O Egito do Papa Francisco, entre a realidade e a fantasia

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28 Abril 2017

Depois do Padre Henri Boulad, apresentamos aqui outro jesuíta e especialista no islã, um egípcio que define com palavras politicamente incorretas a iminente visita do Papa Francisco ao Egito. Seu nome é Samir Khalil Samir. Ele tem 79 anos e ensina no Pontifício Instituto Oriental, em Roma, e na Universidade São José de Beirute.

As informações são de Sandro Magister, jornalista italiano, publicadas pelo Settimo Cielo, 27-04-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

A longa entrevista ao Padre Samir por Giuseppe Rosconi foi publicada esta semana no blog Rossoporpora. Você não pode deixar de lê-la se quiser entender o contexto da visita do Papa Francisco.

Por exemplo, aqui está o que o Padre Samir diz sobre a tão idealizada Universidade de Al-Azhar:

"Em primeiro lugar, não é uma universidade no sentido ocidental, porque o seu objetivo é formar imãs. Em suma, é uma grande faculdade de teologia islâmica. O aspecto mais problemático e mais grave é que ao longo dos anos os conteúdos de ensino não mudaram: os livros são sempre os mesmos manuais de sete séculos atrás".

A propósito do tema da violência no Corão e da natureza muçulmana do ISIS:

"Tudo o que o Estado Islâmico faz está no Corão ou na Sunna, ou seja, a coletânea de ações e de dizeres da vida de Maomé. Dou-lhe um exemplo: quando o ISIS capturou um piloto jordaniano, colocou-o em uma jaula e queimou-o vivo. Al-Azhar reagiu argumentando que o ato não era islâmico, porque há um provérbio de Maomé que estabelece o castigo com fogo como uma punição própria de Alá. Mas há um outro provérbio, do mesmo Maomé, relacionando-o a dois homens que são surpreendidos durante um ato sexual entre eles. Ele diz: 'queimem-os e joguem seus corpos no deserto'. Esta diversidade de compromissos possíveis, opostos entre si, são uma tragédia para o Islã".

A propósito das tentativas do Papa Francisco e seu conhecimento do Islã:

"Seu objetivo é fazer de tudo para reconciliar-se com o universo muçulmano. Para ele, todas as religiões são da paz, mas todas elas também têm os seus fundamentalistas. Isto também pode ser deduzido por algumas de suas considerações formuladas de improviso, ao responder as perguntas dos jornalistas, no avião papal. Como quando, ao retornar da viagem apostólica à Polônia, colocou no mesmo nível a violência dos fundamentalistas muçulmanos e a violência daqueles que, na Itália, um país católico, assassinam as noivas ou as sogras. O fato é que o papa conheceu o Islã através de um bom e honesto imã de Buenos Aires...".

*

Um ponto sobre o qual o Padre Samir insiste é na islamização crescente, segundo os cânones impostos pela Arábia Saudita, que não é de uma faixa extremista, mas que faz parte da população egípcia como um todo.

Isto confirma os dados recolhidos pela Pew Research Center, há dois anos, de Washington.

A partir de uma pesquisa de campo em muitos países muçulmanos resulta, de fato, que o Egito está entre os mais sensíveis ao radicalismo.

75% da população egípcia considera que a charia - ou seja, as regras extraídas do Corão e da Sunna - é uma palavra revelada por Deus.

74% querem que a charia seja a lei do Estado.

74% querem que a charia seja aplicada não apenas aos muçulmanos, mas também aos não-muçulmanos.

95% quer que os juízes religiosos decidam as disputas acerca da família e da propriedade.

70% é a favor de punição corporal para punir crimes como o roubo.

81% é a favor do apedrejamento de quem comete adultério.

86% é a favor da pena de morte para aqueles que abandonam o islã.

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