Para onde está indo a indústria de calçados do Vale do Sinos?

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Um gargarejo nos salvará? Enxaguar a boca e o nariz por 30 segundos com produtos de uso comum reduz muito a carga viral

    LER MAIS
  • Nós precisamos repensar radicalmente a forma como vivemos e trabalhamos

    LER MAIS
  • As duas faces perversas da informalidade: sobretrabalho e intermitência

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


14 Junho 2016

Um a cada três postos de emprego formais de 2002 não existe mais em 2014 no setor calçadista do Vale do Sinos. O aumento do número de estabelecimentos não contribuiu com maior geração de emprego no período. A migração para o vizinho Vale do Paranhana e para o Nordeste do Brasil também contribui com a redução da representavidade relativa da indústria na região.

O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, acessou os dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, base de dados vinculada ao Ministério do Trabalho e Previdência Social – MTPS, para verificar as recentes alterações na indústria calçadista formal nos cenários nacional, estadual e regional, com ênfase na região do Vale do Sinos a partir do número de estabelecimentos e vínculos formais.

Conforme disponibilidade das informações, foram abordados os dados do período de 2002 a 2014 quanto ao subsetor da indústria de calçados a partir de metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Este subsetor tem representatividade histórica quanto à geração de postos de emprego e número de estabelecimentos formais.

A região do Vale do Sinos é composta por 14 municípios, os quais compõem a Região Metropolitana de Porto Alegre - RMPA. É notável que em alguns destes municípios a representatividade da indústria de calçados é baixa, apesar da região como um todo apresentar alta representatividade do subsetor, como será apresentado posteriormente.

No Vale do Sinos, especula-se que a indústria de calçados tem perdido participação. Dada uma possível queda da representatividade neste setor, buscou-se analisar se esta dita queda foi verificada a partir de dados públicos. Sendo esta indústria intensiva em mão de obra e de média baixa intensidade tecnológica, conforme aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a mesma aponta para uma geração de empregos intensa na região. No entanto, 86,86% dos trabalhadores do subsetor calçadista no Vale do Sinos, em 2014, recebiam até 03 salários mínimos, percentual superior se comparado aos outros setores industriais da região. Além disso, 96,50% trabalhavam de 41 a 44 horas semanais.

No Rio Grande do Sul, em 2014, havia não somente o maior número de vínculos, 32,92%, mas também o de estabelecimentos, 35,51%, na indústria de calçados em relação aos outros estados brasileiros. No estado, o Vale do Sinos se destaca, visto que 38,04% dos vínculos e 43,65% dos estabelecimentos estaduais se localizam na região. O mapa 01 apresenta os municípios do estado em que o número de estabelecimentos de calçados é expressivo.

Mapa 01 – Estabelecimentos formais do subsetor da indústria de calçados no Rio Grande do Sul em 2014



Fonte: Relação Anual de Informações Sociais - RAIS

Dos 14 municípios do Vale do Sinos, em 2 há mais de 316 estabelecimentos, em 4 há entre 57 e 316 estabelecimentos, em outros 4 entre 12 e 57 estabelecimentos e em apenas 4 há menos de 12 estabelecimentos, sendo Nova Santa Rita o único município que não possui nenhum estabelecimento formal da indústria de calçados.

Destaca-se que a região do Sinos pode ser subdividida em duas ao dividir-se os municípios que possuem ao menos 5% dos estabelecimentos no subsetor de calçados e aqueles que possuem percentual inferior a este. O mapa 02 ilustra esta subdivisão. Para fins facilitadores, denomina-se a região com presença maciça da indústria de calçados de Região Norte e aquela região em que há presença inferior a 5% do total de estabelecimentos de Região Sul.

Mapa 02 – Subdivisão da relevância do setor calçadista no Vale do Sinos em 2014

Fonte: Relação Anual de Informações Sociais - RAIS

O mapa 03 apresenta o percentual dos estabelecimentos formais de calçados em cada município da região em 2014. Destaca-se que, dos municípios da Região Norte, Nova Hartz e Sapiranga possuem uma representatividade alta deste setor em seu território.

Mapa 03 – Percentual de estabelecimentos formais de calçados em cada município do Vale do Sinos em 2014

Fonte: Relação Anual de Informações Sociais - RAIS

A tabela 04 apresenta o número de estabelecimentos formais da indústria de calçados no Vale do Sinos de 2002 a 2014 percentualmente em relação ao total de estabelecimentos. Em 2014, Nova Hartz manteve-se como o município com a maior participação deste setor no número de estabelecimentos, com 19,80%. Sabe-se que a maior parte dos estabelecimentos da região é de pequeno porte, visto que 78,64% possuem até 19 empregados.

Na maior parte dos anos anteriores, Nova Hartz também fora o município com o maior percentual de estabelecimentos da indústria de calçados na região. No período analisado, o auge percentual do número de estabelecimentos deste setor foi em 2006, no qual 28,12% dos estabelecimentos eram calçadistas no município, ou seja, a cada quatro estabelecimentos ao menos um era de calçados. Como um todo, de 2002 a 2014, o setor ganhou participação neste indicador, apesar de apresentar queda, quase contínua, de 2006 a 2014.

Sapiranga, município cuja participação do setor calçadista era a maior na região em 2002, registrou participação de 17,90% em 2014, com redução significativa se comparado a 2013, ano no qual o município havia registrado participação de 19,05%.

Os outros municípios da Região Norte, Araricá, Campo Bom, Dois Irmãos, Estância Velha, Ivoti e Novo Hamburgo, também apresentaram redução de participação do setor calçadista no número de estabelecimentos totais de 2002 a 2014.

Há ainda de se afirmar que, ao longo do período 2002 a 2014, houve aumento absoluto no número de estabelecimentos na região. Em 2002, havia 1.261 estabelecimentos na região frente a 1.568 em 2015.

Mesmo com o aumento de estabelecimentos, percentualmente, na região de 2002 a 2007, o número de vínculos formais não evoluiu no período. Pelo contrário, a geração de empregos formais neste subsetor manteve queda gradativa. A tabela 05 apresenta diminuição relativa da importância do setor calçadista em relação à geração de emprego no Vale do Sinos de 2002 a 2014.

Em 2002, o subsetor representava 19,73% dos postos de emprego formais da região. Doze anos depois, caiu para 10,24%, sendo muito devido à queda de representatividade na Região Norte, onde há a maior concentração de empregos desta indústria.

Nova Hartz também se mantém como o município onde a geração de empregos está mais atrelada ao setor calçadista dentre os 14 da região, com dois a cada três empregados neste subsetor. Em 2002, quase quatro de cada cinco empregados trabalhavam no setor de calçados.

Em Dois Irmãos e Sapiranga, onde mais da metade dos trabalhadores estavam no setor de calçados de 2002 a 2007, também houve redução da importância relativa do setor na geração de empregos.

No período de 2002 a 2014, nenhum dos 14 municípios observou aumento relativo da geração de empregos no setor de calçados, sendo em Portão uma das maiores reduções relativas. O município observou, em 2014, a geração de empregos relativa passar para um sexto do que representava em 2002.

Em 2016, o subsetor calçadista aumentou seus postos de emprego na região. Apenas em janeiro houve aumento de 767 postos, sendo o maior aumento percentual em Araricá. Ainda em 2015, já esboçava aumento de postos. Em fevereiro de 2015, houve aumento de 716 postos. Nos últimos 16 meses (janeiro de 2015 a abril de 2016) houve aumento de 76 postos frente à redução crescente em outros setores.

Por Marilene Maia e Matheus Nienow

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Para onde está indo a indústria de calçados do Vale do Sinos? - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV