de agrotóxicos em suas águas, sendo 7 deles altamente tóxicos, relacionados com doenças crônicas. Ademais, das 17 substâncias tóxicas encontradas nas águas de Gravataí, 9 delas eram também relacionadas com adoecimento crônico. Parobé, Canoas e Glorinha se destacam por apresentar 15 agrotóxicos e metade deles são classificados como possíveis vetores de doenças congênitas ou distúrbios endócrinos.

Nenhum agrotóxico foi detectado nas águas dos municípios de Capela de Santana, Charqueadas, Igrejinha, São Sebastião do Caí, Viamão e Dois Irmãos. Por outro lado, Cachoeirinha, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo, Araricá, Estância Velha, Nova Hartz, Portão, Sapiranga e Sapucaia do Sul não possuíam dados coletados para esta pesquisa, o que não exime esses municípios de uma possível contaminação nos seus sistemas de distribuição de água.

Brasil

“Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.” Estes dados foram publicados na reportagem de Ana Aranha e Luana Rocha através da plataforma intitulada Por Trás do Alimento, uma parceria entre a Agência Pública e Repórter Brasil.

Os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Tocantins foram os que apresentaram o maior número de cidades que detectaram todos os 27 agrotóxicos analisados na pesquisa. O Rio Grande do Sul ficou na décima posição. Em São Paulo, por exemplo, foram registradas 504 cidades, isto é, 78% do total de municipalidades do estado. As substâncias tóxicas também aparecerem na água distribuída em 121 dos 139 municípios do estado de Tocantins (87% do total).  

Quais foram os agrotóxicos encontrados?

Saiba mais sobre os possíveis efeitos dos agrotóxicos encontrados nas águas de Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo: 

Agrotóxicos, políticas públicas e a saúde da população

Exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, são alguns fatores elencados pelo Ministério da Saúde em relação às causas comprovadas de suicídio e automutilação. Sabe-se, também, que a Região Metropolitana de Porto Alegre registrou 25 casos de suicídio por mês em 2018

Estima-se que o Brasil consuma 18% dos agrotóxicos do mundo, mesma porcentagem dos Estados Unidos. Os números relativos ao Brasil apontam franca ascensão do consumo de agrotóxicos. Em 1990, o país respondia por apenas 3% dos volumes globais, estimado em 1,8 milhão de toneladas. Desse total, 75% estava concentrado em países de alta renda. Em 30 anos, o consumo mundial subiu para 3 milhões de toneladas ao ano.

Um artigo de André Antunes publicado por IHU On-line mostra forte ligação do uso de agrotóxicos com a saúde pública. O autor aponta que o “atual sistema agroalimentar é produtor de doença, iniquidade social e injustiça ambiental. As evidências disso se acumulam: da contaminação de alimentos e intoxicação de trabalhadores rurais por agrotóxicos, passando pela poluição do ar, dos rios e dos solos; pelos resíduos de um sistema dependente dos combustíveis fósseis, chegando aos problemas gerados pelos hábitos alimentares nada saudáveis fomentados pela indústria alimentícia – com seus produtos processados, ricos em gorduras e conservantes e pobres em nutrientes”.

Antunes aponta o conhecimento tradicional e a agroecologia como alternativas para a retomada de uma alimentação mais saudável e consciente. Este pensamento conversa com o posicionamento de Carlo Petrini e Vandana Shiva, sujeitos que serão estudados dia 04 de novembro no Ciclo de estudos: Preparando o Pacto Global para uma outra Economia na Unisinos, no Campus de São Leopoldo, das 17h às 19h, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros - IHU. O primeiro encontro ocorreu no dia 07 de outubro e abriu as discussões a respeito da forma como produzimos e preservamos a vida do/no Planeta Terra.

Este ciclo é formado por encontros em Porto Alegre (quartas ao meio-dia) e em São Leopoldo (segundas no vespertino), constituindo grupos de estudo que analisarão transdisciplinarmente os cenários da economia atual mundial e os seus determinantes nas diferentes áreas da vida planetária, indicando perspectivas para o Pacto Global por uma outra Economia, preparando o Encontro Mundial em março de 2020.

Confira a programação completa aqui.

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