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21 Janeiro 2017

O cristianismo em tempos de Papa Francisco, visto a partir de diferentes ângulos: entre centros e periferias; na globalização; entre história, cultura e teologia; mas também sob o perfil dos desafios e perspectivas.

A reportagem foi publicada por jornal Avvenire, 20-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Esse, em síntese, foi o caminho que se desenrolou (quinta e sexta-feira) no congresso de dois dias promovido por três universidades (Universidade Católica do Sagrado Coração, Roma Tre, para Estrangeiros de Perugia) e pela World History Academy, em colaboração com a Sociedade Dante Alighieri, que hospedou os trabalhos.

“O Papa Francisco trouxe consigo um vento novo”, observou o cardeal Walter Kasper, falando sobre os desafios do ecumenismo. “Faz parte do seu carisma – disse o purpurado – a radiosidade, a capacidade de acolher com estilo cordial e fraterno cada pessoa com a qual ele se encontra, seja ela católica, ortodoxa ou evangélica ou de outras religiões ou mesmo de nenhuma religião. Ele tem e vive um sentido de diálogo. Precisávamos desse estilo.”

Depois do Concílio Vaticano II, acrescentou Kasper, “fizemos muitos e grandes progressos no caminho ecumênico. Já temos muitos frutos para colher. No entanto, serpenteava também a sensação de ter chegado a um ponto em que as potencialidades do diálogo, assim como nós o tínhamos conduzido até então, haviam se esgotado, e que nos encontrávamos em um beco sem saída. Sentia-se um certo cansaço e uma falta de coragem para seguir em frente em novos caminhos. Estávamos em uma situação de impasse”. Francisco colocou as coisas novamente em movimento.

O que o papa mais traz no coração, de acordo com Andrea Riccardi, uma espécie de “revolução cultural” dentro da Igreja. O historiador e fundador da Comunidade de Santo Egídio disse isso na sua palestra sobre “A Igreja entre centro e periferia”.

“Não é um programa detalhado como aquele que Paulo VI fez, e, de fato, o Papa Francisco fala de processo, que não é controlável, e, no recente discurso à Cúria, ele reiterou que a reforma não é um fim em si mesma”, disse Riccardi. Por isso, “em um processo, muito depende não de quem o coloca em movimento, mas da recepção” por parte de pastores, fiéis, sujeitos eclesiais.

Na introdução do congresso, o historiador Agostino Giovagnoli observou: “Fala-se muito do Papa Francisco, um pouco menos da história da qual ele provém e da história em que ele está imerso, mas a sua história é a nossa história, e não refletir sobre o tempo significa não entender o nosso tempo”.

Por isso, todas as intervenções tentaram fazer tal contextualização. Para Massimo Faggioli, especialista em história da Igreja, “tons totalmente novos vêm de Francisco em relação ao laicato católico organizado, quando o papa adverte contra a tentação de utilizar a experiência do movimento-associação como refúgio para católicos cultural e ideologicamente afins”.

Enquanto isso, Marco Impagliazzo, presidente da Comunidade de Santo Egídio, sublinhou a dimensão do diálogo com o Islã: “É preciso evitar toda generalização. O outro não deve assustar, mesmo que seja de religião muçulmana”. Em outras palavras, um convite para evitar toda “odiosa simplificação” em tempos de terrorismo.

De acordo com Impagliazzo, ao temor de islamização da Europa que serpenteia nas sociedades e nas Igrejas europeias, o papa respondeu em Lesbos, convidando para ver nos migrantes, muito antes do que os números das pessoas, os seus rostos, as suas histórias. Para Francisco, “o diálogo com as outras religiões e com o Islã não é sincretismo conciliatório nem abertura diplomática para evitar problemas, mas o instrumento para fazer surgir o amor onde há ódio, o perdão onde há ofensa e, acima de tudo, um instrumento de paz”.

O Papa Francisco está muito preocupada com o tema do terrorismo, e, acrescentou Impagliazzo, “somos interpelados a dar uma resposta não mais adiável para construir um futuro de paz. Nenhuma guerra é santa. Somente a paz é santa”.

O congresso contou também com as conferências do prefeito da Secretaria para a Comunicação, Mons. Dario Edoardo Viganò, do teólogo Pierangelo Sequeri e com uma mesa redonda moderada pelo diretor do jornal Avvenire, Marco Tarquinio.

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